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Moldávia e outros perrengues no início do mochilão na Ucrânia e Romênia

A odisseia para conseguir pôr em prática o roteiro pelo leste europeu


O Leste Europeu em si já é um lugar diferente do restante da Europa. Seu passado relacionado ao comunismo causou efeitos que duram até hoje na economia dos países, isso por um lado é bom para turistas como nós que vemos uma oportunidade de economizar fora da zona do Euro. Porém, existe um "leste europeu" diferente, com fronteiras ainda turbulentas com a Rússia e que a sombra do comunismo ainda paira na cultura. Minha missão dessa vez era explorar as terras da Ucrânia, Moldávia e Romênia, lugares ainda não bem preparados para receber turistas do ocidente.

Embarquei num vôo da Air France com destino a Bucareste, capital da Romênia


COMEÇANDO A JORNADA

Decolei às 12h15 do Rio de Janeiro para uma conexão em Guarulhos, depois embarquei rumo à Europa às 15h15. No dia seguinte às 7h35 eu chegava em Paris, na França. Como o embarque para a Romênia seria só às 12h30, eu teria um tempo (bem curto!) para dar uma volta na cidade. Foi então que eu embarquei no RER B para rever a Torre Eiffel naquela manhã. Não era a primeira vez que eu fazia aquele trajeto, inclusive tem tudo explicado no post Como Economizar no Transporte do Aeroporto de Paris.

O sol do verão europeu "esterilizando" a meia no trem depois de um longo vôo


Visita rápida para ela durante o trânsito no aeroporto de Paris


Na hora de embarcar no Aeroporto Charles de Gaule uma surpresa: o salão de embarque estava interditado por ameaça de bomba. A Europa não é mais um lugar tão seguro!

Apesar do susto, tudo se normalizou e consegui embarcar rumo ao meu destino


CHEGADA NA ROMÊNIA

A chegada foi por volta das 16h20 em Bucareste, a capital da Romênia. Brasileiros não precisam de visto para visitar a Romênia até 90 dias. A primeira coisa que fiz foi obter o dinheiro local, chamado de Lei Romeno. Saquei 500 Lei num caixa ATM e segui as placas para achar o local de partida dos ônibus para a cidade.

Atenção para a placa que indica a parada dos ônibus no aeroporto


Um Carrefour vendendo frutas em pleno aeroporto. Coisas da Romênia


Cédulas de Lei, a moeda romena


COMO ECONOMIZAR NO TRANSPORTE DO AEROPORTO
A forma de transporte mais barata que liga o aeroporto de Bucareste até a cidade são as linhas de ônibus 780 e 783. As linhas funcionam de 5h30 às 23h, sendo que o ônibus parte a cada 20 min (manhã) e 40 min (noite). Para embarcar é preciso comprar o cartão num guichê perto do embarque (não se paga direto ao motorista). O cartão custou 8,60 Lei (agosto de 2017). O itinerário é o seguinte:

LINHA 780 - Destino: Estação Victoriei, Romana, University e Piata Unirii (centro antigo).

LINHA 783 - Destino: Estação Ferroviária Gara de Nord.

Estes destinos possuem também estações de metrô que interligam a cidade. O metrô funciona de 5h às 23h.

Chegada na Estação Ferroviária Gara de Nord


RUMO À ODESSA NA UCRÂNIA

Cheguei na estação central de trem Gara de Nord para tentar achar algum transporte para a Ucrânia. Descobri que só teria um único trem internacional até Kiev 2 dias depois e demoraria quase 24h de viagem. Eu já ouvira falar de um ônibus que ligava a Gara de Nord à cidade de Odessa, na Ucrânia, mas ao perguntar aos funcionários e passageiros pela estação, todos negavam conhecer algo do tipo. Foi então que um homem bem tosco se aproximou e perguntou para onde eu queria ir. Não costumo dar papo para esses malandros que ficam atrás de turistas nas estações, mas como era meu último recurso, eu expliquei que queria chegar em Odessa. Ele ofereceu ajudar por 50 Lei 😒.

Ônibus "piratão" com destino à Odessa, na Ucrânia


Arrisquei confiar no homem que me levou em uma agência de ônibus privada, a cerca de 250 m da estação de trem onde havia um escritório particular de ônibus, do lado direto do Hotel Ibis. O motorista do ônibus para Odessa se recusou a me levar porque o ônibus passaria por uma faixa de território da Moldávia e eu não tinha o visto. O combinado foi me levar até a cidade de Galati, na fronteira. O homem malandro que me "ajudou" ainda disse que eu poderia achar um taxista em Galati que me ajudaria a chegar na Ucrânia.

