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Zimbabwe: As supostas minas do Rei Salomão em Great Zimbabwe

Um dos maiores monumentos antigos do sul da África e que deu nome ao país

Como outras cidades antigas, o Great Zimbabwe é cercada de lendas e mistérios. Em 1500, os comerciantes portugueses que estabeleceram colônias em Angola e Moçambique escreveram sobre um reino no interior da África. Suas descrições sugeriram que aquelas seriam as bíblicas Minas do Rei Salomão. Estudos mais recentes não conseguiram provar nada sobre isso, apenas que as ruínas pertenciam aos antepassados dos Shonas. Esses nativos chamavam aquelas ruínas de Symbaoe, palavra que deu origem ao nome Zimbabwe do país e também das demais ruínas menores. Sugere-se que o fato dos europeus relacionarem estas ruínas às Minas do Rei Salomão é porque não aceitavam que antigas civilizações africanas pudessem ser desenvolvidas como aquelas da Europa.


COMO CHEGAR?

Great Zimbabwe fica a cerca de 30 km da pequena cidade de Masvingo (se pronuncia Maxingo). Para chegar lá, peguei um ônibus em Bulawayo que custou U$ 8. O motorista falou que a viagem duraria 4 horas, mas demorou 6 horas para chegar. O ônibus tinha uma fileira de 3 lugares e outra de 2 lugares, ou seja, muito mais apertado do que os ônibus convencionais. A cena mais bizarra que presenciei aconteceu quando o veículo parou na cidade de Zvishavane e ficou parado esperando lotar de passageiros. Entraram cerca de 20 pessoas vendendo batata chips e banana (todos vendendo a mesma coisa!). Mesmo vendo que ninguém comprava, eles continuavam entrando.

A pequena e empoeirada cidade de Masvingo


O ônibus chegou à noite. Ao se aproximar da cidade era possível ver pessoas desabrigadas fazendo fogueira na beira da estrada. Meu amigo foi perguntar ao motorista do ônibus onde tinha hospedagem na cidade e ele levou a gente de ônibus até lá. Parou em frente a um hotel na rua principal que custava U$ 60 a diária. Eu perguntei se ele conhecia algo mais barato e então me levou no Titambire Lodge, que na verdade era uma casa cujo dono era o simpático Sebastian. Quartos limpos, wi-fi e chuveiro de água quente por apenas U$ 25 o quarto (abril de 2017). Para reservar não tem site, entre em contato através do Whatsapp: 0777426614.


Entrada do Titambire Lodge


GREAT ZIMBABWE

No dia seguinte de manhã, pedimos para o Sebastian acionar um táxi para nos levar até as ruínas de Great Zimbabwe. Para nossa surpresa, o "taxista" era um policial fardado que fazia uma espécie de "bico" naquele momento. Acertamos o valor de U$ 20 para levar, esperar 2 horas e trazer de volta.

Mapa das ruínas de Great Zimbabwe na entrada


O sítio arqueológico é composto do Grande Recinto, Acrópole, Ruínas do Vale, a Vila Karanga e até um pequeno museu arqueológico (não pode fotografar dentro). Está aberto ao público de 9h00 às 17h00, e cobra o valor de U$ 15 a entrada por pessoa (abril de 2017).

Este é o maior e mais importante sítio arqueológico do país


O GRANDE RECINTO
Conhecido localmente por The Great Enclosure, este é um dos principais complexos arquitetônicos de Great Zimbabwe, com paredes curvas e corredores estreitos que fazem o formato de elipse. Foi construído com blocos de granito cortados. Haviam cabanas construídas dentro das paredes do cerco da pedra. Os seus muros chegam a 11 m e se estendem a aproximadamente 250 m, tornando-se a maior estrutura antiga ao sul do deserto do Saara.

Entrada pelas muralhas do Grande Recinto


Paredes estreitas e irregulares de ruínas que já foram atacadas por caçadores de tesouro


A Torre Cônica mede 5,5 m de diâmetro por 9 m de altura


Great Zimbabwe data do século 14. Será?


A parede em formato de elipse com centenas de blocos de granito cortado


Detalhe arquitetônico característico no Grande Recinto


RUÍNAS DO VALE

Ao redor do Grande Recinto estão várias pequenas ruínas espalhadas, denominadas em inglês como Valley Ruins. Estudos dizem que são do século 19. Cada conjunto tem características semelhantes: construções em tijolos (cabanas, pavimentos interiores e bancos, suportes para recipientes, bacias, etc.) e paredes de alvenaria de pedra seca.

Um grupo de turistas chega através das Ruínas do Vale


VILA KARANGA

Dentro do complexo de ruínas existe uma "simulação" de uma antiga vila Shona, em que se pode conhecer a cultura e práticas tradicionais desse povo, incluindo os aspectos de arquitetura e religião. Dentro das casas estão representadas essas práticas através de bonecos e utensílios. Do lado de fora estão descendentes dos Shona simulando práticas culturais como comércio e danças típicas.

A poucos metros das ruínas está a vila "cenográfica"


Artesanatos feitos de pedra e de madeira fazem parte do comércio Shona


Alguns colares tradicionais feitos de pedra também são vendidos aos visitantes


Um agrupamento de casas que lembram as ocas das tribos brasileiras


As casas são circulares, com teto de palha e paredes revestidas de barro



Esse Shona parece estar acima do peso!


Método de preparo de alimentos pelos Shonas


Tabuleiro do tradicional jogo Tsoro


A ACRÓPOLE

Uma grande semelhança dessas ruínas com a arquitetura grega é a existência de uma Acrópole, chamada e Hill Complex (complexo da colina). Essa fortaleza de pedra foi construída em cima de uma grande rocha de granito, cujo acesso pode ser feito pelo caminho antigo (mais íngreme) e pelo caminho recente (mais suave).

Uma verdadeira Acrópole semelhante àquelas na Grécia Antiga


Essas construções foram habitadas do século 11 ao 15


Subida pela escadaria de pedras do caminho antigo


Acredita-se que o recinto oeste foi a residência dos sucessivos reis


A Acrópole construída numa grande rocha possui posição privilegiada no terreno


Vista do Grande Recinto do alto da Acrópole


No auge, Great Zimbabwe, teria alojado até 18.000 pessoas


Uma curiosa pedra utilizada talvez para fins astronômicos
Provas do comércio com outras civilizações foram achadas através de vidro e porcelana, da China e da Pérsia, e moedas árabes


PARTIDA PARA JOHANESBURGO

Ao retornar, comprei água e peguei a mochila para seguir viagem de ônibus até Johanesburgo, na África do Sul. Não existe rodoviária em Masvingo, o embarque é feito no Exor Garage, um posto de gasolina onde param os ônibus que vem da capital Harare em direção à Johanesburgo. Andei 2 km pela estrada para chegar lá e comprei a passagem nos guichês existentes nos fundos do posto. As empresas recomendas são a Eagle Liner, First Class e Pionner Coaches. Comprei passagem na Eagle Liner por U$ 34, com previsão de 14 horas de deslocamento.

Chicken Inn é uma franquia de fast food bastante encontrada no Zimbabwe


Enquanto o ônibus não chegava (atrasou mais de 1 hora!), eu ia comendo por ali mesmo, pois existem opções de fast food (Chicken Inn), um podrão na carrocinha (sim, eu comi por U$ 1, depois para garantir, tive que comprar remédio de verme no Brasil) e também um mercadinho. Enquanto eu comia sentado no meio fio, um policial veio pedir meu passaporte e perguntar para onde eu ia. Acho que ele nunca viu um estrangeiro viajando dessa forma por aquelas terras de Malboro!


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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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