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África do Sul: Roteiro, dicas e custos de Johanesburgo

Uma cidade de contrastes e com muita história para contar


A fase final da minha viagem pelo sul da África foi em Johanesburgo, a maior cidade da África do Sul e a sexta cidade mais populosa do continente africano. Costumo comparar Johanesbusgo (ou Joburg, como é chamada popularmente) à cidade de São Paulo no Brasil. Em 2008, uma pesquisa feita pela MasterCard a classificou entre os 50 principais centros comerciais do mundo, sendo a única cidade do continente africano.


COMO CHEGAR E SE LOCOMOVER?

Existem vôos das companhias South African Airways, LATAM e TAAG partindo do Rio de Janeiro e de Guarulhos com destino a Johanesburgo. No meu caso, cheguei de ônibus vindo do Zimbabwe, depois de 14 horas pela madrugada, e acompanhei no gps do celular minha localização na cidade até pedir para o motorista parar e descer perto do destino. Minha opção de hospedagem lá foi o hostel Once in Josburg, que fica bem localizado em Braamfontein, no centro da cidade. O hostel tem café da manhã que acontece no bar anexo, aliás, possui um cardápio de petiscos que inclui batata frita a 20 R (R$ 5) e batata doce frita por 25 R (cerca de R$ 6).

O Once in Joburg tem água de graça no balcão da recepção


O transporte público em Johanesburgo é limitado. O único meio de transporte elogiável é o Gautrain, uma rede ferroviária com 80 km no total, que liga algumas áreas importantes desde o centro (Park Station) até a capital Pretória. Outra vantagem é que o Gautrain também tem uma estação no Aeroporto Internacional O. R. Tambo, o que é uma boa dica para economizar dinheiro com transporte e se livrar do trânsito.

Mapa da rede ferroviária e estações do Gautrain


O cartão do Gautrain é comprado por 15 R (abril 2017). O valor do crédito é colocado separado


Estação central que interliga com outros meios de transporte público


 CITY TOUR EM JOBURG

O dia estava frio e eu estrava estranhando aquela temperatura em plena África, mas isso ocorre pois Joburg fica a uma altitude de 1.753 metros acima do nível do mar. Segui então caminhando até o Constitution Hill onde no passado (1896-1899) funcionou o Old Fort que eram realizados julgamentos e servia de prisão para invasores britânicos. Mais tarde, alguns negros também foram presos ali, inclusive Nelson Mandela por um ano. Hoje é um museu e sede do Tribunal Constitucional da África do Sul

A pira com a Chama da Democracia no Constitution Hill


Na praça do Constitution Hill está o ponto onde funciona o CitySightseeing Joburg, que passa pelos principais pontos turísticos e pára, inclusive, no Museu do Apartheid. Apesar de eu preferir chegar nos locais por conta própria e não gostar de passeios "formatados" para turistas, as características da cidade (grande, violenta e com transporte limitado) fazem deste o melhor meio "custo-benefício" de transporte, na minha opinião, para conhecer Johanesburgo. Outra vantagem é a opção de áudio explicativo em português. O caminho é dividido em dois grandes trajetos, sendo possível comprar um combo de 2 dias e também incluir o trajeto para Soweto (2 horas de van), o lugar onde se iniciou a revolução contra o Apartheid.

O ônibus CitySightseeing Joburg faz um vasto trajeto pela cidade


O melhor lugar para fotografar é na parte superior, à frente


Opção de um áudio-guia em português. Ao comprar a entrada, se ganha o par de fones


A cidade foi fundada em 1886 por colonizados britânicos depois da descoberta de reservas de ouro e diamantes na região. É possível observar prédios antigos bem preservados e quarteirões curtos que, segundo a lenda, seriam dessa forma para terem mais esquinas comerciais (inclusive a prostituição).

Arquitetura antiga e moderna nas ruas do centro de Johanesburgo


Johanesburgo é uma cidade bem movimentada


Praça com a estátua de Gandhi, que lembra uma situação de sua visita a qual também sofreu preconceito por sua cor


O ônibus passa também pelo Mining District, o antigo local da Bolsa de Valores de Johanesburgo que hoje foi transferida para subúrbio de Sandton, local onde as grandes empresas e empresários ricos migraram após o fim do Apartheid. Outros pontos interessantes de passagem são o Carlton Center (o edifício mais alto da África) e o Museu James Hall, com diversos carros antigos.

Este maquinário industrial é o monumento símbolo de Mining District


Prédio do centro com a imagem de Johnnie Walker segurando a bandeira do país


MUSEU DO APARTHEID

O principal ponto turístico da cidade de Johanesburgo é o Museu do Apartheid, um incrível museu que explica a história do regime do Apartheid através de imagens e vídeos, tudo muito bem construído, artístico e numa sequência cronológica que causa emoção na maioria das pessoas. Devido à extensão do museu, o tempo recomendado para explorar as salas é de 2 a 3 horas. É proibido fotografar em suas partes internas. Funciona diariamente das 9h às 17h (fechado na Sexta-Feira Santa, 25 de dezembro e 1 de janeiro).

O apartheid foi implementado pelo governo sul-africano de 1948 a 1990 


Eleições multirraciais e democráticas para presidente foram vencidas por Nelson Mandela em 1994


Pilares na entrada do museu com ideais de democracia, responsabilidade, respeito, liberdade, etc.


