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Ilha de Páscoa: A prova da conexão com os Incas em Vinapu

A exótica plataforma com técnicas de construção dos povos incas


Se não bastasse os mistérios relacionados à construção e transporte dos moai, o sítio arqueológico de Vinapu apresenta a mais enigmática plataforma da ilha. A técnica de acabamento das pedras do Ahu Tahira não existem em qualquer outro lugar desta ou demais ilhas da Polinésia. Seria uma novidade no mundo? Não, pois é idêntica às construções da civilização Inca. Isso tem gerado muitas teorias sobre as origens da população da Ilha de Páscoa e sua relação com as culturas pré-colombianas da América do Sul.


COMO CHEGAR?

O sítio arqueológico fica no sudeste da ilha, próximo de Hanga Roa. Como eu estava com um carro alugado, segui pela estrada do Aeroporto de Mataveri até o final da pista. Lá, passando os tanques de combustível, virei à esquerda e continuei até chegar na estrada de terra. Descendo a segunda via à direita se chega na placa que sinaliza os Vinapu.

Entrada para o sítio arqueológico de Vinapu


Localização do complexo de Vinapu na ilha


Vinapu é um complexo cerimonial com ruínas de três ahu (plataformas de moai):  Ahu Tahira (esquerda), Ahu Vinapu (direita) e um terceiro já quase sem vestígios localizado dentro da área do tanque de combustível da ilha.

Vinapu fica no sudeste da Ilha de Páscoa


AHU TAHIRA

Este é o ahu mais polêmico da Ilha de Páscoa. Possui 6 moai que estão caídos de cara para o chão e 3 pukao espalhados na frente deles. No entanto, o que é especial sobre o Ahu Tahira é parede de trás da sua plataforma (frente para o mar). É constituída por grandes pedras unidas sem argamassa e finamente esculpida, semelhantes aos encontrados nas ruínas incas do Peru. 

O trabalho detalhado das pedras é único na ilha de Páscoa


Coincidência ou não, a parede foi construída na margem de frente para a América do Sul


As pontas são curvadas, assim como diversas construções dos Incas


Essa semelhança convenceu alguns pesquisadores da possibilidade de contato entre a Polinésia e América do Sul. É possível que da mesma forma que grupos de polinésios chegaram e povoaram a Ilha de Páscoa, tenham ido também a leste até chegar no continente. Resolvi fazer um teste: Será que, assim como os povos mesoamericanos, este ahu tem orientação com os pontos cardeais da terra? A resposta está nas fotos abaixo.

A perfeição do trabalho nas pedras de basalto é idêntico a dos povos da América do Sul


Fiz alguns testes com o uso da bússola para checar a orientação do monumento


Descobri que o Ahu Tahira é orientado com os pontos cardinais da Terra


Outras evidências: a existência de batata doce e abóbora em ambas as regiões muito antes de os europeus navegarem por lá e a descoberta de ossos de galinha no sul do Chile com a mesma sequência de DNA de amostras colhidas de Tonga e Samoa, o que sugere que as galinhas vieram para a América do Sul aproximadamente no século 14. Mas nada parece ser uma prova tão forte quanto a forma de encaixe das pedras do Ahu Tahira. 

O uso perfeito de pedras de tamanhos diferentes é uma característica dos Incas


Observe como esses blocos com cortes irregulares se encaixam


O uso de emendas que conseguem se encaixar perfeitamente


A perfeição das paredes do Ahu Tahira fez com que este durasse por muitos anos. Foi danificado apenas em 1886 pela tripulação do navio USS Mohican, que derrubou parte de sua estrutura para descobrir se havia algo enterrado ali. Dizem que não encontraram nada, somente criaram danos ao ahu.

Os chullpas de Sillustani, no Peru, e o Ahu Tahira têm uma frente de pedra e recheio de escombros 


A tripulação de um navio americano derrubou parte das paredes pensando ter algo enterrado


Algumas partes do ahu foram danificadas por esses curiosos


Algo bem marcante no sítio arqueológico é a cabeça de um moai enterrada pela metade que fica em frente àquela parede perfeita. Arqueólogos acreditam que esse moai nunca esteve sobre a plataforma porque não tem as órbitas oculares esculpidas. Talvez tenha pertencido a um período anterior ou foi danificado durante o transporte e descartado. Uma antiga lenda da Ilha afirma que o maior moai existente (21 metros), que se encontra inacabado em Rano Raraku, foi destinado para o Ahu Tahira.

Um moai se encontra enterrado pela erosão, por isso acreditam ser bem antigo


Não possui as oculares esculpidas como os demais


Alguém no passado chegou a morar debaixo deste moai


O uso como abrigo mostra o quanto foi perdida a sua importância sagrada


AHU VINAPU

Este ahu que dá o nome ao sítio arqueológico é considerado o mais antigo do complexo cerimonial Vinapu. Há ruínas de pelo menos cinco moai e vários pukao (chapeu do moai) espalhados ao redor da plataforma. 

O ahu está bem deteriorado e suas formas originais são irreconhecíveis


O trabalho rústico das pedras mostra a diferença absoluta do Ahu Tahira


Este ahu usa pedras de basalto e rochas vulcânicas vermelhas


Os moai estão derrubados e quebrados


O pukao era um "chapéu" de rocha vermelha colocado na cabeça dos moai


Quando os moai caíram os pukao rolaram e se espalharam pelo sítio


Uma característica particular deste ahu é uma coluna monolítica de rocha vermelha construída próxima ao ahu. Foi descoberta em 1956 pelo arqueólogo americano William Mulloy, que a considerou como um moai feminino, com braços finos e mãos, seios pequenos e umbigo pronunciado. Outros consideram que seja a escultura de um falo (pênis) ou uma coluna inca. 

O que seria essa coluna vermelha?


Supôe-se que havia uma plataforma funeral de madeira onde ficavam os mortos para secar antes seu sepultamento


Em frente ao Ahu Vinapu, está o rosto de moai de uma cabeça semienterrada


Neste moai é possível perceber que havia órbita ocular esculpida


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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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