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Aconcágua: Dicas e custos para fazer o trekking até seu Campo Base

Dicas para planejar o trekking de 7 dias até a base da montanha mais alta das Américas


O Cerro Aconcágua (6.960,8 metros de altitude) é conhecido por ser a montanha mais alta das Américas, mas é muito mais que isso, na verdade é a montanha mais alta fora da Ásia, sendo o ponto mais alto tanto no Hemisfério Ocidental como no Hemisfério Sul. Para se escalar com segurança é preciso ter tempo, equipamentos profissionais e apoio de agências. Mas para quem não sabe, a montanha fica localizada num parque provincial argentino e é possível fazer um trekking de 7 dias até seu campo base sem contratar agências ou guias, o que é uma aventura nível hard possível e com cenários incríveis!


COMO CHEGAR?

A montanha fica localizada no Parque Provincial Aconcagua, nos Andes argentinos, a 183 km da cidade de Mendoza e a cerca de 21 km da fronteira com o Chile. A maneira mais simples de chegar até lá a partir do Brasil é pegar um vôo até a cidade de Mendoza e seguir de ônibus ou carro alugado até o parque.

As planícies argentinas contrastando com a cordilheira dos Andes ao fundo


Decolei às 8h45 do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino a Guarulhos, São Paulo, para pegar uma conexão internacional que decolou às 10h55 para a cidade de Mendoza. A chegada em Mendoza foi às 13h50 horário local (1h a mais que o horário de Brasília). Uma dica importante: se você pretende fazer fotos dos Andes e do Aconcágua durante o pouso, reserve assento do lado direito do avião.

Chegada ao Aeroporto de Mendoza (MDZ), na Argentina


O transporte do aeroporto ao centro de Mendoza pode ser feito de táxi ou remis (um carro que faz lotação por preço fixo), que custam em média 150 pesos argentinos. Fiquei hospedado no Hostel Estacion Mendoza, no centro de Mendoza, que escolhi devido à localização mais próxima do Terminal del Sol (rodoviária a qual eu embarcaria rumo ao Aconcágua).


CÂMBIO

O cambio no aeroporto nunca é a melhor opção. Como eu já possuía alguns Pesos Argentinos de viagens passadas, consegui pagar o remis até o centro com essa grana. Depois de fazer o check in no hostel, segui para cambiar dinheiro. As casas de câmbio se concentram próximas ao cruzamento da Av. San Martin com a Calle Espejo. Uma boa dica é conferir o Cambio Express (foto abaixo), na Calle Espejo nº 58, que também aceitava Real (R$) com uma cotação melhor que o dólar (R$ 1 = AR$ 6, em dezembro 2017). A maioria das casas de câmbio seguem o horário do comércio local e fecham das 14h às 17h para a hora da "siesta". 

Cambio Express que aceita trocas em Real Brasileiro também fecha das 14h às 17h


COMO OBTER A PERMISSÃO DO TREKKING

Depois de cambiar dinheiro, a próxima etapa para concretizar o trekking foi pagar a permissão do Parque. Esta etapa, na verdade, começou ainda no Brasil, mas primeiro é importante entender como o Parque funciona:

- Existem os seguintes tipos de trekking: o Trekking Corto (curto) de 3 dias; o Trekking Largo (longo) de 7 dias e a expedição de Ascensão para o cume. O trekking pode ser feito pelo Valle de Horcones (o tradicional) ou pelo Valle de Vacas (entrada pela cidade de Penitentes). Para quem não quer aventura, também há como opção o trekking de 1 dia e uma pequena trilha de 2 horas no circuito da Laguna Horcones.

- Para os Trekking Corto, Largo e Ascensão, é necessário obter uma permissão do parque antecipadamente pagando uma taxa cujo valor varia de acordo com o tipo, período, se é estrangeiro e se vai fazer com empresa ou por conta própria. Por exemplo, os valores da temporada 2017/2018 estão neste link.

- Devido ao clima, o trekking no parque não fica disponível durante todo o ano. Normalmente só está aberto entre meados de novembro a meados de março. Por exemplo, a temporada 2017/2018 abriu de 20 de novembro até 15 de março. Também existe a "temporada invernal", com muitas restrições.