A entrada do museu simula a chocante divisão que existia por causa da raça


A história é contada em forma de arte, como esse hall de presos e desaparecidos


Imagens de pessoas negras e brancas em espelhos para o visitante se ver ao lado delas


Ancestrais do homem mostrando que somos todos iguais


Carro blindado utilizado pelo governo para reprimir as manifestações pelo término do Apartheid


OUTRAS ATRAÇÕES

SAFÁRI NO KRUGER PARK

Apesar de não ser tão perto, talvez essa seja a principal atração para quem vai passar alguns dias em Johanesburgo. Destinei 3 dias do meu roteiro para visitar o maior game park da África do Sul, com cerca de 20 mil km2 e dos maiores destinos turísticos do mundo. O relato completo deste dia está no post 3 dias de safári pelo Kruger Park.

Cara a cara com os animais em seu ambiente natural


PRETÓRIA

Utilizei o excelente Gautrain (linha de trem urbano) a partir de Johanesburgo para chegar na histórica Pretória, ou Tshwane como agora é chamada. Esta é capital executiva da África do Sul que fica ao norte de Johanesburgo. O relato completo e as imagens estão no post As belezas da arquitetura de Pretória.

Edifícios históricos da Church Square em Pretória


BERÇO DA HUMANIDADE

As cavernas de Sterkfontein estão localizadas na região conhecida como o "Berço da Humanidade". No meu último dia na África, fui até estes sítios arqueológicos que ficam a nordeste de Johanesburgo e onde foram encontrados restos de antepassados da espécie humana datados de até 4,5 milhões de anos. O relato completo e as imagens deste dia está no post Explorando o passado no Berço da Humanidade.

Cavernas que foram encontrados fósseis dos nossos antepassados


8 INFORMAÇÕES ÚTEIS

1) FUSO HORÁRIO: Na África do Sul são 5 horas a mais que no Brasil (Brasília). Veja o horário com precisão neste link.


2) DINHEIRO: A moeda oficial do país é o Rand sul-africano (R) que possui a mesma cotação do Dólar Namibiano. Simule a cotação atual neste link.


3) SEGURANÇA: Em 1991, com o fim apartheid, milhares de negros pobres que antes eram proibidos pelo governo de viver na cidade e imigrantes de países africanos afetados por guerras civis, se mudaram para bairros periféricos, como Soweto, trazendo a criminalidade também para o centro de Johanesburgo. Empresas migraram para subúrbios ricos como Sandton. Com a economia se estabilizando, a violência vem sendo controlada, mas é bom evitar andar à noite nas ruas sozinho, principalmente no centro da cidade. As ruas são escuras e há o risco de assaltos. É comum ser abordado por pessoas pedindo dinheiro.

"Todos os veículos estão estacionados por seu próprio risco"


4) INTERCÂMBIO: Esta é uma prática de estudos que é cada vez mais popular. A África do Sul oferece as vantagens por não exigir visto para brasileiros que permanecem até 3 meses, além de ter um custo de vida bem baixo ao se comparar com os demais países de língua inglesa. Outra vantagem é a proximidade com o Brasil, tendo passagens aéreas bem econômicas. A diversidade cultural também contribui com a aprendizagem.


5) TOMADAS: O modelo de plug utilizado na África do Sul requer adaptadores para nós brasileiros. Podem ser achados nos aeroportos ou mercados. Veja abaixo o modelo:

Plug de tomada padrão da África do Sul


6) CARRO: As principais agências de rent a car, como Hertz e Avis estão presentes na cidade e no aeroporto. As estradas da África do Sul são boas e bem sinalizadas, o único problema para os brasileiros talvez seja a "mão inglesa" para quem não está acostumado. É exigida a PID (Permissão Internacional para Dirigir). Se não tiver a PID, a dica é levar a CNH com uma tradução juramentada.


7) TÁXI: O táxi como conhecemos é chamado de cab em Johanesburgo. A palavra taxi é usada para denominar os carros que fazem lotação na cidade. Também existe o serviço do app Uber, tendo inclusive a categoria UberVan (1 a 7 pessoas) que fica bem mais econômico para dividir.


8) GRUPO DE WHATSAPP: Para tirar dúvidas e obter mais informações, existe um grupo de Whatsapp formado com pessoas que vão viajar ou estão viajando pela África. Basta entrar no link https://chat.whatsapp.com/AdGlMox92QN8DJhuiqKsKV no seu smartphone.


RETORNO AO BRASIL

Depois de ter um vôo cancelado, a companhia aérea TAAG extraviado minha mochila e ter passado 18 dias viajando pelo sul da África com apenas 3 mudas de roupas, 1 sabonete e meus eletrônicos na bagagem de mão, enfim a missão estava cumprida e retornaria ao Brasil como um verdadeiro sobrevivente.

Estado de uma meia dos 3 pares que usei (e fui lavando na pia) por 18 dias


CUSTOS (abril 2017)

- 3 diárias no Once in Joburg - 855 R
- Tour no Kruger Park (transfers, hospedagem e safári) - 7.010 R
- CitySightseeing tour - 190 R
- Museu do Apartheid - 80 R
- Água - 11 R
- Almoço - 160 R
- Bar + petiscos - 65 R
- Almoço na ida ao Kruger Park - 150 R
- Almoço na volta do Kruger Park - 80 R
- Night bar do Once - 100 R
- Night em Johanesburgo - 130 R
- Trem para Pretória (cartão + crédito) - 80 R (15 + 65)
- Double chicken burger em Pretória - 20 R
- Trem Pretória x Park Station - 65 R
- Night (bar do Once) - 100 R
- Night (rua) - 130 R
- Tour para o Berço da Humanidade - 1.600 R
- 2 Chiken Burger no KFC (aeroporto) - 45,80 R


MEU ROTEIRO

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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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