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Romênia: O Castelo de Bran e a lenda de Drácula na Transilvânia

O que é mito e o que é verdade na história do Drácula da vida real


Talvez a lenda de terror mais antiga que existe no mundo, e ainda é tão atual, seja a existência dos vampiros. Para quem não sabe, essa lenda surgiu exatamente ali leste europeu, mas foi popularizada mundialmente através do personagem Drácula, cuja história o escritor Bram Stoker publicou num livro de 1897. Mas o Drácula é real ou ficção? Pois é, ele foi inspirado na vida de um nobre que viveu na Transilvânia e teria sido muito mais sanguinário do que o próprio personagem. Depois que fui investigar seu nascimento em Sighișoara, chegou a hora de explorar o castelo onde Vlad Tepes, o Draculea, teria aterrorizado a Transilvânia.


COMO CHEGAR?

A cidade de Bran fica a 26 km de Brașov. A maneira mais barata que encontrei de chegar lá é pegando um ônibus regular na rodoviária (Autogara 2) da linha Bran-Moieciu, saindo da plataforma 2. A viagem durou em torno de 1 hora e o ticket paguei direto ao motorista quando embarquei no ônibus. Custou 7 Lei em agosto de 2017.

Horários do ônibus entre Brașov e Bran


Tem camping na cidade de Bran, tem coragem?


 
Algumas casas da vizinhança seguem o padrão dos castelos


O Castelo de Bran é uma das principais atrações da Transilvânia e por isso vive lotado de turistas. Para entrar na área do seu jardim já encarei uma fila. O custo do ticket de entrada foi de 35 Lei (R$ 29, em agosto de 2017).

Bilheteria, fila e comércio para visitar o Castelo de Bran


O DRÁCULA NA VIDA REAL

Mas qual a ligação de Vlad Tepes e porque ele inspirou o personagem Drácula? Tudo começou com o seu pai, Vlad II que governou a Valáquia, região próxima à Transilvânia (Resumidamente, a Romênia é formada pelas antigas regiões da Valáquia, Transilvânia e parte da Moldávia). Vlad II pertenceu à Ordem do Dragão, sendo conhecido como Vlad Dracul (dragão, em latim). Seus 3 filhos então eram denominados como Draculea (traduzindo, filho do dragão). Após a invasão da Valáquia pela Hungria (1447) Vlad Dracul e seu filho mais velho, Mircea, foram assassinados. Quase 10 anos depois, já adulto, Vlad Țepeș regressou à região e retomou o trono de Valáquia. O retorno de um Draculea após tanto tempo confundiu os camponeses da região, que pensaram que Vlad Dracul havia voltado da morte. Assim começou a surgir a lenda de sua imortalidade.

Um cartaz na entrada do castelo lembra o principal método de tortura usado por Draculea


Mas a lenda da imortalidade era só o começo. Vlad Tepes fez sua fama através da crueldade que matava seus inimigos, tendo como principal método o empalamento que consiste em introduzir uma estaca de madeira de uns 3 metros no ânus do seu inimigo e colocá-lo na posição vertical, fazendo-o deslizar lentamente estaca abaixo até a morte que demorava horas ou dias. Por isso ele ficou conhecido como Vlad, o Empalador!

Quadrinho de humor negro referente à Vlad, o Empalador 


Diz a lenda que, após dominação turca do território da Valáquia, Vlad Tepes se recusou a pagar os impostos, mandando a cabeça do mensageiro que foi cobrar a conta de volta com um bilhete de recusa fixado na testa. Os otomanos furiosos enviaram uma tropa para capturá-lo, mas foram todos derrotados e presos. Logo, reuniram um exército bem maior para ir atrás de Vlad Tepes. Foi então que ele mandou empalar todos os inimigos capturados anteriormente ao longo da estrada que dava acesso ao seu território. Era um longo caminho de gente empalada para assustar os invasores. Porém, a quantidade de inimigos foi insuficiente, então ele começou a empalar os próprios moradores da região! O que é lenda e o que é real talvez nunca teremos certeza, mas Vlad Tepes, o Draculea, obteve êxito em impedir a dominação muçulmana na região, sendo visto como um herói nacional e (pasmem) até herói cristão por causa disso. 

Cruz com inscrições na entrada do castelo


Símbolos sinistros (não me perguntem, não sei ler)


O CASTELO DE BRAN

A história do castelo começa entre 1377 e 1382, quando foi construído pelos próprios habitantes de Brașov como fortaleza para proteger a fronteira Valáquia-Transilvânia contra os turcos. Recentemente, no início do século 20, tornou-se a residência favorita da rainha Maria da Romênia. Bem, e onde se encaixa o Drácula na história do castelo? Vou fazer agora uma revelação bombástica: Drácula não morou no Castelo de Bran! Na verdade, nem se sabe se ele esteve por ali. Supõe-se ele tenha passado apenas 10 dias no Castelo de Bran, mas na condição de prisioneiro do rei da Hungria, dentro de uma masmorra. 

O Castelo de Bran


O que aconteceu é que a descrição do castelo do Drácula de Bram Stoker (o fictício) batia com este castelo e acabou se popularizando como tal. Agora, outra revelação que poucos sabem e eu só descobri depois dessa viagem: o verdadeiro castelo que Drácula (Vlad Tepes) viveu fica na pequena cidade de Arefu, a 180 km de Bucareste, e chama-se Castelo Poenari (clique para ver a localização), que hoje se encontra em ruínas.

