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Egito: Um rolé na esfinge e nas pirâmides de Gizé

Maravilhas do mundo antigo que ainda nos desafiam


Não tem como pensar em Egito sem pensar nelas. Não tem como visitar o Egito sem ficar de frente a frente com elas. Elas são as únicas das 7 maravilhas do mundo antigo que ainda existem, resistindo a terremotos, a erosão e a guerras. Quem as construiu e como foram feitas ainda é discutido e não há solução que responda todas as questões. A existência delas já é um mistério desde o tempo do historiador grego Heródoto (484 a 425 a.C.), quando este relata que nem os egípcios daquela época sabiam explicar como foram feitas. É tanta coisa a se falar, tanta história que aconteceu em volta delas, que é impossível falar tudo num só post do blog.


COMO CHEGAR?

Não tem como perdê-las de vista, em qualquer canto do Cairo as pirâmides marcam a silhueta do horizonte. Fiquei hospedado em um hotel à 1 km das pirâmides e fui a pé, cheguei bem cedo antes que as multidões de turistas invadissem o local. Ao se aproximar da rua de acesso à bilheteria já começa o assédio de gente oferecendo serviços diversos. Não aceite ajuda de quem se oferece, nada é de graça. Dica: leve protetor solar e água!

Bilheteria do complexo de Gizé, ainda vazia pela manhã


Para quem está no Cairo e quiser economizar, os ônibus das linhas 355 e 357 saem da Praça Tahrir a cada 20 min e passam próximos às pirâmides. O complexo funciona diariamente das 8h00 às 17h00 (ou 7h00 às 19h00, de 01 de maio até o Ramadã). Além de pagar a entrada no complexo, os acessos ao interior das pirâmides de Queops e Quéfren são pagos à parte. Descobri na bilheteria que também havia ingresso pago à parte para uma tal "tumba de Mersy Ankh III" e, mesmo nunca tendo ouvido falar desse personagem, resolvi comprar e arriscar, afinal, era minha única passagem por ali. Para mais informações acesse SCA Platô de Gizé.

Entrei bem cedo, poucos turistas haviam chegado


Mapa do complexo de Gizé (clique para ampliar)


A GRANDE PIRÂMIDE

A planície de Gizé era na verdade uma grande necrópole, um lugar que grandes personalidades foram enterradas em tumbas e pirâmides. Mas quando será que tudo começou? A Grande Pirâmide talvez seja a resposta para isso, e aí já começa o primeiro mistério: como a construção mais antiga pode ser uma obra de engenharia infinitamente superior às que vieram depois?

A Grande Pirâmide possui 146,5 metros de altura!


A entrada fica numa parte alta, é preciso subir alguns daqueles blocos milenares para chegar na porta. Um egípcio faz o controle do ticket e é proibido entrar com máquina fotográfica, tendo que deixar na entrada (não tem armário, escaninho, nada... fica em cima de uma pedra). Uma dica: se a máquina for pequena no bolso ou estiver guardada na mochila, ninguém revista, basta entrar. Se deixar a máquina na entrada visa impedir fotografias, essa prática é falha, pois pode entrar com o celular e fazer fotos sem ninguém perceber, como eu vi alguns japoneses fazendo. 

Caminho por entre os blocos até a entrada


A construção da pirâmide é atribuída ao faraó Queops (2589–2566 a.C.), da quarta Dinastia. Queops é pai de Quéfren e avô de Miquerinos, os faraós sucessores que se acredita terem feito as outras pirâmides de Gizé, com um decréscimo de perfeição e magnitude é claro. 

Entrada de Mamoun, tem esse nome por causa do califa que abriu a passagem na marra em busca de tesouros


As teorias são muitas, mas a dúvida da viabilidade de construção de algo tão grandioso naquela época (e ainda hoje) parece ser ainda impossível com os conhecimentos que temos. Se eu for descrever aqui alguns detalhes da sua perfeição (matemática, astronômica, etc) vou acabar escrevendo um livro, que aliás já existem vários sobre o tema. Mas um problema que ninguém consegue resolver é: sabe-se que existem cerca de 2.300.000 blocos na sua estrutura, teriam que extrair, talhar, transportar e encaixar cerca de 100 blocos por dia da pedreira que fica no outro lado do Rio Nilo, para concluir em 62 anos. Como o reinado de Queops durou 23 anos, essa conta sobe para 300 blocos por dia aproximadamente.