Vou detalhar agora o "passo a passo" para obter o "permiso" de trekking, desde o começo:

1) Ainda no Brasil, acessar o site do Parque Provincial Aconcagua através do link http://www.aconcagua.mendoza.gov.ar/ e preencher o cadastro. Importante: lembre-se que é possível se registrar no site apenas quando a temporada está aberta, nos demais períodos não haverá o link para isso. Normalmente o link estará na página inicial.


2) Ao acessar o link de registro, abrirá uma tela para preenchimento de um formulário com informações básicas. Para quem está acessando na primeira vez, basta preencher as informações de "Registrarse". Estão disponíveis nos idiomas inglês e espanhol. Se houver dúvidas, use o Google Tradutor.


3) Depois de registrado, basta usar o nome de usuário e senha que você cadastrou para fazer login e acessar a tela de administração. Nesta tela, clique em "Cargar Permiso" para cadastrar o tipo de trekking que você deseja fazer. 


4) Ao clicar em "Cargar Permiso", abre-se a janela "Nueva Expedicion". Basta preencher e salvar. Caso preencha errado e salve, não é possível editar ou excluir, você terá que preencher outro. Por exemplo, eu coloquei a data de ingresso errada (circulado na foto acima) e tive que preencher um segundo formulário.


5) Feito o cadastro da expedição desejada, deve-se clicar em "Imprimir Expedicion", que é o formulário com as informações do trekking e deve seguir assinado. Já o botão "Imprimir Pago" faz gerar o boleto para pagar a permissão. Importante: o boleto é impresso com a validade de 24h e só é possível pagar na Argentina, ou seja, não imprima antes de poder pagar.

Sabendo da informação anterior, acordei cedo no dia do embarque para a Argentina e imprimi o boleto ainda no Brasil. Já em Mendoza, cambiei o dinheiro necessário para pagar o boleto. O boleto só pode ser pago nos estabelecimentos chamados Pago Facil, em dinheiro e em Pesos Argentinos. Existem alguns na Av. San Martin. Eu paguei no Pago Facil Western Union, na Av. España nº1233.

Permiso do Trekking "Largo" de 7 dias


Com o boleto pago, segui andando 2,2 km pela Av. Emilio Civit até o Parque General San Martin. Logo após passar pelo portão do parque e em frente a Rotonda Caballitos de Marly, está o Centro de Informações do Aconcágua. Funciona de 8h às 18h (seg a sex) e de 8h às 13h (sáb, dom e fer). Basta apresentar seu documento de identificação, o Formulário de Registro impresso e assinado, e o boleto impresso com o comprovante de pagamento. Pronto! A permissão será entregue e deve ser apresentada na entrada do Parque Provincial do Aconcágua. Parece complicado mas não é!


ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS

Para encarar 7 dias nos Andes é necessário ter um bom equipamento de trekking, como botas, casacos, barracas, isolante térmico, etc. Até que eu tenho esse tipo de material, porém achei essencial alugar um saco de dormir resistente ao frio intenso. Fui até a loja El Refugio, na rua Espejo nº285, e  aluguei um saco de dormir (sleeping bag) com temperatura extrema de -40º que, mais tarde, como vou relatar num próximo post, eu iria confirmar que foi um bom negócio. Claro que eu chorei um desconto 😉. Também comprei uma botija de gás para o fogareiro pois é o tipo de item não autorizado para despachar no avião a partir do Brasil.

Lista de preços do aluguel de equipamento na loja El Refugio (em dólares, dezembro 2017)


ATRAÇÕES DE MENDOZA

A cidade de Mendoza é o ponto de partida para chegar no Aconcágua, mas se sobrar um tempo vale a pena aproveitar o que ela tem de bom. Como cheguei de tarde e tive que resolver as pendências do trekking, não tive muito tempo para conhecer a cidade, mas no retorno passei 2 dias antes de embarcar de volta ao Brasil. Não há muita coisa surpreendente na cidade, apenas algumas praças, cuja principal é a Plaza Independencia, e parques, cujo maior é o Parque General San Martín.

