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Aconcágua: Aclimatação em Puente del Inca

A ponte natural de pedra localizada "na porta" do parque do Aconcágua 



O lugar possui esse nome devido à incrível ponte de pedra formada naturalmente sobre o Rio Vacas e que possui as ruínas de um antigo spa que prometia a cura através das águas termais. Esse cenário exótico atrai turistas que visitam aquela região no caminho do Cerro Aconcágua, a montanha mais alta das Américas, cuja entrada do parque fica a apenas 3 km dali. O movimento turístico fez surgir um pequeno povoado com menos de 200 habitantes que ganham a vida com restaurantes de beira de estrada e barracas de artesanato. Localizado a uma altitude de 2.740 metros, esse foi o lugar que escolhi para aclimatar antes de iniciar o Trekking de 7 dias até o Aconcágua.


COMO CHEGAR?

Puente del Inca fica localizada na Ruta Nacional Nº 7, a cerca de 180 km da cidade de Mendoza, na Argentina. Um ônibus da empresa Buttini sai diariamente do Terminal del Sol às 6h00 (segunda a sexta), 7h00 (sábado, domingo e feriados), 10h15 (diário) e 15h30 (diário). A viagem demora cerca de 4 horas. Não existe rodoviária em Puente del Inca, o ônibus pára na estrada em frente ao povoado.

A Ruta 7 corta os Andes em direção à fronteira com o Chile


O pequeno povoado de Puente del Inca cercado de montanhas andinas


Barraquinhas de artesanato recebem os poucos turistas que visitam a ponte natural de pedra


ONDE FICAR?

Puente del Inca não é uma cidade, mas um povoado com poucas casas em meio ao comércio que surgiu nos arredores do ponto turístico que se tornou aquela ponte natural. Por causa disso, não existem muitas opções de hospedagem. Me hospedei no Refugio El Nico, que fica do lado da casa do guarda parque. A senhora que cuidava do hostel se chamava Sandra e ofereceu uma macarronada de jantar, com sobremesa, por 250 pesos.

Hostel y Refugio El Nico


Bandeiras deixadas por pessoas que já passaram por lá


Quarto simples do refúgio


PUENTE DEL INCA

Uma antiga lenda quechua diz que antes da chegada dos espanhóis na América, o herdeiro do trono do Império Inca estava bastante doente. Como nada funcionava para curar o rapaz, ele foi levado pelos melhores guerreiros em busca da cura nas águas termais das terras do sul. A travessia durou meses até ser impedida por uma quebrada profunda cortada por um rio furioso. Os guerreiros então se abraçaram para formar uma ponte humana que permitisse a passagem do pai desesperado e seu filho enfermo. Mas quando o pai se virou para agradecê-los, os guerreiros haviam misteriosamente se petrificado, dando origem àquela imensa ponte de pedra.

Puente del Inca é um patrimônio natural protegido


No início do século 20 havia uma estação de trem pertencente à estrada de ferro Transandina que transportava passageiros até o hotel-spa que existiu ali. Dizem que havia uma fonte de água termal particular para cada quarto do hotel e que suas águas possuíam poder de cura. O hotel foi destruído por uma avalanche nos anos 60, restando apenas o termas e a capela. 

A exótica formação rochosa e as ruínas do antigo spa


As instalações do termas ainda existe, porem o acesso até o local é proibido


A estrada de ferro Transandina transportava passageiros até aquela região no passado


CEMITÉRIO DOS ANDINISTAS

Localizado a 1 km da Puente del Inca, seguindo pela direita da estrada (direção a Penitentes), está esse lugar impressionante. O cemitério começou com o sepultamento de pessoas ligadas à construção da ferrovia na região. Em 1928, o oficial britânico Basil Marden tentou a ascensão do Aconcágua no inverno e sozinho. No verão o seu corpo foi encontrado congelado. Como ninguém reivindicou, decidiu-se enterrá-lo no então cemitério ferroviário. Este foi o primeiro alpinista enterrado e dessa forma começou a história do "Cementerio del Andinista".

Esse cachorro resolveu me seguir na estrada no caminho do cemitério


Fica localizado a apenas 1 km do povoado de Puente del Inca


Mas na verdade, o primeiro morto no Aconcágua foi Juan Stepanek, um austríaco de nascimento, que vivia na cidade de Rosario. Tentou a escalada com um amigo em 1926, mas foram surpreendidos por uma forte tempestade de 6 dias. Seu amigo retornou, mas Stepanek decidiu chegar no cume sozinho. Seu corpo só foi encontrado 20 anos depois por uma expedição militar a 6.500 metros.

O Cristo crucificado é representado na entrada do cemitério


Parece que ele encara cada visitante que ali se aproxima


O lugar é perturbador. Cada túmulo esconde uma história de sonho e aventura que terminou com a morte, na maioria, de pessoas jovens e saudáveis. Há mais de 20 alpinistas que morreram no Aconcágua, cujos corpos ainda estão congelados na montanha e em memória destes foram colocadas placas de lembrança no cemitério.

Algumas placas contam histórias de quem morreu subindo aquelas montanhas


No centro do cemitério há uma pedra com uma cruz no alto, como o símbolo do cume da montanha


Um piolet (martelo de escalada) simbólico no alto do cemitério


Algumas tumbas estão com objetos que pertenciam aos escaladores


A bota de trekking segue esta vítima da montanha até a eternidade


Uma das tumbas de destaque é do General Nicolás Plantamura, o primeiro argentino a pisar no cume do Aconcágua (1934). Seu túmulo foi vítima de saques, sendo roubado um ornamento de martelo de escalada.

Tumba do general que foi o primeiro argentino a chegar no cume do Aconcágua


A visita ao cemitério foi um momento de reflexão antes de inciar minha própria aventura no Aconcágua


PARTIDA PARA O ACONCÁGUA

No dia seguinte, após tomar o café da manhã no Refugio El Nico, a última refeição decente antes de encarar os 7 dias de trekking, segui caminhando 3 km pela esquerda da estrada até chegar no Parque Provincial Aconcagua. Era a hora de seguir a minha jornada.

O frio só desaparece quando o sol ilumina por volta das 9h da manhã


Preparado para seguir rumo ao Aconcágua


MEU ROTEIRO

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Renan tem 36 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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