Pequeno escritório de transporte particular que faz viagens para Odessa e Chișinau


O almoço da viagem foi esse sanduíche de Pui (frango)


E NO MEIO DO CAMINHO HAVIA A MOLDÁVIA

A Moldávia inicialmente estava nos meus planos para essa viagem. Quando comecei a planejar percebi que a história desse país é um pouco conturbada. É considerado o país mais pobre da Europa, de raízes comunistas e fechado para o mundo. Para entrar é necessário solicitar visto de turismo. Descobri também que dentro da Moldávia existe uma região chamada Transnistria que, apesar de não ser reconhecida pela ONU, se declarou independente, possuindo governo, moeda e exército próprios. O pedido do visto pode ser feito eletronicamente (E-Visa) pelo site https://www.evisa.gov.md/. No pedido de visto é necessário apresentar comprovantes de reserva de hospedagem, transporte, seguro viagem, foto, cópia do passaporte, etc. Além disso é necessário pagar uma taxa de 80 euros. Meu primeiro erro foi fazer o pedido com uma hospedagem reservada pelo site do Booking. Eu não sabia, mas existe uma lista de hospedagens autorizadas a receber turistas. Fiquei esperando o prazo de resposta do pedido online para fazer outro corrigindo, mas eles atrasaram. Então eu resolvi fazer logo um segundo pedido que também não foi recebida a resposta. Como a viagem já estava se aproximando, escrevi um email para a equipe do E-Visa que então respondeu de uma vez: negaram os dois pedidos! 😡
Imagem do site http://foradazonadeconforto.com


Não sei qual foi o motivo de terem negado sendo que eu havia corrigido a hospedagem. Talvez porque eu tenha citado que a Transnistria estaria no meu roteiro ou talvez por "má vontade" mesmo dos funcionários. Isso me criou um problema pois tive que cortar a capital Chișinau da rota. Um outro problema inacreditável é que o único caminho para chegar de Bucareste a Odessa passa por uma estreita faixa de terra da Moldávia, no sul de seu território (imagem acima, a faixa da fronteira direta entre Ucrânia e Romênia é separada por um rio e não existe controle de imigração). Como não existia outra passagem, e esta faixa de terra da Moldávia é de apenas 2 km, segui de táxi até lá para saber se seria autorizada a minha passagem. Na imigração de saída da Romênia o agente disse que não haveria problema, mas ao chegar no controle da Moldávia, pegaram meu passaporte e fizeram esperar por quase 4 horas. Foi então que me chamaram e um policial me enquadrou em contravenção por tentativa de entrar na Moldávia sem visto. Tentei explicar que meu destino era a Ucrânia e que fui até ali para saber se era autorizado passar. Não fui ouvido. Me cobraram 70 Lei de multa pela "contravenção". Era pagar ou ser preso num país comunista que não possui relações diplomáticas com o Brasil 😐. Recomendação pessoal: não viaje para a Moldávia!


O "PLANO B" PARA CHEGAR NA UCRÂNIA

A minha única alternativa para chegar em Odessa sem passar pela Moldávia seria contornar todo o perímetro do país! Era algo revoltante e que me tomaria tempo de viagem, mas pensando por outro lado, também foi uma forma de conhecer lugares do interior da Romênia. Eram 5h da manhã e eu já estava num pequeno terminal de vans em Galati com a ajuda do taxista que também ficou "fichado" na Moldávia depois do ocorrido. O taxista foi uma pessoa muito boa e prestativa, e deu para perceber que não gostava muito do comunismo. Me contou que muitos cidadãos daquele país migram para a Romênia buscando uma vida melhor. 
 
Por causa da Moldávia, fui obrigado a dar uma volta absurda para chegar no início do roteiro


IAȘI

Às 6h00 embarquei numa van em direção a Iași, a primeira parada rumo à fronteira da Ucrânia. Foram 221 km em 4 horas. Comprei passagem para a próxima cidade do caminho, Suceava, e enquanto esperava o horário de partida da próxima van, aproveitei para conhecer o pequeno centro histórico da cidade.

Momentos de sono na van durante o deslocamento


Horários de transporte a partir de Iași


Iași foi a capital do Principado da Moldávia de 1564 a 1859, então dos principados Unidos de 1859 a 1862, e a capital da Romênia de 1916 a 1918. A cidade é o principal centro econômico e de negócios da região da Moldávia na Romênia.

Iași é uma das maiores cidades do lado leste da Romênia


A cidade é conhecida como a Capital Cultural da Romênia


SUCEAVA

A cidade foi um importante centro comercial da região histórica da Bukovina antes de tornar-se parte do reino da Romênia. Hoje é a maior cidade próxima à fronteira com a Ucrânia. Ali eu fiz uma parada para o almoço num esquema parecido com self-service, mas que o atendente que serve a comida escolhida no buffet, comi um filé de frango com risoto e purê de batatas por 11 Lei. Depois de dar uma volta na praça central de Suceava, foi a vez de embarcar rumo à Siret, a cidade fronteiriça.