A Plaza España é uma dos pontos turísticos da cidade


Pasaje San Martin, uma galeria histórica


Um lugar popular para visitar e comer barato é o Mercado Central que fica na Av. Las Heras, próximo à esquina com a Rua Patricias Mendocinas. Não é lugar de se comer pratos feitos, mas de lanches como lomo completo (sanduíche de carne), pancho (cachorro quente), pizzas e frutos do mar. É também na Av. Las Heras que está o Carrefour que dá pra economizar uma grana em alimentação.

Entrada do Mercado Central na Av. Las Heras


Interior do Mercado Central


Para quem tem pouco tempo (mas tem dinheiro) pode pegar o ônibus Mendoza City Tour que é no estilo City Sightseen e passa pelos principais pontos turísticos da cidade, incluindo o alto do Cerro de la Gloria que é um dos melhores mirantes da cidade. Preço: 229 pesos em dezembro/2017.

Um dos pontos de embarque fica no calçadão do Paseo Sarmiento


Itinerário do Mendoza City Tour


Durante a noite, a parte mais movimentada é o Paseo Sarmiento que é cercado de restaurantes com as mesinhas no calçadão. Jantei todas as noites no restaurante Comidas de Campo com uma promoção de Milanesa de Pollo (frango) + empanada + helado (sorvete) por 165 pesos.

Artistas de rua animam a noite no Paseo Sarmiento


Andes, a cerveja regional


Outra atração de Mendoza são as bodegas (vinículas), cujas mais famosas são Norton e Rutini. O deslocamento entre as bodegas é complicado pois estão espalhadas nos arredores da cidade. Uma dica para economizar tempo é o Bus Vitivinícola, que pode ser reservado pelo site www.busvitivinicola.com .


TRANSPORTE ATÉ O ACONCÁGUA

A entrada do Parque Provincial Aconcagua fica na estrada RN7, a 3 km do povoado de Puente de Inca. O ônibus que parte da cidade de Mendoza sai do Terminal del Sol e pertence à empresa Transporte Buttini. A viagem dura cerca de 4 horas e a partida segue os horários abaixo:
Seg a Sex -  6 a.m. / 10: 15 a.m. / 3: 30 p.m. 
Sáb, Dom e feriados  - 7:00 a.m. / 10: 15 a. m. / 3: 30 p.m.

Terminal del Sol, em Mendoza


Na hora de colocar a mochila no bagageiro do ônibus, o funcionário da empresa me pediu uma "propina" (gorjeta) por ter etiquetado e colocado dentro do ônibus. Logicamente eu recusei e ele fez cara de quem não gostou.

Empresa de ônibus Buttini, que faz o transporte até a região do Aconcágua


O relato da minha chegada em Puente del Inca e as atrações daquele lugar estão no post Aclimatação em Puente del Inca.

O povoado de Puente del Inca fica em uma região histórica próxima ao Parque do Aconcágua


As linhas vermelhas representam os caminhos do trekking

CUSTOS (dezembro 2017)

- Vôo Rio x Mendoza (ida e volta) - R$ 1.395,42
- Remis aeroporto x centro de Mendoza - 150 pesos
- Permissão Aconcágua (trekking 7 dias) - 310 USD (5.564 pesos)
- Aluguel do saco de dormir (7 dias) - 40 USD
- Gás para fogareiro - 120 pesos
- Compras no Carrefour - 207,17 pesos
- Água 2 L - 30 pesos
- Jantar - 211 pesos
- Hostel Estacion Mendoza (1 diária) - 10,40 USD
- Ônibus para Puente del Inca (ida) - 128,30 pesos
- Almoço - 230 pesos
- Jantar (Refugio El Nico) - 250 pesos
- Refugio El Nico (1 diária) - 730 pesos
- Lomo completo (Pared Sur - Plaza de Mulas) - 35 USD
- Lanche - 60 pesos
- Ônibus para Mendoza (volta) - 130 pesos
- Jantar - 250 pesos
- Compras Carrefour (lanche de almoço) - 119,10 pesos
- Lembrança - 35 pesos
- Bordado do Aconcágua para mochila - 100 pesos
- Jantar - 200 pesos
- Hotel Wine Aparts (2 diárias) - 1.072 pesos
- Táxi para aeroporto (taxímetro) - 142 pesos


MEU ROTEIRO

Roteiro completo: TREKKING ACONCÁGUA

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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 36 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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