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Islândia (dia 7): Observação de baleias em Húsavík

Passagem pelo Arctic Henge, por Húsavík e pelas cataratas Goðafoss


Amanheceu bem frio naquele dia, com flocos de neve caindo do céu. Eu havia dormido dentro do carro em uma pequena colina de Raufarhöfn que é considerada a aldeia mais setentrional e uma das mais remotas da Islândia, local onde o Círculo Polar Ártico passa beirando sua costa. Raufarhöfn fica a 130 km da cidade de Húsavík e o caminho é através de uma estrada boa, asfaltada, que demora no máximo 1h30min de deslocamento.

Cristais de gelo na roupa


ARCTIC HENGE

A colina em que o carro ficou estacionado não é tão alta, mas ainda sim é o ponto culminante da pequena Raufarhöfn. E o que tem de especial nesse lugar frio e distante? Lá, naquela colina, está de pé o Heimskautsgerði, ou Arctic Henge, conhecido como o Stonehenge islandês. Tem cerca de 50 metros de diâmetro, com 4 portões de 6 metros de altura. No centro do círculo está uma estrutura em quatro pilares com 10 metros de altura. 

No ponto mais alto de Raufarhöfn está o misterioso monumento conhecido como Arctic Henge


O Arctic Henge é uma versão moderna dos antigos círculos de pedra, como Snonehenge 


O significado dessa construção é mitológico, foi baseado em um poema épico chamado Völuspá (Profecia da Vidente). Apesar de misterioso, o Arctic Henge não é um monumento histórico. Sua construção foi iniciada em 1996 e ainda se encontra em desenvolvimento. Como o Stonehenge inglês, o Arctic Henge é como um enorme relógio de sol, com o objetivo de capturar os raios solares e projetar sombras em locais precisos para fins ainda não esclarecidos.

No centro do círculo está essa estrutura impressionante de 10 m de altura 


Em certas épocas do ano, o sol da meia noite se alinha entre os portais 


PANE NA BATERIA!!!

Depois de explorar o círculo de pedras, uma surpresa: a bateria do carro não ligava! Não sei se deixei tempo demais ligada à noite carregando o celular, se foi o frio intenso ou se teve alguma influência energética do Arctic Henge, porém tive que empurrar o carro ladeira abaixo enquanto meu amigo tentava dar a partida no motor. O carro desceu a colina mas não deu a ignição. Continuamos empurrando em direção à aldeia até que um motorista parou para nos ajudar. Ele foi até algum lugar e trouxe um cabo para fazer "chupeta".  Conseguimos então seguir viagem de volta para Húsavík.

Conseguimos uma "chupeta" na bateria arriada do carro 


Parte da estrada para Húsavík estava coberta de neve


 A neve estava quase cobrindo as placas


HÚSAVÍK

Esta é uma das maiores cidades da Islândia, com cerca de 2.800 habitantes (sim, isso é uma cidade grande na Islândia!). Fica localizada ao norte e tem saída para o Mar da Noruega, sendo conhecida como "a capital do safári de baleias". A melhor opção para fazer a observação de baleias é através da agência Gentle Giants (veja a localização no Google Maps). O tour dura cerca de 3 horas no mar e os horários de saída variam de acordo com a época do ano (veja aqui os horários). As opções de passeios, reservas e os preços atualizados podem ser pesquisados no site https://www.gentlegiants.is/

Escritório da Gentle Giants - Whale Watching Húsavík 


O escritório fica próximo do pier de onde saem os barcos


Cheguei 1 hora antes no local e meu embarque estava previsto para 13h15. Depois de ser bem recebido no escritório da Gentle Giants e ganhar uns comprimidos para evitar enjôo durante o tour (que eu acabei esquecendo e não tomei), fui dar uma volta no porto de Húsavík. Ali próximo está o Húsavík Whale Museum (museu da baleia) que funciona diariamente de 9h às 18h. Com o ticket do tour na Gentle Giants eu ganhei 20% na entrada do museu.

