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EUA: O sítio arqueológico do Parque Nacional de Mesa Verde

A notável tecnologia de construção desenvolvida pelos índios americanos


Este parque é pouco conhecido dos brasileiros, mas importante para a arqueologia norte americana. O nome espanhol do Parque Nacional de Mesa Verde faz referência à vegetação encontrada no topo dos planaltos na área. Ali se preserva a história dos Pueblos Ancestrais, índios que viveram naquela região por cerca de 700 anos, de 600 d.C. a 1300 d.C. e possuem como característica a construção de suas habitações aproveitando a proteção de falésias naturais.

Platôs que deram origem ao nome do parque


COMO CHEGAR?

Me desloquei cerca de 241 km (150 mi) de distância desde Parque do Arcos (3 horas de estrada) para chegar em Mesa Verde. A entrada para o parque fica a 9 km da pequena cidade de Cortez, no Colorado, na US Highway 160. Durante toda a road trip usei o App Google Maps do smartphone com o GPS da rede de dados do Easysim4u para me orientar. A entrada do parque foi 20 USD (agosto 2018) por carro. Veja o itinerário no Google Maps.

Monumento na entrada do centro de visitantes


Antes de passar com o carro a cabine de bilheteria, parei no bem estruturado centro de visitantes onde tem banheiros, bebedouros de água, mapas e informações sobre o parque. Uma ranger sênior foi bem atenciosa e me explicou com detalhes como funcionava o parque. Existem 2 áreas principais para se visitar: a Chapin Mesa, onde fica a maioria das atrações, e a Wetherill Mesa, uma área mais remota e com menos coisas para ver (só a Step House e a Long House). Nessas áreas estão os mirantes dos sítios arqueológicos, sendo que a visita dentro de alguns sítios somente se guiada por rangers, devendo ser agendada e é cobrada uma taxa extra para cada: Cliff Palace, Balcony House e Long House. Para reservas e informações, acesse:   https://www.nps.gov/meve/planyourvisit/guided_activities.htm


SPRUCE TREE HOUSE

Da entrada do parque são 27 km até a área da Chapin Mesa, onde estão a Spruce Tree House, o museu arqueológico, o Cliff Palace e a Bacony House. Estacionei e fui à Spruce Tree House que era aberta para visitação sem guia, mas foi fechada por perigo de desmoronamento. Só é possível admirar de longe através do mirante. É considerada o conjunto habitacional mais bem preservado de Mesa Verde. Pode-se observar as casas feitas na encosta e existem rangers próximos do mirante disponíveis para tirar dúvidas.

Mirante de Spruce Tree House


Esta é a terceira maior falésia de Mesa Verde (Cliff Palace e Long House são as maiores), com construção provável entre 1211 e 1278 d.C. pelos antepassados ​​dos Pueblos do sudoeste. O conjunto contém cerca de 130 cômodos e 8 kivas (espécie de moradia subterrânea). Acredita-se que tenha sido o lar de cerca de 60 a 80 pessoas. Foi descoberta em 1888 por dois fazendeiros locais em busca de gado abandonado.

Foi descoberta em 1888 e está aberta à visitação desde 1908


Algumas janelas são semelhantes das construções incas como Machu Picchu


TRILHA DOS PETRÓGLIFOS 

O mirante da Spruce Tree House também é início (e término) de uma trilha circular de 3,9 km que desce pela mata e sobe beirando a encosta rochosa onde os habitantes daquela área costumavam viver. Várias paisagens incríveis e algumas pequenas ruínas arqueológicas são vistas pelo caminho. Passei cerca de 2 horas na trilha, parando para fotos, sendo o caminho bem marcado e sem necessidade de guia. Não se pode esquecer de levar água pois o calor seco daquela região é cruel. O ápice da trilha é encontrar antigos desenhos esculpidos na parede rochosa que representam animais e seres estranhos.

Descida de início da trilha dos petróglifos


A trilha passa por lugares estreitos, como este


Áreas cobertas como esta eram usadas para construir casas


A diferença de temperatura é evidente nessas sombras, tendo um clima agradável


Descobri uma casa construída no alto da encostra


Falésias naturais facilitavam a vida naquele local


Achei a minha casa, só falta o green card!


