Ucrânia: As Catacumbas de Odessa, as maiores do mundo

Uma misteriosa e quilométrica rede de túneis no subterrâneo


A bela cidade de Odessa esconde um mistério bem abaixo dos pés de seus habitantes e visitantes. Existe uma rede de túneis sob a cidade com 2.500 km e atingem uma profundidade de 60 metros abaixo do nível do mar. É considerada o maior complexo de catacumbas do mundo!


COMO CHEGAR?

Existem várias entradas desse complexo subterrâneo (mais de 1 mil entradas conhecidas), logo, eu queria encontrar (sem guia) o local que geralmente é feito acesso pelos visitantes. As catacumbas não ficam em áreas restritas ou particulares. Procurei em vários sites na internet e não achei nenhuma informação da principal entrada. A única informação que encontrei foi sobre o Museu Memorial Partizanskoї Slavi, (aberto de 10h às 18h) em Nerubayskoye, ao norte de Odessa, que tem um pequeno trecho das catacumbas que pode ser visto.

Uma das entradas das catacumbas de Odessa


Como não consegui achar a localização do local de entrada das catacumbas, tive que apelar para as agências de turismo. É fácil achar tours para as catacumbas no centro histórico de Odessa, um deles fica ao lado do Teatro e o outro no alto das escadarias de Potemkim. Procurei o primeiro que me fez o valor de 1.200 Hryvnia (R$ 145) 😠! Continuei negociando e descobri que esse era o preço para um tour privado com guia em inglês. A agência não me falou de primeira, mas o tour em grupo, em idioma local (!), custava apenas 300 Hryvnia (R$ 36). Por isso é bom negociar!

Descida para o interior das catacumbas


Nessa agência que ficava na rua ao lado do Teatro de Ópera de Odessa (plaquinha na rua), conheci uma guia que falava ucraniano, russo, inglês e um pouco de português! O tour acontece normalmente às 11h, 14h e 17h. Eles chamaram um táxi (pago à parte por 60 Hryvnia) que levou até o local. Veja aqui a localização no Google Maps, fica no endereço 2-y Rozumovs'kyi Ln, 1, bem próximo da rodoviária.

Print ponto de entrada das catacumbas marcado no app do GoogleMaps


O INTERIOR DAS CATACUMBAS

Existem teorias que tentam explicar as catacumbas de Odessa.  A principal delas afirma que a maioria dos túneis  (de 95 a 97%) são antigas minas de calcário escavadas, cujas pedras foram extraídas para construir a cidade acima. Apenas 3 a 5% das catacumbas seriam cavidades naturais ou foram escavadas para outros fins, como o esgoto. Mas será que essa foi a causa de criação dessas catacumbas?

A visita é guiada por perigo de se perder no interior da rede de túneis


Considerando que redes de túneis de civilizações antigas são encontradas por todo o planeta, como em Derinkuyu e Kaymakli na Turquia, que eu descrevo no post As Misteriosas Cidades Subterrâneas da Capadócia, nos faz pensar se a construção inicial teria outros objetivos, como por exemplo, abrigar uma civilização antiga de alguma catástrofe natural ocorrida no passado como conta a lenda de Atlântida. Até hoje não foram explorados todos os túneis dessas catacumbas.

O tour pelo interior das catacumbas dura em torno de 2 horas


HISTÓRIA DAS CATACUMBAS

O início das escavações é um mistério (pelo menos para mim que acho mal contada), mas é certo que os túneis foram usados em certa época para retirar pedras de calcário na construção da cidade de Odessa. As primeiras minas subterrâneas teriam surgido no século 19 utilizando-se serras para cortar as pedras. Com a Revolução Russa (1917), a mineração foi banida da parte central de Odessa. Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas invadiram Odessa e as catacumbas serviram como um esconderijo para os soviéticos.

Boneco representando um soldado soviético com roupa de proteção


Os nazistas jogavam gases tóxicos nas catacumbas para matar os rebeldes


Após a invasão, grupos soviéticos de resistência se esconderam nas catacumbas por até 13 meses. Os homens e mulheres que viviam lá embaixo faziam tudo de uma vida normal, como jogar xadrez, fazer sexo, cozinhar e ouvir música soviética. Os nazistas então fechavam as saídas das catacumbas e lançavam gases tóxicos para envenenar os rebeldes.

Capacetes da Segunda Guerra Mundial encontrados nos corredores


Estátua de Lênin, venerado pelos soviéticos


Representação de um oficial soviético comandando de uma sala nas catacumbas


Maquinário antigo utilizado pelos rebeldes


Os rebeldes tentavam vencer a desnutrição e a malária que atacava naquela "cidade" subterrânea


Eventualmente são encontradas armas, munições e granadas nas explorações dos túneis


Os homens não viviam sem mulheres nas catacumbas

Certas mulheres partidárias também viveram lá


Desenhos nas paredes descrevem pessoas ou personalidades da época


Navios de guerra são descritos nas paredes


Por ser uma cidade portuária, Odessa teve contato com combates navais em sua história


O Titanic também é simbolizado no local


Nas escavações dos túneis foram encontrados diversos fósseis de animais pre-históricos


Ossos de um tigre dente de sabre ainda estão nas catacumbas


Estátua de cabra encontrada


Pausa para um lanche num refeitório antigo improvisado


AS MALDITAS CATACUMBAS

Em Odessa, quando a rede hidráulica de uma casa quebra ou um animal de estimação desaparece, é comum ver os ucranianos amaldiçoando "essas malditas catacumbas". Dizem até que o sistema de metrô da cidade nunca pôde ser construído por elas existirem.

As entradas das catacumbas devem ser fechadas e controladas a todo o momento para impedir que crianças entrem


Este é considerado um poço da sorte que as pessoas jogam moedas. Observe no canto esquerdo acima que existe um Iphone jogado como oferenda 😨


Dizem que a cada cinco anos um corpo é encontrado nas catacumbas, às vezes perfeitamente mumificados, congelados pelo ar frio e seco dos túneis. Existem grupos de aventureiros "exploradores de catacumbas". Eles fazem expedições subterrâneas de vários dias para documentar e mapear o sistema. Se alguém se perder nas catacumbas (como acontece a cada dois anos em média), esses grupos partem para a busca. Eles resgataram uma série de crianças perdidas.

Os corredores das catacumbas possuem diversas escritas em cirílico


Há várias lendas de pessoas perdidas nas catacumbas que morreram de desidratação. Em 2009, um explorador ucraniano das catacumbas chamado Eugene Lata divulgou que ele e outros exploradores encontraram o corpo de uma aluna local chamada Masha, que no reveillon de 2005 entrou nas catacumbas bêbada com amigos e se perdeu. Não há nenhuma evidência de que Masha existisse, logo não se sabe se essa é apenas mais uma lenda urbana.

A presença do guia procura evitar que os visitantes entrem para as estatísticas de gente perdida


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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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