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Zimbabwe: Perrengues para chegar às ruínas de Khami

Vestígios de uma civilização ainda desconhecida da maioria dos turistas


Durante minha jornada pela África, fui explorar as pouco conhecidas ruínas de Khami, que se desenvolveram depois que a capital do império de Great Zimbabwe foi abandonada em meados do século 16. A descoberta de objetos da Europa e da China mostra que Khami foi um importante centro comercial por bastante tempo. Mas chegar lá foi uma aventura...


TREM VICTORIA FALLS X BULAWAYO

As ruínas de Khami ficam localizadas a 22 km de Bulawayo, a segunda cidade mais populosa do país, perdendo apenas para a capital Harare. Como entrei no Zimbabwe por Victoria Falls, sua cidade mais conhecida e turística, precisei me deslocar cerca de 440 km até lá. A opção que escolhi foi um overnight train que duraria 14 horas. Também existem ônibus que fazem esse trajeto, mas eu não teria a experiência de viajar de trem pelo interior do Zimbabwe! O trem parte para Bulawayo diariamente da estação de Victoria Falls às 19h00 (veja os horários neste link). O ticket só é vendido no dia da viagem e custa U$ 20 (abril de 2017).

Plataforma do trem na Victoria Falls Railway Station


Para comprar a passagem já comecei mal: pedi para o Mambo, dono da Ghesthouse em que eu estava hospedado, comprar na parte da manhã pois eu estaria no safári do Chobe Park. Ao retornar às 18h00, o Mambo tentou me falar algo que eu não entendi, mas resumiu dizendo que "estava tudo resolvido". Cheguei na Victoria Falls Railway Station e me dirigi ao funcionário do trem para achar minha cabine, foi então que descobri que eu estava na segunda classe (por isso estranhei quando Mambo disse que custou U$ 10). O funcionário ficou surpreso, acho que nunca algum gringo viajou de segunda classe ali. O funcionário então entrou numa sombria cabine, expulsou quem estava dentro e a deixou "exclusiva" para mim e meu amigo que me acompanhava na viagem.

A cabine de segunda classe possuía 2 camas bem empoeiradas


Como eu não tenho problema com sono, consegui dormir tranquilo naquele trem sujo


O trem parecia que foi construído nos anos 50 e levado para o Zimbabwe pelos pelos ingleses. Era velho e sujo, aliás, acho que nunca tinha sido limpo (tá certo, to exagerando 😜). Trancamos a cabine e só abríamos quando o responsável por checar os tickets batia ou quando era necessário ir a banheiro (outro lugar sombrio!). Durante o traslado do trem até Bulawayo, as paradas aconteciam em pequenas aldeias no caminho, lugares sem estações ou plataformas. As pessoas embarcavam nos trilhos mesmo, que também serviam de "passeios públicos".

A ferrovia serve de via para deslocamento da população do interior


O embarque/desembarque de passageiros era por vezes caótico


O trem cruza as savanas na ferrovia do Zimbabwe


BULAWAYO

A chegada do trem em Bulawayo é oficialmente prevista para 7h00, mas o próprio funcionário do trem falou que chegaria às 9h00 ou 10h00 (pelo menos chegou às 9h00 😅). O desembarque é numa antiga e histórica estação em estilo inglês. Apesar de ser a segunda maior cidade do país, parece uma cidade de interior, com raros edifícios e com algumas construções do período colonial. Dá para perceber que a cidade cresceu devido às indústrias existentes naquela região.


Chegada na Bulawayo Railway Station depois de 14 horas de viagem


Algumas construções como a Estação de Trem são preservadas do período colonial britânico


Usina termelétrica que gera energia para a cidade


Ao colocar meus pés nas ruas percebi que aquele era um local desconhecido de turistas. Eu chamava a atenção por ser branco na população quase 100% negra por ali. Se comunicar também foi complicado. Eu segui para achar o local onde se tomava o ônibus para Masvingo, o próximo destino, mas poucas pessoas falavam bem o inglês, muitos só se comunicavam por dialetos locais. Cheguei a sofrer preconceito ao entrar na recepção de um hotel para pedir informação. Mas também tem muita gente boa e consegui descobrir que o último ônibus sairia por volta das 14h00, era a deixa para eu tentar explorar outro lugar inóspito perto de Bulawayo: as ruínas de Khami.

Quase eu tive que apelar para o Dr. Moyo para achar o local de embarque para Masvingo


Bulawayo possui ruas largas e poucas construções altas


RUÍNAS DE KHAMI

Eu teria aquela manhã para explorar as ruínas de Khami que é o segundo maior sítio arqueológico construído em pedra no país. Era a capital da dinastia Torwa, que surgiu do colapso do Grande Reino do Zimbabwe (acredita-se que durou entre 1450-1650, cujas ruínas são chamadas de Great Zimbabwe). O Khami Ruins National Monument está localizado a oeste do Rio Khami. Para chegar lá, negociei com um taxista que percorreu os 22 km de ida, esperou 2 horas, e retornou, tudo por U$ 30. A entrada do sítio arqueológico custou U$ 15.

Khami é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1986


Pequeno museu no centro de visitantes de Khami


As maquetes tentam recriar detalhes da cultura do povo Torwa



O sítio completo se espalha por cerca de 2 km da Ruína da Passagem até a Ruína Norte



É composto por uma série complexa de plataformas com estruturas de pedra


Existem corredores estreitos e curvos entre as paredes
 .

A residência do rei (Mambo) fica na direção norte da Hill Ruin (ruína da colina). A população vivia em cabanas, cercadas pelas paredes de granito, bem semelhante ao Great Zimbabwe em vários aspectos arqueológicos e arquitetônicos, mas possui características particulares, como revestimentos decorados.

Entrada para a residência real


As paredes na residência do Mambo eram revestidas e decoradas


As exóticas construções eram feitas sem remover as grandes rochas do local


Plataformas escalonadas como pirâmides mesoamericanas


A arquitetura possui características semelhantes ao Great Zimbabwe, em Masvingo


É um dos poucos sítios do Zimbabwe que não foram destruídos pelos caçadores de tesouros


Os vestígios arqueológicos provam ligações comerciais com os portugueses. Também foram encontrados artefatos de porcelana espanhola (século 15 e 17) e de porcelana chinesa da dinastia Ming. O mais impressionante é a cruz de granito que ilustra o contato de missionários num local tradicionalmente sagrado.

Cruz de granito que revela contato com missionários cristãos


Ruínas da plataforma norte


PARTIDA PARA MASVINGO

Ao retornar para Bulawayo, o taxista me deixou no local onde saem os ônibus para a cidade de Masvingo, onde está localizado o Great Zimbabwe, o maior e mais importante sítio arqueológico do país. Os ônibus para Masvingo saem do Renkini Bus Terminal (que fica numa área com pouca segurança), por isso me recomendaram embarcar no centro da cidade, neste local, perto da Prefeitura, onde o veículo passa a caminho de seu destino. 

Prédio da Prefeitura de Bulawayo


Depois de ver uma palma de banana ser vendida por U$ 10 (!), eu fui comer um beef burguer no fast food Chicken Inn por apenas U$ 1,50. Mais tarde, embarquei no apertado ônibus que durou mais de 4 horas até chegar no destino.


MEU ROTEIRO

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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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