Ruínas de uma antiga casa indígena


A trilha beira o abismo por quase todo o percurso


A ida da trilha acaba em um paredão com petróglifos


Desenhos esculpidos na rocha há vários séculos


A trilha volta por cima do planalto rochoso


A vista lá do alto é sensacional!


Planta nativa daquelas terras áridas


MUSEU ARQUEOLÓGICO DE CHAPIN MESA

Terminei a trilha bem exausto por causa do calor. Nada melhor do que aproveitar o ar condicionado do Museu Arqueológico de Chapin Mesa para baixar a temperatura do corpo enquanto é possível analisar dioramas (maquetes) que recriam a vida na região nos tempos antigos e objetos encontrados nas escavações. A entrada está inclusa no ingresso do parque.

Dioramas representam diferentes épocas da civilização dos Pueblos


Época em que os índios eram nômades


Época que os índios desenvolveram a construção de conjuntos habitacionais


"Havaianas" dos índios Pueblos


Moldes usados para produzir dioramas


Exemplos de arte antiga feita na rocha


SQUARE TOWER HOUSE

Depois de conhecer a Spruce Tree House e o museu, as outras atrações estão ao longo da estrada em dois circuitos diferentes: o Mesa Top Loop (10 km) e o Cliff Palace Loop (10 km). Comecei dirigindo pelo Mesa Top Loop e parei no mirante da Square Tower House, uma área habitacional que possui uma torre de 2 andares construída pelos índios por volta de 1100 d.C. 

Os carros param na beira da estrada do parque para acessar o mirante


Não há visitação no local, apenas pode ser observada do mirante


Num período de 200 anos (1100 a 1300 d.C.), os Pueblos desenvolveram técnicas avançadas de construção e práticas agrícolas. 


CASAS E VILAS ANTIGAS

Outra parada importante no circuito de Mesa Top Loop são nas chamadas "Pit Houses and Villages". Não tem nada muito bonito para se ver, porém é importante para entender a maneira arcaica que aqueles povos viviam antes de desenvolverem a tecnologia de construção dos edifícios nas encostas das falésias. Essas casas eram chamadas de Kivas e eram feitas cavando o solo, ficando no nível do piso.

Placas explicativas ensinam os detalhes de construção das Kivas


Dutos de ventilação construídos para possibilitar a moradia


Sítio arqueológico com kivas preservadas


SUN TEMPLE

Parei também no misterioso Templo do Sol. Não se sabe ao certo para que servia, mas de acordo com os índios Pueblo modernos, as características do Templo do Sol o classificam como sendo uma estrutura cerimonial. A vista do vale é bela!

Foto aérea e explicações sobre o misterioso templo


Vista panorâmica a partir do Templo do Sol


CLIFF PALACE

Segui para o próximo circuito: o Cliff Palace Loop. A grande atração dali são os mirantes para o Cliff Palace, um conjunto habitacional de 150 quartos e 23 kivas, com uma população considerada de 100 pessoas. Acredita-se que o Cliff Palace era um centro social e administrativo com grande uso cerimonial. Só é possível entrar no Cliff Palace (e na Balcony House) através de uma excursão guiada por ranger, como eu expliquei anteriormente, devendo ser feita a reserva do horário pela internet ou no centro de visitantes.

Só é possível ver o Cliff Palace de longe, exceto se agendar visita guiada e pagar uma taxa extra


Até mesmo torres circulares foram construídas neste conjunto


WETHERILL MESA

A área remota do parque chamada Wetherill Mesa é aberta sazonalmente. A 19 km de Far View fica o Wetherill Mesa Kiosk. A partir desse ponto só se pode seguir a pé ou de bicicleta pois não há permissão para carros. Como eu tinha pouco tempo no roteiro da minha road trip, tive que seguir jornada e não fui até essa área do parque. A única grande atração em Wetherill Mesa é a chamada Long House que só pode ser explorada através de excursão de 90 minutos guiada por um ranger. Os ingressos são vendidos na internet ou no centro de visitantes.


MAPA DE MESA VERDE

Baixe ou clique para ampliar


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Roteiro completo: MISSÃO OESTE AMERICANO

Próximo: GRAND CANYON


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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 36 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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