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Ilha de Páscoa: Rano Raraku, a fábrica de moai

Não se sabe o motivo que foram feitos, mas sabe-se onde e como foram feitos


Posso arriscar que o lugar mais misterioso da Ilha de Páscoa é Rano Raraku. Foi neste lugar que os antigos Rapa Nui fabricavam os moai e levavam para os cantos mais longínquos da ilha (mais de 20 km às vezes). Cerca de 95% dos moai foram feitos a partir daquela pedreira. Por que isso tinha que ser ali? Existem 397 moai em diferentes estágios de desenvolvimento em Rano Raraku mas, de repente, os escultores abandonaram o trabalho e nunca mais voltaram.  O que houve nesse passado distante?


COMO CHEGAR?

Localizado na parte sudeste da Ilha de Páscoa, perto do Ahu Tongariki. Dirigi o carro alugado por mais de 20 km pela estrada da costa leste da ilha. Depois de ver o amanhecer em Tongariki, segui para Rano Raraku. Há estacionamento no local.

Localização de Rano Raraku na ilha


Placa de entrada para Rano Raraku (ao fundo)


O VULCÃO RANO RARAKU

Ao se aproximar daquilo que já foi um vulcão um dia, é possível observar que a encosta possui vários buracos e estátuas que não chegaram a ser extraídas. Embaixo estão os moai que por algum motivo não foram terminados ou transportados. Era literalmente uma linha de produção! Ao se deparar com essa imagem, qualquer um fica sem respostas. Qual era o motivo de tanto esforço? 

Era nessa encosta do vulcão extinto que havia extração de grande parte dos moai


De longe, é visível um moai inacabado no paredão de rocha


Rano Raraku tem horário de funcionamento para visitantes: diariamente de 09h00 às 18h00 (de dezembro a março fecha às 19h00). A taxa de visitação do Parque Nacional Rapa Nui (U$ 60) é normalmente paga por quem desembarca no aeroporto e o ticket dá direito a entrada em Rano Raraku e em Orongo. Portanto, não esqueça de leva-lo quando for visitar. Também é possível comprar no local de entrada. Mais informações no site do Parque neste link.

Antes de entrar na trilha, algumas placas explicam o que vem pela frente


Logo na entrada há um moai quebrado no pescoço

Qualquer parte quebrada era motivo de abandono pois os Rapa Nui acreditavam que o moai perdia seu "mana"


A trilha se bifurca para dois lados, o caminho da esquerda leva à cratera do vulcão e o da direita leva para a pedreira. Fui pelo caminho da direita primeiro e começou a surgir na minha frente dezenas de moai. 

A trilha segue pelo meio dos moai espalhados e enterrados até o pescoço


As estátuas estão todas com os corpos enterrados, a maioria até o pescoço. O primeiro moai que chama a atenção em Rano Raraku está no começo da trilha e tem um formato bem magro, com a cabeça achatada.

Normalmente, a cabeça do moai media cerca de um terço do tamanho total


A cabeça deste moai é bem fina, meio fora da realidade humana


A razão pela qual as estátuas estariam enterradas seria a existência de rampas feitas com a terra para se conseguir extrair as esculturas do alto da encosta. Depois de abandonada, a terra foi descendo com a erosão e acabou cobrindo os moai. Remover tanta terra e transportar rochas pesadas lembram as teorias do antigo Egito, com um detalhe: a população da ilha é infinitamente menor do que no Egito. De onde vinha a mão de obra capaz de promover esse trabalho faraônico?

A trilha começa a subir em direção à pedreira


Pelo caminho existem bancos para sentar e contemplar a paisagem


Vista da estranha elevação vulcânica Maunga Te Kahu Rere


Dezenas de moai que por algum motivo permaneceram em Rano Raraku


A PEDREIRA

A trilha chega no alto e se aproxima das estátuas que não foram extraídas da rocha. Os arqueólogos conseguiram deduzir alguns métodos de construção ao observar as estátuas inacabadas. Perceberam que eram esculpidas sempre viradas para cima para fazer os detalhes do rosto, tronco e braços. O nariz seria a base para centralizar e manter as devidas proporções. A escultura era delicadamente destacada da parede rochosa e conduzida em rampas de terra para um poço onde seria levantada, para enfim terminar o acabamento e polimento.

