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Egito: Karnak, o maior templo aos deuses egípcios

Explorando o principal complexo antigo de culto aos deuses de Tebas


Pense num complexo religioso no antigo Egito que se compare ao Vaticano para os católicos. Pensou? Pois é, bem vindo ao imponente Templo de Karnak que, na verdade, reúne vários templos em um só. Cada rei deixava sua contribuição, construindo algo mais ou ampliando. Tudo parece ter sido mais grandioso um dia, mas boa parte do templo ainda se encontra em ruínas, o que não me impediu de encontrar coisas curiosas e semelhantes a outras civilizações no mundo.


COMO CHEGAR?

O templo de Karnak é localizado a aproximadamente 3 km do centro da cidade de Luxor. Para chegar lá a partir do centro, pode pegar uma charrete. Como eu estava empolgado no dia, segui andando até lá para ir conhecendo as ruas fora do perímetro turístico. O dia estava bem quente, e não foi nada fácil.

Fiz uma caminhada de 3 km até chegar no templo cuja entrada fica em frente ao Nilo


O sítio arqueológico funciona de 6h às 17h30 diariamente e a entrada 80 EGP (agosto 2014) por pessoa. No centro de visitantes, após comprar o ingresso e passar a bolsa num raio-X, existe uma imensa maquete do complexo de Karnak para se ter uma ideia de como era no passado. Para mais informações, acesse o site oficial de Karnak aqui.

Uma super maquete do Templo de Karnak logo na entrada


O complexo é composto de três grandes templos: Montu, Mut e Amon (o maior deles). Nem todas as áreas estão abertas para visitação, algumas por ainda estarem sendo escavadas, outras por participar de um projeto faraônico de restauração. Mesmo com apenas uma parcela do Templo de Amon acessível, é necessário meio dia disponível para se visitar Karnak.



AVENIDA DAS ESFINGES 

Este caminho de 2.700 metros que ligava o Templo de Luxor a Karnak foi construído pelo faraó Nectanebo I (XXX dinastia) em substituição a uma construção feita pela rainha Hatshepsut (1502-1482 a.C). Hoje em dia, o caminho completo foi obstruído pela construção de casas em cima, sendo possível ter uma noção apenas nas extremidades de entrada dos templos.

A avenida de 2.700 m que ligava Luxor a Karnak era chamada de Processional


Até na avenida das esfinges é possível encontrar obeliscos espalhados


As esfinges são retratadas com cabeça de cabra e, a frente, uma estátua do deus Amon


O TEMPLO DE AMON

O principal templo do complexo de Karnak é dedicado ao deus Amon, o mais venerado pelos reis do Egito antigo. Cada rei construiu uma parte desse grande templo. O culto a este deus começou por volta de 1991 a.C. (XII Dinastia) e tinha uma influência tão forte que influenciou o nome de reis (Amenófilis, Amenhotep, etc.)

A Grande Corte do Templo de Amon


Diferente das outras esfinges de Karnak, esta retrata o faraó


Ao ser relacionado ao deus-Sol, Amon seria o pai de todos os faraós que, como sucessores, recebiam o trono de suas próprias mãos. Diz a lenda que, para gerar seu herdeiro, Amon tomava as feições do faraó reinante e "pegava" a rainha enquanto esta dormia à noite. 

Estátuas de faraós e deuses lado a lado, legitimando a autoridade divida


O teto queimado teria sido caudado por fogueiras feitas por viajantes no passado


O nome Amon significa O Oculto e originariamente era a divindade do ar e do vento, primeiro elemento cósmico a receber a vida no caos antes do universo ganhar forma. Depois Amon foi relacionado com o sol e Amon-Rá era o Pais dos pais. Mais tarde, com a expansão do império egípcio com guerras, Amon foi também reconhecido como deus da vitória.

Aproximadamente 30 faraós contribuíram para a construção de Karnak ao longo de 1.700 anos


Atualmente os templos se encontram em ruínas


Assim como religiões mais modernas reconhecem a reunião de deuses em forma de trindade, no Egito isso era muito comum. No caso de Amon, formava uma trindade com sua esposa Mut, que possui outro templo em Karnak, mais ao sul e com ligação ao seu templo, e seu filho Khons. No espaço entre esses templos, hoje em dia, estão organizados os blocos encontrados nas ruínas do templo de Amon.

Os blocos contém o que restou da simbologia daquelas paredes destruídas


Diferentes formas formam um quebra cabeça para os arqueólogos


Tudo em Karnak era grandioso, assim como o Vaticano é para os católicos ou Mecca é para os muçulmanos. O sumo sacerdote de Karnak se autonomeava chefe de todos os sacerdotes do país e seu poder era grande: a ele cabia administrar os ricos tesouros e bens do templo de Amon e podia chegar mesmo a ocupar postos civis da mais alta importância. Boa parte das rendas do Estado e das conquistas de guerra foram consagradas à Amon.

