Chapada das Mesas: A trilha do Morro do Chapéu

A subida na formação de arenito mais destacada no horizonte


O Morro do Chapéu é uma formação de destaque na paisagem da Chapada das Mesas com 378 metros de altura e que tem esse nome por causa do seu formato. Pode ser visto facilmente ao passar pela BR-230 (Transamazônica) entre a Pedra Caída, Carolina e Riachão. A maioria dos visitantes contratam guia para subir o morro, mas a minha missão naquele dia era chegar lá por conta própria.

Vista do Morro do Chapéu a partir da estrada de Carolina


COMO CHEGAR?

Acordei cedo para tomar o café da manhã na Pousada Vale das Águas onde eu estava hospedado em Carolina-MA. A má notícia era que começou a chover sobre a cidade. Esperei passar, mas não passou, então segui em direção ao Morro do Chapéu para "ver no que ia dar".

Um bom café da manha da Pousada Vale das Águas


O Morro do Chapéu não está no Parque Nacional, mas na chamada "zona de amortecimento" formada por um raio de 10 km do parque. Para chegar lá é preciso seguir pela BR-230 e entrar em uma estrada de terra de aproximadamente 12 km até o local da trilha. O problema é que eu não tinha um veículo 4x4 e precisava achar um itinerário viável para carro de passeio. O melhor caminho até lá não aparece no Google Maps (o Maps estava jogando por outro caminho mais duvidoso). Estudei o mapa na foto de satélite e marquei a entrada de uma estrada que parecia melhor (veja o ponto aqui no Google Maps). Para dificultar, ainda estava chovendo, e a estrada de terra tinha poças em alguns pontos. Quando faltava 2 km para chegar na trilha a estrada piorou. Eu estacionei o carro e segui a pé.

A estrada até o Morro do Chapéu é acessível com carro de passeio, exceto nos últimos 2 km


Estacionei o Golzinho "off road" para seguir o último trecho a pé


TRILHA DO MORRO DO CHAPÉU

Andei por uma trilha arenosa, que começa em frente a um sítio, até achar as fitas coloridas que indicam o caminho até a trilha da base do morro. Para confirmar o caminho usei um tracklog de GPS do site Wikiloc. No início da subida existe uma placa informativa que classifica a trilha como moderada e informa que o percurso tem 1.300 metros. Fique atento com cobras ou marimbondos que podem estar no caminho.

Observe as fitas coloridas balizando a entrada da trilha


A partir da placa são 1.300 metros de caminhada


Formiga medindo uns 3 cm


Centopeia diferente


Alguns trechos da subida possuem corda para auxiliar


MORRO DO CHAPÉU
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A subida durou 30 min e quando eu cheguei no topo já havia parado de chover. A parte de cima do Morro do Chapéu é um platô com vegetação baixa e algumas matas fechadas. Existe uma trilha que contorna o morro e alguns mirantes onde é possível contemplar toda região, observando a ilha dos botes, o rio Tocantins, a cidade de Carolina e as outras "mesas" que compõe a Chapada. 

No topo existe uma trilha que contorna o morro e passa por alguns mirantes


Casal de Urubu-Rei na encosta do Morro do Chapéu


Um conselho que eu havia recebido quando cheguei na Chapada era: "não vá no Morro do Chapéu se estiver chovendo!". Isso se deve a uma tragédia que havia acontecido 1 ano antes. Um guia levou um grupo para trilhar lá em cima quando uma tempestade se aproximou e caiu um raio no Morro do Chapéu que fez com que todos desmaiassem, o guia porém foi arremessado do alto de um mirante e morreu com a queda. O magnetismo da rochas de arenito e o relevo facilitam a atração de raios. A chuva que estava caindo de manhã não parecia que provocaria raios, porém, depois de um tempo que a chuva parou, uma nuvem escura se aproximou e eu desci pela trilha para evitar me transformar num pára-raio! Claro que ainda deu tempo de fazer um vôo com o drone...

Em janeiro de 2019 um guia morreu por queda de raio no Morro do Chapéu


Encosta do morro vista pelo ângulo de um drone


Uma nuvem escura se aproximou e eu aproveitei para concluir a trilha com a missão cumprida!


MEU ROTEIRO

Anterior: CAROLINA

Roteiro completo: CHAPADA DAS MESAS




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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 38 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.