Chapada das Mesas: A histórica cidade de Carolina-MA

O principal destino para quem deseja visitar o Parque Nacional da Chapada das Mesas


A cidade de Carolina possui este nome em homenagem à Imperatriz Leopoldina (Carolina era seu primeiro nome), a esposa de Dom Pedro I e mãe de Dom Pedro II. Fica às margens do Rio Tocantins e por isso começou a ser povoada desde o início do século 19 por aqueles que exploravam a região. Hoje é a cidade mais estruturada e próxima do Parque Nacional da Chapada das Mesas o que a torna uma base para conhecer as atrações ao redor. 

Centro histórico de Carolina visto pelas lentes do drone


COMO CHEGAR?

A região da Chapada das Mesas fica distante das capitais mais próximas, sendo a cidade de Imperatriz-MA a melhor opção para quem vem de avião comercial. De Imperatriz são 220 km (cerca de 3 horas) até Carolina pela BR-230, a famosa Transamazônica, que se encontra em bom estado de conservação e sinalização na área da Chapada. Como eu aluguei um carro em Imperatriz, planejei o roteiro de forma a seguir primeiro para o município de Riachão que soma mais 100 km (1h 30min) a partir de Carolina e só me estabeleci nesta cidade na volta. A maioria das pessoas permanece hospedada em Carolina e faz passeios de um dia (ida e volta) para as atrações de Riachão. Mais informações no post Chapada das Mesas: Dicas e custos para planejar a viagem .

O Cristo de Carolina marca a entrada da cidade na BR-230


O município com cerca de 24 mil habitantes possui comunidades rurais


ONDE FICAR?

A parte mais interessante de Carolina-MA é o seu centro histórico onde estão os principais bares e restaurantes, além da beleza arquitetônica das construções antigas. Foi ali que eu descobri a Pousada Vale das Águas que, além de bem localizada na Avenida Getúlio Vargas, acompanha a atmosfera de simplicidade da cidade com sede em um casarão histórico.

Fiz amizade com o Nilton na Pousada Vale das Águas


A pousada é administrada pelo Nilton que cuida dela com muita dedicação e demonstra amor quando fala da região da Chapada das Mesas. Ele já trabalhou como guia e me ajudou bastante com dicas sobre cada atração do lugar. Passei três pernoites na pousada enquanto explorava os arredores de Carolina e pude me sentir em casa. A pousada é bastante limpa e confortável. Os quartos possuem ar condicionado, TV, banheiro privativo e um Wi-Fi que funciona muito bem. O excelente café da manhã regional era a minha alegria antes de sair para iniciar as explorações do dia. Recomendo bastante! A reserva na Pousada Vale das Águas pode ser feita através do telefone/whatsapp: (98) 98702-5847 ou email: valedasaguaspousada02@gmail.com  (pode falar que conheceu a pousada no site A Mochila e o Mundo 😉). A pousada também tem página no Facebook e Instagram: @pousada_vale_das_aguas .Veja a localização no Google Maps.

Os quartos da pousada são confortáveis e bem organizados


Banheiros bastante limpos


Não tem como não se sentir em casa nesta pousada


Café da manhã para dar uma moral e começar mais um dia de atividades


CENTRO HISTÓRICO

O primeiro núcleo urbano de Carolina se formou em 1809. Antes disso, a região só havia sido visitada por colonizadores em busca do aprisionamento de índios para o trabalho na exploração de ouro. A Avenida Getúlio Vargas é o local que concentra a maior parte dos edifícios e monumentos históricos da cidade, além da Igreja Matriz. A praça central é cercada de mangueiras, inclusive, uma delas possui mais de 100 anos!

Portal da cidade de Carolina


Casas históricas do século 19 preservadas na Av. Getúlio Vargas


Outras nem tão preservadas, mas ainda de pé


No final da avenida está a Igreja Matriz de 1844


Monumento do centenário da Independência do Brasil


Mangueira centenária de Carolina


Carolina também teve destaque na história do Brasil ao receber revolucionários da Coluna Prestes em 1925. O movimento comandado por Luís Carlos Prestes com ideais comunistas marchou por 13 Estados para buscar a adesão popular contra a República Velha. O grupo passou algumas semanas em Carolina sob o comando de Juarez Távora, um dos grandes líderes do movimento. O prédio em que os integrantes da Coluna Prestes ficaram hospedados se encontra até hoje abandonado em frente à Praça Alípio Carvalho.

No fundo, o prédio histórico que os integrantes da Coluna Prestes ficaram em Carolina


Na Praça Alípio Carvalho existe também centro de atendimento ao turista


MUSEU HISTÓRICO

Outra atração de importância na cidade é o Museu Histórico de Carolina que foi concebido em uma construção de 1830 cuja arquitetura original foi preservada. O museu exibe documentos oficiais, instrumentos musicais, peças religiosas e outros objetos doados pela comunidade que contam a história da cidade e da região, sendo que a pesquisa para se montar o museu durou cerca 15 anos. A entrada custou R$ 7 (dezembro/2019). Veja a localização no Google Maps.

O museu funciona em uma construção restaurada de 1830


Documentos, fotos e objetos que contam a história de Carolina


Curiosidade: o desenho da capa da nossa Constituição foi elaborado por um cidadão de Carolina


O primeiro barco do empresário Pedro Iran, proprietário da Pedra Caída e das balsas da região


PORTO DE CAROLINA

A cidade fica na beira do Rio Tocantins. Do outro lado do rio já é o Estado do Tocantins, cidade de Filadélfia. A travessia é feita através de um serviço de balsas da empresa PIPES, sigla que vem do nome do empresário Pedro Iran, o proprietário do Complexo da Pedra Caída e um dos homens mais ricos do Maranhão. Próximo da travessia das balsas está o restaurante Chega+ que é o melhor lugar para se assistir o pôr-do-sol em Carolina.

Porto de Carolina às margens do Rio Tocantins


O pôr-do-sol no Rio Tocantins é uma das atrações imperdíveis de Carolina


Em frente do restaurante Chega+ existe um mirante para assistir o pôr-do-sol


Como ninguém é de ferro, jantei uma pizza depois que a noite caiu


PARTIDA PARA O RIO ARAGUAIA

Nos dias em que eu estive hospedado em Carolina, além de conhecer a própria cidade, administrei o tempo para fazer a trilha ao Morro do Chapéu e realizei um tour de 4x4 na área do Parque Nacional da Chapada das Mesas, visitando a Cachoeira de São Romão e a Cachoeira da Prata, as mais famosas da região. Assim, consegui concluir o meu roteiro planejado da Chapada das Mesas. Chegou a hora de partir e me despedir da cidade e das amizades que fiz por lá, pois meu próximo objetivo seria atravessar para o Tocantins e chegar na região do Rio Araguaia.

Despedida da Pousada Vale das Águas onde passei bons momentos em Carolina


MEU ROTEIRO

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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 38 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.