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Tailândia: 3 dias de experiências e mistérios em Chiang Mai

Dias vividos entre templos, animais selvagens, lutas, culturas, surpresas e muito aprendizado


Chiang Mai é considerada a capital cultural da Tailândia e um dos destinos mais procurados por viajantes do mundo todo. É a segunda maior cidade do país mas ainda mantém um clima de interior, pelo menos dentro das muralhas de Old City (cidade antiga). Fora dali é o mesmo tumulto de toda cidade grande, com trânsito engarrafado inclusive. A estrutura turística é excelente, com opções de hospedagem para todos os gostos e bolsos, além de várias agências de turismo com uma lista imensa de atrações. E os templos então nem se fala, são mais de 300...


COMO CHEGAR?

Para chegar em Chiang Mai a partir de Bangkok é muito fácil, são várias opções de transporte, incluindo ônibus confortáveis, trens e diversas companhias aéreas low cost. Mas como eu comecei minha jornada pelo norte, peguei um ônibus de 3 horas de estrada, vindo de Chiang Rai (confira os horários no link).

A melhor parte da cidade para se hospedar é dentro das muralhas históricas


Cheguei na rodoviária de Chiang Mai (Arcade Bus Station) por volta das 20h30 e peguei um songthaew até a Old City. Fiquei no Portão leste das muralhas, chamado Tha Phae Gate. Foram quase 5 km até ali. Como cheguei na cidade sem reservar nada, andei um pouco pesquisando preços até me hospedar no Hotel Anodard, um hotel que parece grandioso por fora, mas por dentro é tipo um hotel falido, tudo velho. Mas o preço estava bom e era bem localizado, é isso que importa!


DIA 1

Como não havia café da manhã no Hotel Anodard, saí para caçar algo para comer. Descobri que o Top North Hotel tinha café da manhã estilo buffet, podendo repetir à vontade, por apenas 100 baht para os não hóspedes. Fica a dica!


TIGER KINGDOM

O primeiro destino do dia seria conhecer os tigres tailandeses deste parque tão polêmico. Eu teria que ir lá para ver de perto como funciona e a maneira como os animais são tratados. Sobre o Tiger Kingdom, vou relatar com mais detalhes num post exclusivo.

Um tigre de bengala observando atento a minha aproximação


DOI SUTHEP, O TEMPLO DA MONTANHA

Na parte da tarde do primeiro dia, me aventurei atrás dos carros coletivos para conseguir chegar no templo do alto das montanhas de Chiang Mai. Um cenário diferente e que merece ser visitado. Sobre o Doi Suthep, vou relatar com mais detalhes num post exclusivo.

São 300 degraus para chegar no templo 


MUAY THAI

E para fechar a noite do primeiro dia, uma luta de boxe tailandês original de fábrica no ringue do Thaphae Boxing Stadium. O nome parece coisa grande, mas fica nos fundos de uma garagem, algo bem exótico. Sobre a luta de Muay Thai, vou relatar com mais detalhes num post exclusivo.

A porrada come solta nesse ringue de fundo de quintal


DIA 2

O segundo dia em Chiang Mai estava reservado para algum programa com os elefantes tailandeses, mas eu ainda não sabia se valia a pena perder o dia todo com isso já que havia outras atrações para conhecer. Foi então que eu descobri um pacote de tour chamado Trekking Adventure.


TREKKING ADVENTURE

Como meu tempo era curto para percorrer o país e eu só tinha 3 dias para conhecer tudo em Chiang Mai, esse pacote facilitou meu roteiro. É um tour de um dia que engloba além do passeio com elefantes, também a visita ao orquidário, borboletário, à tribo das "mulheres girafas", trekking na selva e rafting no rio. Sobre o Trekking Adventure Tour, vou relatar com mais detalhes num post exclusivo.

Momento de contato com os elefantes de Chiang Mai


NIGHT BAZAAR

A noite do segundo dia foi dedicada a conhecer o agito de Chiang Mai. Segui caminhando pela Loi Kroh Road, uma rua cheia de restaurantes, massagens e bares. Era curioso ver "meninas" que se enfileiravam na frente de alguns bares, exibindo seus "produtos" para os turistas. A rua segue passando por grandes redes ocidentais de bares e alimentação até chegar no Rio Ping. Ali perto está o Night Bazaar, o mercado noturno tradicional de Chiang Mai que mais parece um mini shopping.


Hard Rock Café Chiang Mai


Fachada moderna do bazaar noturno de Chiang Mai


Música tailandesa ao vivo para animar o público


DIA 3

O último dia na cidade foi planejado para explorar as suas atrações dentro das muralhas, principalmente os templos que mais se destacam. Existem 3 deles que são imperdíveis, o Wat Chedi Luang, o Wat Phra Singh e o Wat Chiang Man.