É a mais antiga das 7 maravilhas do mundo antigo e a única que ainda existe


Alguns blocos pesam mais de 85 toneladas


A Grande Pirâmide fecha de 11h às 13h. Somente 150 tickets são vendidos para a manhã e outros 150 depois das 13h. A visita ao interior segue por uma subida, passando pela Grande Galeria, com o teto com pedras escalonadas, onde existe uma escada feita de madeira para facilitar a vida dos turistas. No final do corredor se chega na Câmara do Rei, em que fica o suposto sarcófago de Queóps. É um ambiente que tem uma energia realmente diferente. Vários turistas param para meditar sentados no salão. As demais câmaras estão fechadas para visitação.

Representação gráfica das câmaras e corredores. Alguns sugerem que parece uma grande máquina


A escura Câmara do Rei e o sarcófago de granito


A ESFINGE DE GIZÉ

Segui pelo o caminho atrás da Pirâmide de Queops e desci em direção àquela que considero a segunda maior atração do complexo. A Esfinge de Gizé é uma obra de arte única feita com o rosto voltado para a direção do oriente, onde nasce o sol. A estátua foi talhada numa grande rocha existente no platô, muitos consideram que foi feita no reinado do faraó Quéfren (filho de Queóps) e represente o seu rosto em um corpo de leão, sendo o guardião da necrópole de Gizé... mas há controvérsias...

A esfinge fica na parte mais baixa do complexo de Gizé


Olhando da lateral, parece um corpo de leão com pernas dianteiras desproporcionais


No próprio Egito antigo, a existência da esfinge era um mistério. Entre as patas da esfinge, existe uma estela de granito vermelho contendo uma inscrição que registra um sonho tido por Tutmósis IV (1401 a 1391 a.C.). O texto diz que certa vez, ao caçar, o príncipe resolveu descansar do forte calor do meio-dia à sombra da estátua e adormeceu. A placa afirma que a esfinge era identificada como o deus-Sol Harmakhis e este apareceu em sonho ao príncipe e lhe prometeu entregar o reino do Egito se o rapaz mandasse retirar a areia que cobria parte do corpo da esfinge. A inscrição está danificada na sua parte final, mas se acredita que o faraó realizou a tarefa.

Estela descrevendo o ocorrido com Tutmósis IV



Entrando na área da especulação, o místico Edgar Cayce, famoso vidente americano, afirmou que esta esfinge era a guardiã de um salão de arquivos o qual haveria registros da história e da sabedoria da civilização perdida da Atlântida, trazidos para o Egito por seus sobreviventes.

Existem até aqueles que dizem que abaixo da orelha da esfinge existe um entrada USB!!!


Esses olhos já presenciaram histórias que se perderam com o tempo


A teoria de que representaria Quéfren as vezes fica duvidosa. Será que foi mesmo construída em seu reinado? Por que essa rocha em que foi construída foi preservada na construção da Grande Pirâmide (teoricamente construída num reinado anterior) sendo que foi necessário buscar pedras no outro lado do Nilo? 

Detalhe da calda na traseira da esfinge


Entre 1991 e 1993, especialistas americanos fizeram uma pesquisa nela em busca de evidências de erosão provocada por chuvas e aguaceiros. Concluíram que o tipo de erosão indicaria sua construção antes ou durante as chuvas da transição da África setentrional na última glaciação para o atual regime árido (10.000 a 5.000 a.C.). 

Erosões na rocha indicariam que ela é muito mais antiga que a civilização egípcia?


Partes continuam em trabalho de restauração


E eu não poderia deixar de dar o tradicional beijo na esfinge. Uma foto muito clássica tirada pelos turistas que nem sempre fica nas proporções corretas. Uma dica é tirar da rampa do lado esquerdo da esfinge e usar o zoom da máquina para aproximar a cabeça da estátua e ficar proporcional à pessoa que beija.

