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Líbano: Beirute, tudo sobre a capital moderna no coração do país

O que fazer e onde visitar na principal cidade libanesa


Beirute costuma ser o ponto de chegada de todo viajante que vai para o Líbano e comigo não foi diferente. Cheguei de madrugada no Aeroporto Internacional e peguei um táxi que me foi oferecido ainda durante a reserva do hotel pela internet. Como eu sabia que a chegada era de madrugada e não teria outras opções de transporte, aceitei reservar o táxi por 25 USD (muito caro!) pois eu não podia perder a hospedagem naquela noite. Mais tarde, eu descobriria que o preço justo do táxi no trajeto centro x aeroporto era de 20 Libras Libanesas (R$ 45). É claro que um turista chegando no aeroporto de madrugada dificilmente conseguiria esse preço, mas é uma base para a negociação (sim, o Líbano é um país árabe, tudo deve ser negociado).

Chegada no aeroporto de Beirute com dois sacerdotes maronitas ao fundo


ONDE FICAR?

Estourou uma onda de manifestações no país uma semana antes da minha chegada. Vários estabelecimentos públicos entraram em greve e hotéis deram férias para os funcionários para aderirem aos protestos. Em meio ao caos estava difícil conseguir uma hospedagem com custo razoável que estivesse disponível, mas tive muita sorte em encontrar o The Grand Meshmosh Hotel (veja no Google Maps) que fica bem localizado perto de uma das principais ruas de entretenimento noturno da cidade (porém em uma rua silenciosa) e me acolheu muito bem. O hotel funciona como um hostel, mas com quartos privativos e banheiro coletivo. Um lounge na recepção com barzinho, livros e jogos onde os hóspedes interagem. Um staff de confiança, simpático e que está sempre disposto em dar informações sobre o país e ajudar. O melhor é o excelente café da manhã tradicional libanês que fez minha alegria antes de sair para iniciar as explorações do dia.

The Grand Meshmosh Hotel em Beirute


A reserva no The Grand Meshmosh Hotel pode ser feita através do site www.thegrandmeshmosh.com ou pelo Booking.com (pode falar que conheceu através do site A Mochila e o Mundo 😉). O hotel também tem página no Facebook e Instagram: @thegrandmeshmosh. Recomendo bastante!

Quartos privativos do hotel


Banheiro coletivo sempre limpo


A melhor parte do dia: o café da manhã do The Grand Meshmosh


Comidas típicas do Líbano para se servir à vontade


Vários tipos de queijos e frios para comer com pão sírio


MARTYR´S SQUARE

Um dos principais pontos turísticos e centro de reunião popular fica a apenas 900 metros do The Grand Meshmosh Hotel. A "Praça dos Mártires" foi batizada assim em 1931 fazendo homenagem aos libaneses que tentaram independência do Império Otomano e foram executados. Hoje é o local das manifestações populares de grande vulto, inclusive daquelas que se encontravam em curso no país e que tinha acabado de derrubar o Primeiro-Ministro. Veja a localização no Google Maps.

Martyr´s Square (Praça dos Mártires)


O governo mandou pintar as paredes pichadas durante os protestos 


Monumento que representa os libaneses que foram executados durante a ocupação do Império Otomano


MESQUITA DE MOHAMMAD AL-AMIN

Também conhecida como a mesquita azul de Beirute, fica frente à Martyr´s Square e é uma das construções mais imponentes da cidade. Ela não é tão antiga, foi inaugurada em 2008 com quatro minaretes de 65 metros e espaço para receber 3.700 fiéis. É aberta à visitação turística (de graça!) e pode fotografar à vontade, sempre respeitando aqueles fiéis que estão lá dentro para orar. Para entrar na mesquita deve se estar descalço, com as pernas e ombros cobertos (cabelos também no caso das mulheres). Para quem não está com a roupa adequada, é possível usar uma roupa que fica disponível na entrada. No interior da mesquita existe uma área exclusiva para oração feminina.

A mesquita fica em frente ao local onde estavam ocorrendo as manifestações


Roupa disponível para pegar emprestado ao entrar na mesquita


Os calçados devem ser retirados e deixados nessas prateleiras


Área exclusiva para mulheres no interior da mesquita


A mesquita também é muito bonita por dentro


Placar moderno com os horários de oração do islamismo


CATEDRAL DE SÃO JORGE

A Saint George Cathedral é a igreja mais antiga da cidade, construída entre 1884 e 1894 e inspirada na Basilica di Santa Maria Maggiore de Roma. O mais interessante é que do lado esquerdo da igreja está a mesquita muçulmana e do lado direito estão as ruínas de um templo romano. Provas que as diferentes crenças podem conviver em paz e com tolerância. Veja a localização no Google Maps.

A Catedral de São Jorge é vizinha da maior mesquita muçulmana do Líbano


Perto do Palácio do Governo havia um muro de contenção com vários desenhos e mensagens de protesto


SINAIS DO COMBATE NO PASSADO

As religiões vivem em paz hoje em dia em Beirute, mas nem sempre foi assim. A capital do Líbano foi um dos principais locais de conflito na Guerra Civil Libanesa que ocorreu de 1975 a 1990. Para explicar o que aconteceu nesse conflito eu teria que escrever um post específico de tão complexo, mas resumindo, foi um conflito que começou entre refugiados palestinos pertencentes à OLP (Organização de Libertação da Palestina), um grupo muçulmano radical, e os cristãos maronitas que formaram milícias. Aconteceram vários massacres de ambos os lados, houve intervenção do exército sírio por petição do Parlamento Libanês e, em meio ao caos, Israel invadiu o sul do país e ocupou até Beirute. Ainda hoje é possível ver as marcas da guerra nas paredes de prédios antigos.

