Líbano: O Museu Nacional de Beirute

Objetos importantes e bem conservados da história da humanidade


O Museu Nacional do Líbano foi construído após a Primeira Guerra Mundial pelos franceses, inspirados na arquitetura egípcia. Durante a Guerra Civil Libanesa que começou em 1975, o museu foi parcialmente destruído, sendo bombardeado, saqueado, inundado e transformado em base para milícias. Com o final da guerra, foi restaurado e o governo promoveu uma campanha para recuperar as antiguidades que foram roubadas ou vendidas. A lei libanesa prevê que qualquer item com mais de 300 anos pertence ao Estado, com isso, muitos artefatos foram recuperados de lojas de antiguidades e de casas particulares, sendo exibidos novamente ao público no museu.


COMO CHEGAR?

O Museu Nacional fica a 2,2 km da Martyr's Square no centro de Beirute, logo, fui caminhando até lá para conhecer também as ruas da cidade. Veja o trajeto no Google Maps. O museu funciona diariamente das 9h às 17h (fechado às segundas). O valor do ingresso foi de 5.000 LL (novembro/2019).

O museu foi destruído durante a Guerra Civil mas está totalmente restaurado


O MUSEU NACIONAL

São exibidos ao público cerca de 1.300 artefatos, porém sua coleção completa contém mais 100.000 objetos! A visita se inicia no andar térreo com 83 itens que, na minha opinião, são os mais interessantes: sarcófagos, estátuas, mosaicos, etc. O piso superior exibe 1.243 artefatos em ordem cronológica que vai da pré-história até o período otomano. Mais informações no site oficial do museu: http://museebeyrouth-liban.org/en

Mosaico bizantino logo na entrada do museu


O PRIMEIRO ALFABETO FONÉTICO

Este é um dos principais itens do museu e aquele que eu mais queria ver de perto. No Sarcófago de Ahiram, um antigo rei fenício de Byblos, contém o primeiro registro do primeiro alfabeto contemporâneo já descoberto. Os fenícios eram os grandes comerciantes da antiguidade e, por isso, sentiram a necessidade de registrar contratos e acordos que mantinham com diferentes povos, assim desenvolveram um alfabeto composto por 22 sinais, sendo, mais tarde, aperfeiçoado pelos gregos que lhe acrescentaram outras letras. O alfabeto grego deu origem ao alfabeto latino, que é o mais utilizado atualmente. Na borda e cobertura do sarcófago de Ahiram há uma inscrição de 38 palavras escritas no antigo dialeto fenício.

O sarcófago do Rei Ahiram está no salão da esquerda depois da entrada pelo piso térreo


Para quem tem curiosidade sobre o conteúdo da mensagem escrita, se traduz da seguinte forma (complicado de entender, mas dá para entender a idéia):

"Um caixão o qual Itabal, filho de Ahiram, rei de Byblos, fez para Ahiram, seu pai, quando ele se pôs em reclusão. Agora, se um rei entre os reis, ou um governador entre os governadores, ou um comandante de um exército confrontar Byblos; e quando ele viola esse caixão, ele pode se desfazer do cetro de sua magistratura, o trono de seu reino pode entrar em colapso, e a paz e a tranquilidade podem fugir de Byblos. E quanto a ele, é preciso cancelar seu registro em relação ao tubo de libação do sacrifício memorial."

Primeiro registro já descoberto do alfabeto fonético que deu origem ao alfabeto que falamos hoje


OUTROS SARCÓFAGOS

Os demais sarcófagos do museu também estão no piso térreo e são interessantes da mesma forma. Muitos retratam acontecimentos históricos e mitológicos, exibindo uma arte refinada para a época.

Sarcófago que retrata um combate entre gregos e fenícios


Detalhes da arte nos sarcófagos


Sarcófago descrevendo a lenda de Aquiles


MOISACOS

Outro destaque do museu são nos mosaicos, muitos estão deteriorados, mas a arte ainda impressiona. São cenas e personagens mitológicos recriados que enfeitavam os pisos de casas antigas. O mosaico que considero o mais importante é o que cita o Mito de Europa. Segundo a mitologia grega, Europa era filha do rei fenício Agenor de Tiro. Zeus se apaixonou por ela e se disfarçou de touro para raptá-la sem que sua ciumenta mulher, Hera, percebesse. Ele a levou para a ilha de Creta e teve três filhos com ela, um deles foi Minos, que deu origem à civilização minóica. O continente da Europa tem esse nome em homenagem à essa personagem, ou seja, o continente europeu foi batizado com o nome de uma princesa da Fenícia (hoje, o Líbano).

Mosaico "A Abdução de Europa"


A suástica romana representada de várias formas nesse mosaico


Mosaico de Dionísio, ou Bacco, deus do vinho, como era conhecido pelos romanos


OS ARTEFATOS

O museu possui outros objetos de arte interessantes que mostram o contato dos fenícios com povos como os egípcios e gregos. Mais tarde, a região esteve sob domínio dos Persas e, enfim, Alexandre, o Grande, conquistou a região, trazendo a cultura romana para a arte. Tudo isso pode ser visto em cada peça do museu.

Um faraó ou rei representado nessa estátua


Trono fenício talhado em pedra


Estátua romana e um grande vaso


Altar com a representação de uma águia do período romano


Touro, um símbolo de Zeus e das civilizações do Mediterrâneo


Um estranho ser representado em uma pequena estátua


Estátua que me lembrou a arte de uma antiga civilização da Colômbia


Um porco ou javali com alguma importância mitológica


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Renan tem 38 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.