Apesar de Bram Stoker ter se inspirado no Castelo de Bran, Drácula não morou ali


O fato é que esse castelo é o que tem a aparência mais sinistra na Transilvânia e recebe milhares de turistas por ano, mas sua história polêmica não terminaria por aí.  Em 1948, depois da Segunda Guerra Mundial, o castelo foi "nacionalizado" pelo regime comunista e transformado em museu. Em 2005, o governo romeno aprovou uma lei que permitia a restituição dos bens ocupados pelo governo comunista, como o Castelo de Bran, aos seus legítimos proprietários. Foi então que, anos mais tarde, o herdeiro colocou o castelo à venda (!!!). Assim, você também pode adquiri-lo, basta desembolsar 58 milhões de euros 😵. Não perca essa oferta!

Fila para entrar e visitar o interior do castelo


INTERIOR DO CASTELO

Mas se o exterior do castelo realmente impressiona, o seu interior é um pouco decepcionante. As paredes são rebocadas, anulando todo o clima de "castelo antigo assustador". Pela grande quantidade de visitantes, o caminho no interior é limitado, com algumas salas isoladas por uma corda ou mesmo trancadas. É necessário ir seguindo na velocidade do passo da multidão.

Empunhadura macabra da porta de entrada


Fotos dos antigos moradores do castelo (observe que Vlad Tepes não está lá)


Fila para ver um cômodo que está isolado


Quarto da rainha Maria, da Romênia


Esta obra feita em madeira faz parte da estante


Tapete de pele de urso e outros utensílios reais


Torre interna do Castelo de Bran


Vista para o pátio central do castelo


Sala restrita que dá acesso a uma das torres


Na mesma sala há uma redoma de vidro com vários tipos de adaga


Vista da Transilvânia em uma das janelas do castelo


Em uma das salas há painéis que falam sobre o escritor irlandês Bram Stoker, sem o qual o mito Drácula não seria conhecido. Dizem que antes de escrever "Drácula", ele passou vários anos pesquisando o folclore europeu e as histórias mitológicas dos vampiros. Apesar de nunca ter estado na Transilvânia, a lenda de Vlad Tepes o inspirou, principalmente porque Dracul, como expliquei acima, significa "dragão" em Latim, mas também significa "diabo" em romeno, ou seja, Draculea pode ser traduzido como "filho do diabo". 

Foto de Bram Stoker que popularizou a lenda de Drácula


Painel com a árvore genealógica de Vlad Tepes


Detalhe da descendência de Draculea


Outros objetos interessantes naquelas exposições são as armas, armaduras e vestimentas medievais. Uma daquelas roupas tem o estilo otomano e teria sido usada por Vlad Tepes, influenciado pela sua infância em Constantinopla (atual Istambul). Ele morou lá com 11 anos quando foi entregue ao sultão otomano Murad II, como garantia de que seu pai, Vlad Dracul, não se voltaria contra o Império Otomano quando era o governante da Valáquia. Com os turcos, Vlad Tepes teria aprendido o idioma, os costumes e a maldade. 

Armaduras medievais masculina e feminina


Vestimenta usada pelos nobres da época


Armas medievais de todos os tipos, é só escolher


Escudos com brasões das principais dinastias da região


Roupa usada pela realeza na Idade Média


Roupa em estilo otomano que Vlad Tepes supostamente vestia


Além das armas individuais, o castelo tem um pequeno canhão, mas tão pequeno que deve ser para matar mosca 😆. Porém, o que seria a sala mais interessante está com o acesso restrito: a sala de aparelhos de tortura medieval. Para conseguir fotografar os aparelhos eu tive que estender o "pau de selfie" para dentro do espaço. Outro ambiente que é totalmente restrito no castelo é a masmorra. Dizem que foi ali que Vlad Tepes ficou preso na sua passagem pelo castelo. O motivo pelo qual a masmorra é restrita é outro mistério.

Um pequeno canhão posicionado para a defesa do castelo


Sala com aparelhos de tortura medieval


Assim como em vários lugares turísticos do mundo, este castelo também tem um "poço dos desejos" no seu pátio central. Eu não sei como surgiu essa crença por ali, nem imagino o que os crédulos pensam. Será que pedem sorte ao Conde Drácula? 😐😔🙍

O "poço dos desejos" do castelo é bem procurado pelos visitantes


O término do tour pelos corredores do castelo é neste pátio


Moeda e cédulas de dinheiro no fundo do poço. Quase joguei R$ 1 para o Drácula 😄


DESPEDIDA DE BRAN

Mesmo que o castelo tenha perdido algumas características de fortaleza, como foi originalmente criado, olhar para ele ainda nos faz refletir quantas histórias aconteceram naquela região da Transilvânia. Terras em que teriam vivido os mitológicos vampiros de acordo com a crença medieval. Para fechar toda a investigação da vida de Draculea na Romênia, ainda me faltava explorar a sua morte, que eu faria mais tarde em Snagov. Por enquanto, meu próximo destino seria a cidade de Rașnov.

A lenda de Drácula não seria a mesma coisa sem um castelo sinistro assim


CUSTOS (agosto 2017)

- Almoço (rodoviária de Brașov)  - 9 Lei
- Ônibus para Bran - 7 Lei
- Entrada no Castelo de Bran - 35 Lei


MEU ROTEIRO

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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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