Blindado do exército libanês posicionado em uma avenida da cidade


Antigo prédio parecendo um queijo suíço de tantos buracos de tiro


A Guerra Civil terminou nos anos 90 mas ainda é lembrada no século 21


THE EGG

Outra marca do passado de Beirute é a estranha construção chamada The Egg (O Ovo) que é a estrutura de um cinema inacabado. Sua construção foi iniciada em 1965 e interrompida com a guerra civil. Existe um projeto para sua demolição mas também existe um projeto de preservação histórica. É impressionante a quantidade de tiros que estão nas paredes dessa estrutura estranha.

Próximo da mesquita de Mohammad Al-Amin está o estranho The Egg


A estrutura está abandonada até hoje e já foi usada como ponto forte na guerra civil


As suas paredes também guardam a memória dos tempos de conflito


MUSEU NACIONAL DE BEIRUTE

Uma atração importante da cidade é o Museu Nacional que contém objetos históricos desde a pré-história até o período medieval, principalmente itens fenícios, inclusive aquele que se acredita ser o primeiro registro do alfabeto fonético da humanidade. O relato completo com fotos está no post O Museu Nacional de Beirute.

Fachada do Museu Nacional de Beirute


NOITE DE BEIRUTE

Quando se fala em país árabe ninguém imagina uma vida noturna como no Brasil, com boates, bares e restaurantes abertos até tarde, servindo bebidas alcoólicas e com música internacional bombando. Por incrível que pareça, Beirute é uma cidade que isso acontece. Nos dias em que estive em Beirute, encontrei uma agitação na área da Uruguay Street, em Downtown. Outra área com muitos bares e restaurantes animados à noite é a Rua Gouraud, bem ao lado do The Grand Meshmosh Hotel onde fiquei muito bem hospedado.

Um Chicken Saj Burguer bem servido por 7000 LL


Tinha até um malucão vestido de árabe em um bar


A Uruguay Street é um dos pontos de referência da vida noturna



TRANSPORTE EM BEIRUTE

Existem três pontos que funcionam como rodoviárias em Beirute: Charles Helou (a menos frequentada), Dowra (rotatória que é o principal ponto para vans e ônibus que seguem para o litoral norte do país, passando em Jounieh, Jbeil e Tripoli) e Cola Intersection (a mais completa, de onde saem os transportes para o Vale do Bekaa, para o sul e também alguns para o norte). Fui caminhando por 4 km do centro até Cola onde consegui pegar uma van com destino a Zahle, no Vale do Bekaa, e começaria minha jornada pelo interior do país. Paguei 6000 LL.

Ruas que eu só conheceria andando a pé pela cidade


Sim, a Cola Intersection é isso aí, uma rodoviária sem estrutura


ATRAÇÕES PERTO DE BEIRUTE

Depois de viajar por todo o país e retornar para Beirute no final do roteiro, reservei um dia para visitar algumas atrações próximas que podem ser feitas no mesmo dia (ida e volta). Primeiramente peguei um ônibus para visitar a Gruta de Jeíta que fica 20 km ao norte da cidade, e depois segui mais 9 km para o Santuário de Nossa Senhora do Líbano que fica no alto das montanhas em Harissa. O relato completo com os detalhes de transporte e das atrações estarão em um post específico.

Interior da Gruta de Jeíta, a mais famosa das maravilhas naturais do Líbano


Vista do alto da estátua de Nossa Senhora do Líbano, em Harissa


A CIDADE MODERNA

No meu último dia em Beirute caminhei pela cidade em sua parte mais moderna. A partir da Martyr´s Square, fui caminhado até o shopping chamado Beirut Souks com várias lojas de marcas internacionais e continuei o trajeto pela rua principal em direção ao litoral de Raouché. Passei por um bairro residencial com vários prédios e condomínios de arquitetura avançada.

Letreiro "I Love Beirut" na entrada do shopping Beirut Souks


Um dos prédios modernos de Beirute


Passado, presente e futuro na mesma cidade


PIGEON ROCK

Traduzindo como "Rocha dos Pombos", também conhecida como Raouché Rock por causa do bairro de mesmo nome, esta grande pedra de 60 metros de altura que forma um arco é um símbolo natural da cidade de Beirute. Diz a lenda que a rocha é, na verdade, um monstro marinho petrificado pelo herói grego Perseu que usou a cabeça de Medusa para enfrentar o monstro e salvar Andrômeda. Superstições à parte, este é um excelente ponto de Beirute para assistir o pôr-do-sol de frente ao Mediterrâneo. Também tem a opção de fazer um passeio de barco através do arco contratando na hora um barqueiro na beira das pedras. Veja a localização no Google Maps. Foi meu último destino na cidade e assim encerrei as explorações no país.

Apesar de estar na maior cidade do Líbano, as águas são limpas e transparentes


Pinturas criadas nesses blocos de quebra-mar


Descendo até a beira das pedras é possível contratar um barqueiro para dar uma volta no arco


O pôr-do-sol na Pigeon Rock marcou a conclusão da minha viagem ao Líbano


MEU ROTEIRO

Anterior: PLANEJAMENTO, DICAS E CUSTOS

Roteiro completo: MISSÃO LÍBANO E CHIPRE

Próximo: MUSEU NACIONAL



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Sobre o autor

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Renan tem 38 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.