WAT CHEDI LUANG

Comecei pelo templo mais perto, cerca de 500 m de onde eu estava hospedado. Para entrar no complexo é cobrada uma taxa de 40 baht. O Buda de Esmeralda, a estátua mais venerada do país, já ficou abrigada no Wat Chedi Luang por quase meio século, mas hoje se encontra no Grand Palace, em Bangkok.

Entrada do complexo de Chedi Luang


A porta do viharn é formada pelo prolongamento das serpentes que se entrelaçam no alto


 O Buda de Esmeralda esteve neste templo em 1468


Os templos reúnem todos os tipos de fiés, como essa humilde família de meias furadas


O monge do templo realizando o ritual em alguns seguidores budistas


O grande chedi que dá nome ao templo foi construído no século 14 para guardar as cinzas do pai do Rei. Com uma altura inicial de 24 metros, foi sendo ampliado e, em 1475, atingiu uma altura de mais de 80 metros. Foi a construção mais alta de Chiang Mai. Porém, um terremoto em 1545 o destruiu parcialmente (perdeu 30 metros). 

O colossal chedi foi parcialmente destruído por um terremoto


Grandes estátuas de buda se encontram nos quatro cantos do chedi


Eu estava apenas admirando esse antigo chedi quando parece que a ficha caiu!!! Antes de eu argumentar qualquer coisa sobre esse assunto, dê uma olhada atentamente nas fotos abaixo:

O chedi que dá nome ao complexo tem uma base piramidal e escalonada


Do alto da "pirâmide" descem as serpentes Nagas


É possível observar nas fotos acima que o chedi possui forma piramidal, muito semelhante às pirâmides de degraus comuns na civilização maia da América Central. Até aí tudo bem, pode ser coincidência. Porém, percebi que as figuras de serpentes que descem do alto do chedi estão dispostas da mesma maneira que em algumas pirâmides maias. Seria uma segunda coincidência? Vou deixar que você chegue a sua conclusão e comente neste post. Foi depois disso que verifiquei que a prática budista em simbolizar a descida das serpentes nas escadarias dos templos era comum. Veja as fotos abaixo do famoso sítio de Chichén Itzá, localizado próximo de Cancún, no México:

Pirâmide escalonada de Kukulkan em Chichén Itzá (México, 2016)


As serpentes maias representam a descida do deus Kukulkan à Terra (México, 2016)


Voltando ao assunto dos budas e concluindo a exploração pela área de Wat Chedi Luang, a parte dos fundos do complexo também possui templos (um pouco menores) e estátuas gigantes. Tudo muito bem preservado.

Estátua do Buda Reclinado


Uma das maiores estátuas de um buda gordinho que eu vi na Tailândia


WAT PHRA SINGH

Caminhando por mais 1 km, cheguei neste templo cuja entrada é cobrada (20 baht). No momento acontecia uma cerimônia religiosa com vários monges entoando mantras. Antes de seguir para conhecer os chedis dourados, percebi um movimento na lateral do templo que parecia um churrasco. Quando olhei melhor, vi se tratar de um velório! Não parecia ser um.

Singh significa leão e tem esse nome por causa da estátua de Phra Singh Buda (1367)


Monges enfileirados entoam seus mantras seguidos pelo público


O templo estava lotado por causa da cerimônia budista, e não eram turistas


Na parte de trás, os chedis dourados são incríveis


Detalhe de um elefante dourado sendo projetado do Chedi


No portal de um dos templos está representada sansara, a roda da vida


WAT CHIANG MAN

Este antigo templo datado de 1297 é considerado o mais antigo de Chiang Mai. Diz a lenda que sua origem se deu quando o Rei Mengrai fundou Chiang Mai, em 1296, para ser a capital do Reino Lanna. O próprio rei viveu em um acampamento para supervisionar a construção da cidade e foi naquele local que o templo foi construído. Hoje, existem dois viharns (monastérios budistas) neste complexo do templo, o maior abriga a estátua mais antiga de Buda do reino de Lanna (1465).

O maior viharn está logo na entrada


Essa seria a estátua de Buda mais velha de Chiang Mai


Um altar diferente com elefantes e até veados


A primeira construção do complexo foi o Chedi Chang Lom que, segundo a crença local, guardaria uma relíquia: o cabelo de Buda. A sua característica marcante são os 15 elefantes que circundam sua base.