 Húsavík é uma das cidades mais recomendadas como ponto de partida para a observação de baleias na Islândia


O Húsavík Whale Museum fica bem próximo da Gentle Giants


Local de partida dos barcos da Gentle Giants para a observação de baleias


Pronto para o embarque no barco chamado Sylvía 


Assim que embarcamos, a tripulação distribuiu um macacão térmico e uma capa impermeável para os visitantes. Fazia muito frio naquele dia, com a temperatura variando entre 0 e 2 ºC e alguns flocos de neve caindo, por isso foi essencial levar também luvas e algo para cobrir a cabeça do frio do mar aberto. 

Trajes da Gentle Giants de proteção para o frio  


O barco se afasta rumo ao mar aberto 


À medida que o barco ia se aproximando do mar aberto, mais as ondas batiam na proa e respingava água. Fui o único que ficou lá na frente fazendo fotos e vídeos da expedição, mas quando minha luva molhou e o frio bateu, percebi porque ninguém ficava lá na frente 😜. Apesar do mar revolto com o tempo ruim daquele dia, eu não enjoei, apesar de não ter tomado remédios para enjôo.

O clima não estava favorável para navegar naquele dia


Não sei se foi o clima, se foram as correntes marítimas ou se sou mesmo um pé frio, mas as baleias não apareceram durante as 3 horas de navegação. Foi possível apenas observar os golfinhos pulando próximos do barco e alguns puffins, uma espécie de papagaio marinho daquela região. Mesmo não conseguindo encontrar as baleias naquele dia, a experiência de navegar naquele mar do norte do planeta é única e me fez refletir como os Vikings sustentavam o frio e o mal tempo com suas embarcações antigas, dominando todas aquelas águas.

As baleias resolveram não aparecer naquele dia de mar turbulento


Retornando com segurança ao porto de Húsavík


GODAFOSS

De volta à estrada, percorri 50 km desde Húsavík até chegar em Goðafoss que é mais uma das maravilhas da natureza na Islândia, formada pela queda d´água de 12 metros do Rio Skjálfandafljót que se forma no Glaciar Vatnajökull e desce neste ponto, com uma largura de mais de 30 metros. Existe apenas um estacionamento no local, sem nenhuma outra estrutura e sem a cobrança de taxas de acesso.

Quase não deu coragem de sair do carro naquele dia frio 😝


O acesso à catarata é por cima, sendo possível chegar bem perto das águas


Diz a lenda que no ano 1000 d.C., a assembleia popular Alþingi se reuniu para decidir se adotaria o cristianismo como religião ou permaneceriam seguindo as religiões pagãs nórdicas. A assembleia estava dividida sobre essa questão, foi então que um legislador chamado Þorgeir ofereceu-se para decidir. Recolheu-se à sua tenda e passou a noite debaixo de uma pele de animal. No dia seguinte, regressou à assembleia e convenceu os participantes sobre sua decisão que foi adotar a religião cristã, abandonando de vez o paganismo. Como consequência todos foram batizados. No regresso para sua casa, Þorgeir teria jogado as suas estatuetas pagãs nas águas dessa catarata, que recebeu o nome de Goðafoss, cujo significado é "Catarata dos Deuses".

Goðafoss significa "Catarata dos Deuses"


O responsável por oficializar o cristianismo na Islândia teria jogado suas estátuas pagãs ali


PERNOITE EM AKUREYRI

Mais 52,5 km percorridos e eu cheguei na cidade de Akureyri, a quarta maior do país, com apenas 17.000 habitantes! Depois de parar num posto de gasolina para encher as garrafas de água, segui para o pernoite em um local isolado do centro urbano. Estacionei o carro neste ponto.

O estacionamento ficava no início de uma estranha trilha, com uma placa de proibido cachorro (mas pássaro ok!) 


Preparativos para o pernoite


MEU ROTEIRO

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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 36 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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