A trilha passa por entre os moai inacabados na pedreira


Este moai é um bom exemplo para se observar as técnicas de construção


Parece que o trabalho iniciava pela ponta do nariz


A pedreira é formada de rocha endurecida de cinzas vulcânicas e por isso é mais "macia" e fácil de cortar. Na ilha, o basalto era a pedra mais dura e provavelmente usada como ferramenta para trabalhar os moai de Rano Raraku.

Um moai ainda pouco trabalhado e que não foi concluído


Nas paredes da pedreira existem petróglifos (desenhos na pedra)


Uma das coisas mais impressionantes deste sítio arqueológico é um moai inacabado que seria o maior já feito. Ele mede 21 metros de comprimento (só a cabeça já tem 7 m) e o peso estimado de 270 toneladas. Ele teria quase o dobro do maior moai feito até então. Não se sabe porque não foi concluído, mas a tradição oral da ilha afirma que este gigante estava destinado ao Ahu Tahira de Vinapu.

Se fosse concluído, este moai teria 21 m de altura e pesaria 270 toneladas


O MISTERIOSO MOAI AJOELHADO

Caminhei até o final da trilha da pedreira para encontrar mais uma surpresa. Naquele local escondido existe uma estátua totalmente diferente de qualquer moai, chamada de Tukuturi. Ninguém sabe ao certo o que (ou quem) essa estátua representa.  Além de estar ajoelhada, possui características de corpo mais arredondado e até mesmo uma suposta barba. Assim como os moai, a estátua olha para o alto.

No final da trilha está a misteriosa estátua de Tukuturi


Quando foi descoberta por Thor Heyerdahl, em 1955, até mesmo os Rapa Nui se surpreenderam com o que viram. Teorias discutem se essa estátua é mais antiga ou mais recente que os moai. Alguns sugerem que representaria um mestre escultor, posicionado na pedreira como homenagem de seus sucessores.

Nem mesmo os descendentes dos Rapa Nui sabem explicar essa estátua


Mesmo desgastada, a estátua parece ter barba


Outro fato que me deixou pensativo foi a posição da estátua de joelhos com a mão sobre as pernas. Lembrei que eu já tinha visto outras estátuas assim em lugares bem distantes daquela ilha. Seria apenas coincidência? 

A estátua é representada de joelhos com as mãos sobre as pernas


Estátua do governador Heqalb da Ilha Elefantina (Egito, 2014)


Estátua esquecida numa sala do Museu de Tiahuanaco (Bolívia, 2013)


O local do moai ajoelhado também serve de mirante para o Ahu Tongariki


CARA A CARA COM OS MOAI

Retornando pela trilha, agora resolvi analisar com mais calma cada moai abandonado pela área de Rano Raraku. Eles são de todas as formas e tipos, e alguns são mais famosos.

A trilha sobe novamente e passa pela pedreira


Parece até que cada moai tem sua própria personalidade


Um dos moai é famoso por possuir um navio de três mastros com velas quadradas (descrição de um navio europeu) esculpidas na sua barriga. Acredita-se que durante a chegada dos primeiros europeus a Ilha de Páscoa, no século 18, algum habitante buscou registrar ali o que tinha visto.

Um desenho de navio feito na barriga do moai (direita)


Há outros dois moai tão famosos que pode-se dizer que são celebridades. Normalmente são mostrados em livros, guias de viagem, posters e promoções relacionadas à Ilha de Páscoa. 

Você lembra de ter visto esses moai em alguma propaganda relacionada à ilha?


É uma experiência única encarar milhares de anos assim


INTERIOR DA CRATERA

Retornei até a bifurcação de início da trilha e agora segui pela esquerda. A trilha leva até o interior da cratera do vulcão extinto, com cerca de 650 metros de diâmetro e que possui uma lagoa de água doce no centro. Um lugar bem bonito. Na encosta interna também foram extraídos moai, havendo cerca de 70 deles espalhados pelo local.

A lagoa no centro da cratera possui de 5 a 7 metros de profundidade


A lagoa é habitat de cavalos que vivem livres pela ilha


Cerca de 70 moai foram encontrados no interior da cratera


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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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