Quadro dos possíveis destinos a partir de Suceava


Ônibus da empresa TASA que liga Suceava à Siret, na fronteira com a Ucrânia


Pequena igreja em Suceava


Centro comercial e histórico próximo à estação de ônibus (Gara)


TENSÃO AO CRUZAR A FRONTEIRA DA UCRÂNIA

Ao chegar em Siret percebi que estava a 4 km da Vama (posto de fronteira) com a Ucrânia. Para economizar o táxi, segui a pé até a divisa, passando sem problemas pelo posto de saída da Romênia. Já na entrada da Ucrânia as coisas voltaram a ficar tensas. A agente de imigração pegou meu passaporte e de maneira hostil me perguntou sobre visto. Eu expliquei que brasileiros não precisam de visto para fazer turismo na Ucrânia. Ela me pediu um comprovante que eu faria turismo no país dizendo: - como vou saber que você é turista? Pra mim você é um terrorista!

Ponte sobre o Rio Siret na rota da fronteira com a Ucrânia


Achei que começaria mais um drama e depois de tudo eu não conseguiria entrar na Ucrânia. Mas isso não passava da falta de educação dos agente de imigração. Eu apresentei um email de reserva de um tour em Kiev e a reserva de um hostel em Odessa e eles começaram a fazer os trâmites para autorizar a entrada. Ainda encrencaram que a reserva estava no celular pois queria ver a reserva impressa. Foi evidente o despreparo para lidar com turistas, mas depois refleti e entendi a reação, pois o país está em guerra e não é todo dia que entra um brasileiro a pé por aquela longínqua fronteira...

Após a passagem pela imigração é um excelente local para cambiar dinheiro por Hryvnia, a moeda ucraniana


Depois de cambiar 200 dólares por Hryvnia, me informei que ali na fronteira passa um ônibus com destino a Chernivitsi, a maior cidade daquela região e que seria o meio de obter um transporte para Odessa. Como a previsão de passar o ônibus era desconhecida e eu já havia perdido muito tempo, resolvi aceitar o serviço de táxi de um motorista que cobrou 600 Hryvnia para me deixar na rodoviária da cidade.

Rodoviária de Chernivitsi


CHERNIVITSI

Outra dificuldade começaria ao chegar em Chernivitsi: a possibilidade de se comunicar. Quase ninguém fala inglês e o alfabeto cirílico impede de entender alguma coisa nas placa. Foi usando o Google Tradutor do smartphone que foi possível descobrir que não havia ônibus direto para Odessa, o jeito seria seguir num ônibus noturno até a capital Kiev e então embarcar em outro transporte para Odessa. Com a passagem comprada (300 Hryvnia) fui dar uma volta e comer algo que servisse como janta.

Ônibus noturno em direção à capital Kiev, o único meio de chegar à Odessa


A comunicação ficou mais complicada ao atravessar a fronteira por causa do alfabeto cirílico


Um orelhão no estilo "guerra fria" de modernidade



Os prédios seguem o estilo arquitetônico da antiga União Soviética


Um pouco antes do horário de partida prevista para 21h, embarquei num ônibus no estilo "piratão", com o interior iluminado de neon e com diversas pessoas sentadas no corredor. O calor do leste europeu estava torturando, somando ao fato que eu já estava há 3 dias viajando desde o Brasil e não tinha tomado banho ainda. Mas uma coisa interessante me chamou a atenção: apesar daquele cenário caótico, o ônibus possuía Wi-Fi Free!

Ônibus apertado, quente, com neon e... internet wi-fi!


Cheguei 6h da manhã em Kiev e já achei outro ônibus que seguiria em direção à Odessa às 7h. Foram mais 488 km, aproximadamente 7 horas de viagem. Cheguei à tarde em Odessa e começaria ali o meu roteiro conforme planejado, e com um grande desgaste na aventura que só estava começando.


CUSTOS (agosto 2017)

- Passagem aérea (ida/volta) - R$ 3.941
- RER (ida/volta) em Paris - 20,60 Euros
- Ônibus para Gara de Nord - 8,60 Lei
- Ônibus para Galati - 50 Lei
- Informação do malandro - 50 Lei
- Sanduíche -  5,50 Lei
- Táxi para a fronteira - 200 (divido com um amigo) = 100 Lei
- Multa na Moldávia - 70 Lei
- Van para Iași - 50 Lei
- Lanche (sanduíche + bolo) - 6 Lei
- Van para Suceava - 35 Lei
- Almoço em Suceava -11 Lei
- Ônibus para Siret - 11,50 Lei
- Táxi para Chernivitsi - 600 (dividido com um amigo) - 300 Hryvnia
- Ônibus Chernivtsi x Kiev - 300 Hryvnia
- Lanche (pizza + hamburguer) - 43 Hryvnia
- Água - 12 Hryvnia
- Ônibus Kiev x Odessa -360 Hryvnia
- Sanduíche -20 Hryvnia
- Banheiro na rodoviária - 5 Hryvnia

<397,6 lei (321,6) + 1040 hyv (122) + 20,60 euro (76,3)>

Total: Aproximadamente R$ 4.460,90


MEU ROTEIRO

Roteiro completo: MISSÃO UCRÂNIA-ROMÊNIA

Próximo: ODESSA


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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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