O beijo da esfinge


PERRENGUE PELA BANDEIRA DO BRASIL

Até o momento tudo estava tranquilo, poucos turistas no complexo e nenhum contratempo. Assim como eu faço nos principais pontos turísticos do mundo, saquei minha bandeira do Brasil que sempre carrego e fui registrar fotos com as pirâmides e a esfinge ao fundo. De repente, surge um soldado desesperado dizendo que não podia tirar foto com a bandeira, minha reação foi parar de imediato, mas não satisfeito, ele me pediu a bandeira, eu entreguei e ele levou para um escritório da polícia turística, me deixado ali. Se eu não fizesse nada, a história terminaria ali, mas não pude engolir a situação de ter a bandeira do meu país apreendida daquele jeito. 

Uma das imagens mais belas, a pirâmide de Quéfren com a esfinge a frente


Entrei no escritório de polícia e pedi minha bandeira. Acho que oficial chefe do escritório se surpreendeu com minha atitude e começou me dando um esporro por ter feito essas fotos. Eu expliquei que não sabia da proibição e que, inclusive, não haviam placas alertando sobre isso. Depois do bate boca, o policial me pediu a máquina fotográfica e apagou aquelas fotos, foi então que me devolveu a bandeira. Acabei perdendo as fotos, mas não deixaria a minha bandeira para trás! Portanto, fica o alerta, se você quiser tirar fotos com uma bandeira, faça num local isolado e sem a presença dos guardas.

Local do show de luzes e sons que acontece à noite


OS TEMPLOS DA ESFINGE

Me aproximei ainda mais da Esfinge de Gizé. Tudo bem que todo o platô de Gizé é uma grande necrópole, mas especialmente em volta da esfinge foram construídos diversos templos e santuários (dizem que muitos ainda nem foram encontrados). Para saber mais sobre câmaras ocultas na esfinge, visite o site Fascínio Egito. Um dos templos que está aberto ao público é o chamado Templo do Vale de Quéfren.


Percebe-se que o templo está restaurado, mas não é uma grande atração para a maioria do público. No meu caso, conseguiu surpreender pelo encaixe das rochas muito parecidos com os muros incas encontrados no Vale Sagrado. Outra coisa interessante é que o templo está abaixo no nível do solo e esteve enterrado no passado, provavelmente na sua construção ficava no nível do solo. Dá para imaginar quanto tempo se passou desde então. 

O templo está abaixo do nível do solo


O corte dos blocos com vários ângulos e encaixe perfeito faz lembrar a arquitetura inca


Foto de uma parede inca de Machu Picchu (imagem da internet)


Um poço seco que até hoje alimenta a superstição de quem passa. Será que tem algum poder?


Fora do templo, um pouco atrás da esfinge, existe outra construção estranha. Parece uma porta para alguma tumba, mas não vi entrada. Seria um nicho para armazenar algo? ou seria uma espécie de portal invisível? Não imagino o que seria, porém também achei semelhante a algumas rochas de Puma Punko.

Uma porta sem entrada para lugar nenhum


Qual seria a finalidade disso?


PIRÂMIDE DE QUÉFREN

Construída supostamente pelo filho do faraó Queóps, é menor que a Grande Pirâmide, mas continua sendo colossal, a segunda maior do Egito. Assim como a outra, era recoberta com pedras de calcário polido e brilhava à luz do sol, mas vários terremotos ao longo dos séculos fizeram essa camada ruir e seus blocos foram usados para construir o Cairo. O interessante é que esta pirâmide ainda possui uma amostra desse revestimento no topo. É menos visitada que a Grande Pirâmide e seu interior é parecido. Também é proibido levar máquina fotográfica, mas celular pode (não pode fotografar).

O topo fica na mesma altura da pirâmide de Queops, mas está numa parte mais alta do terreno


É muito grande, são 143 metros de altura, e olha que essa não é nem a maior


PIRÂMIDE DE MIQUERINOS

Miquerinos (ou Menkauré) foi filho do faraó Quéfren. Não se sabe muito sobre o seu reinado. A pirâmide em que foi enterrado é bem menor que as outras, porém era revestida, até um terço da sua altura, com o granito de Aswan, material de melhor qualidade que o calcário das demais. Uma história curiosa é que foi encontrado um sarcófago dentro da pirâmide e enviado para Londres, mas o barco que o transportava acabou por naufragar na costa de Portugal. Não está aberta para visitação.