Chedi Chang Lom, a construção mais antiga do complexo


As figuras de 15 elefantes circundam o chedi


Mini estátuas foram colocadas aos pés dos elefantes como oferendas


Assim como em outros chedis antigos, a figura da serpente aparece descendo a escadaria


No fundo do templo encontrei esses dois simpáticos monges


Voltando ao assunto das "coincidências" das civilizações antigas, um dos mistérios da mitologia maia sempre foi o deus da chuva Chaac. Ele é comumente representado na fachada dos grandes templos com uma tromba(!) apesar de, teoricamente, os mesoamericanos nunca terem visto um elefante. Já as civilizações do oriente, essas sim conheciam bem o elefante e o usavam com frequência como elemento de decoração de monumentos. Veja as fotos abaixo do deus Chaac:

Isso é ou não é uma tromba? (Museu de Antropologia do México, 2011)


O deus Chaac e sua tromba adornando a fachada de um templo em Uxmal (México, 2016)


O menor viharn, que fica ao lado do maior, foi o que eu achei mais interessante. As suas paredes são decoradas com cenas da mitologia de Buda, além de guardar estátuas importantes para a crença budista da região: O Phra Sila, que se acredita ter o poder de trazer chuva e o Buda de Cristal (Phra Sae Tang Khamani) que se acredita ter o poder de proteger contra desastres. As estátuas se encontram protegidas dentro de um cercado de grades.

Entrada lateral do pequeno templo viharn com duas serpentes douradas


Phra Sila teria sido feita no Sri Lanka há cerca de 1.200 anos


O Buda de Cristal foi esculpido em quartzo


Buda e seus seguidores nas pinturas da parede do templo


Essa pintura é bem curiosa e parece ser uma escada rolante divina


O buda reclinado representa o momento de alcance do Nirvana


MONUMENTO DOS 3 REIS

O Three Kings Monument (Monumento dos Três Reis) fica em uma praça próxima ao templo Wat Chiang Man, na parte norte de Old City. Ali também se encontra o Centro Cultural e de Artes da Cidade de Chiang Mai que funciona como um museu que conta a história e cultura dos povos da região, explica sobre o budismo, crenças regionais, tribos das montanhas, migração e as primeiras civilizações e as dinastias reais.

Reis que marcaram a dinastia de Chiang Mai


WOMAN CORRECTIONAL INSTITUTION

Para quem pensa que já viu de tudo, Chiang Mai proporciona uma maneira exótica de receber massagem. Este instituto realiza um programa de reabilitação com detentas, isso mesmo, as massoterapeutas estão presas! Eu não sou fã de massagem, mas passei por lá só para conferir como funcionava.

Programa de reabilitação que usa a prática de massagem das presidiárias


Não é possível fazer reservas, funciona através da ordem de chegada. Também não é permitido fotografar as detentas. Funciona de 8h00 às 16h30 diariamente (no sábado e no domingo abre às 9h00). Preços: a massagem (pés ou corpo) dura 1h e custa 200 baht. Já a massagem completa (pés e corpo) dura 2h e custa 400 baht. Ah, outro detalhe, possui Wi Fi Free!


PARTIDA PARA SUKHOTHAI

No final da tarde do terceiro dia eu peguei minha mochila e segui a minha jornada pela Tailândia, o próximo destino seria o centro do país onde teria surgido a civilização Thai. Usei o aplicativo GRAB (no mesmo estilo do UBER, porém mais popular na Tailândia) para ir para a Arcade Bus Station. Custou apenas 60 baht. Os guichês que vendem passagem para Sukhothai ficam do outro lado da rua, no terminal oposto aos ônibus que vão para Bangkok/ Chiang Rai. Foram mais 5h30 de viagem!


CUSTOS (dezembro 2016)

- Songthreaw da Arcade Bus Station para Old City - 50 baht
- Jantar - 150 baht 
- Café buffet Top North Hotel - 100 baht
- Jantar - 257 baht
- Café no 7 Eleven - 100 baht
- Jantar no restaurante Kitchen Kat - 170 baht
- Entrada no Wat Chedi Luang - 40 baht
- Entrada no Wat Phra Singh - 20 baht
- Carro para a rodoviária - 60 baht


MEU ROTEIRO

Anterior: BLACK HOUSE

Roteiro completo: MISSÃO TAILÂNDIA-CAMBOJA

Próximo: TIGER KINGDOM



***A mochila Deuter Transit 50l utilizada nesta viagem foi patrocinada pela SubSub Equipamentos de Aventura. Confira abaixo o código promocional exclusivo para seguidores do blog A Mochila e o Mundo. Leia aqui o regulamento.

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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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