A "pequena" pirâmide do faraó Miquerinos


PASSEIO DE CAMELO

Um quadrinho que teria que ser marcado era andar de camelo em Gizé, o problema era aturar os donos de camelo negociando valores e tentando ganhar mais dinheiro. Procurei não me estressar e curtir o momento. Saiu 30 EGP umas voltas e fotos com o camelo. Para montar no animal, ele tem que estar deitado, e quando levanta faz uma "gangorra". Andar é bem tranquilo, o camelo é lento sem movimentos bruscos.  

Cuidado para não cair ao montar o camelo na primeira vez


O dono do camelo me falou para tirar foto assim, como encostando no topo da pirâmide, não entendi a graça



PERRENGUE PELA TUMBA DE MERESANKH III

Lembra que eu falei que comprei ingresso para entrar na tal "tumba de Mersy Ankh III" (assim estava escrito no ingresso)? Pois é, mais tarde eu descobri que se tratava de Meresankh III, esposa do faraó Quefren e neta de Queóps. As inscrições da tumba revelam que ela aparentemente morreu durante o primeiro ano de reinado de um rei sem nome, possivelmente o faraó Miquerinos. O túmulo foi originalmente planejado para sua mãe Hetepheres II, mas foi doado para sua filha sugerindo que a morte de Meresankh foi súbita e inesperada. 

Em frente à Grande Pirâmide, na beira do complexo, se forma um mirante da cidade


Só faltava visitar essa tumba para encerrar minhas explorações, porém eu não tinha encontrado nada que indicasse o local. Cheguei ir até a beira do complexo, percebendo que tinha um bom mirante da cidade. Mas e a tal tumba que paguei a entrada? Um guia me indicou a direção, passando pelo lado esquerdo da Grande Pirâmide. Por lá existem várias escavações acontecendo entre pirâmides menores e tumbas, era a área das tumbas das rainhas!

Uma placa discreta indica a direção da tumba


Percebi uma pequena placa indicando a Tumba de Meresankh III. A princípio achei que estivesse errado, afinal era um setor de escavações, não haviam turistas no local. Me aproximei de um grupo de homens de roupa social, pensando ter algum cargo de gerência no canteiro. Mostrei o ticket e perguntei onde era a entrada, o homem chamou outro e falou algo, ele pegou uma chave e me pediu para segui-lo. Passamos por algumas curvas e eu pude perceber que a tumba era mais escondida do que o imaginado. O homem chegou no local e abriu a porta de acesso a tumba.

A tumba fica fechada e não havia turistas interessados nela


Quando eu achava que tinha resolvido, o homem começou a fazer o velho truque de agir como guia, explicando a tumba, para mais tarde cobrar pelos serviços. Me irritei por passar por essa milésima tentativa no Egito, falei logo que não precisava de guia. O homem ficou mau humorado, parado me esperando ver a tumba. Não era possível que eu era a única pessoa naquele dia que comprou o ingresso para esta tumba!! E ainda não podia fotografar! Na hora de ir embora, o cara de pau ainda me pediu bakisha (gorjeta) por ter me levado até lá, lógico que eu neguei. Ele saiu me xingando em árabe e eu me arrependendo de ter comprado aquele ticket de uma tumba como qualquer outra do Vale dos Reis.

Interior da Tumba de Meresankh III (imagem da internet)


RETORNO AO HOTEL

Depois do último estresse que eu tive atrás da tumba e somado com o calor infernal, acabei ficando ainda mais inconformado com a atitude dos guardas do complexo de tomarem minha bandeira e terem apagado as fotos. Voltei para o hotel com sede de vingança e decidi que eu não iria embora do Egito sem uma foto das pirâmides com a bandeira do Brasil, então subi no terraço e consegui saciar minha raiva... do jeito que pude...

Depois de todos os perrengues, o Brasil enfim foi reverenciado nas pirâmides de Gizé


CUSTOS (agosto 2014)

- Entrada no complexo de Gizé - 80 EGP
- A Grande Pirâmide (Queops) - 200 EGP
- A Segunda Pirâmide (Quéfren) - 40 EGP
- Tumba de Meresankh III - 50 EGP
- Montar no camelo - 30 EGP

EGP = Egyptian Pounds (Lira Egípcia)


MEU ROTEIRO


Roteiro completo: MISSÃO EGITO

Próximo: MUSEU DE MEMPHIS


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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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