A referência às estrelas sempre aparece nos templos dos deuses


Palco de filmes como 007 O Espião que me Amava, O regresso da Múmia, Morte no Nilo e Transformers


RESSURGIMENTO DO PASSADO

O templo ficou abandonado por séculos, até meados do século 18 quando já se encontrava coberto pelas areias do deserto. Desde essa época, Karnak passou por escavações e reformas permanecendo ainda hoje em obras de restauração, preservação e até modernização (no seu centro de visitantes), possuindo até recursos para um espetáculo show de luzes e sons à noite.

A restauração não é fácil e evidencia o poder que os egípcios tinham para construir tudo aquilo


Peças de metal colocadas pela restauração para sustentar o pesos dos tempos


Vestígios da pintura da estátua ainda são visíveis


Cenas dos bastidores: o antigo e o moderno que possibilitam o show de luzes à noite


Agora que você já sabe como se escreve WC em árabe, nunca vai passar aperto!


AS COLUNAS DE KARNAK

Uma das características que destaca Karnak é o tamanho das colunas espalhadas pelo templo, mas as maiores estão na Sala Hipóstila. Você sabia que a finalidade dessas colunas era receber as cargas verticais de uma obra arquitetônica? Pois é, essa era a crença dos egípcios, seja de peso, ou seja de energia. 

Em cada canto, um grupo de colunas 


Um estilo diferente de coluna inacabadas


Karnak, por ser o maior de todos os templos não podia ficar para trás, tinha também as maiores colunas já construídas! A Sala Hipóstila de Karnak possuía 134 colunas maciças, dispostas em 16 linhas. 122 destas colunas tinham 10 metros de altura, e as outras 12 tinham 21 metros de altura com um diâmetro de até 3 metros!

A Sala Hipóstila começou a ser construída por Seti I e foi concluída por Ramses II


São 134 colunas gigantes em forma de planta de papiro, quase uma floresta de pedras


As maiores colunas tinham 21 m de altura x 3 m de diâmetro!


OBELISCO DE HATSHEPSUT

Em Karnak está o maior obelisco do Egito, com 27 metros de altura e 340 toneladas de peso, é o Obelisco de Hatshepsut, a única mulher faraó que governou os egípcios.  É o segundo maior obelisco do mundo depois do Obelisco Lateranense, em Roma (32,18 metros).

Os obeliscos simbolizavam os raios do deus sol atingindo a terra


Obelisco de Tutmosis I e o Obelisco de Hatshepsut (o maior do Egito de pé)


Construído com granito vermelho das pedreiras de Aswan


Inscrição no obelisco: “Vós vereis este monumento nos anos vindouros e falarão disto que fiz…”


LAGO SAGRADO

Ao lado do Templo de Amon, está o lago considerado sagrado para os egípcios da antiguidade, pois representava o renascimento pela manhã do deus-sol Amon. Uma coisa interessante e pouco comentada é que na maioria dos templos egípcios havia um lago sagrado onde acontecia rituais de purificação. Prática exercida pelos maias na América Central que construíam seus templos próximos aos cenotes (lagos submersos).

Teria este lago sido o principal motivo da construção do complexo de Karnak naquele local?


Parte de um obelisco encontrado nas escavações do lago


Nas proximidades do lago, existe uma intrigante estátua de granito do escaravelho. Segundo os habitantes da região, se uma pessoa der voltas ao redor dela, a estátua teria o poder de realizar desejos relacionados a fortuna (3 voltas), matrimônio (5 voltas), felicidade (7 voltas) e segredos (8 voltas).

A estátua de escaravelho teria poderes para realizar desejos


As pessoas acabam testando a tradição de dar voltas em torno do escaravelho


CAPELA DE GRANITO

Essa capela construída pela rainha Hatshepsut foi nominada como Capela Vermelha e seria usada como santuário da barca mitológica dos egípcios que era usada na jornada noturna do deus Sol, viajando do horizonte ocidental no pôr-do-sol, por trás da terra, para o horizonte oriental, onde ocorreria o nascer do sol no dia seguinte. 

Foi demolida e recentemente reconstruída usando seus materiais originais


Uma mesa central em granito liso se diferencia das demais construções de Karnak


Desenho de rituais na "tampa da mesa" do centro da capela


O teto da capela possui uma constelação representando o céu noturno


Também havia a crença de que a barca transportava os mortos para a vida após a morte


CURIOSIDADES E MISTÉRIOS 

Enxergar Karnak com a visão macro já é espetacular, mas observei alguns detalhes curiosos nas "entrelinhas" daquilo que os turistas costumam ver. Não cabe a mim tentar explica-las, mas causam uma agitação na cabeça de quem tenta entender se o simbolismo ou o trabalho de execução são assim tão simples quanto se pensa ou se tem algo mais por trás disso...

Um pássaro com várias cabeças. Este simbolismo é encontrado na Grécia, Índia e até na América


Foto de uma estela maia tirada no museu arqueológico da capital mexicana. Repare que este é um ser alado


Furos que lembram um código morse em cima de escritas em cartuchos. Vandalismo ou mensagem?


Observe a perfeição da circunferência esculpida, teoricamente, sem máquinas


Alguns cortes e furos nos blocos de pedra, aparentemente sem finalidade, me chamaram a atenção. Percebi que já tinha visto aquela técnica em algum lugar, mais precisamente no altiplano boliviano. Sítios arqueológicos como Tiahuanaco e Puma Punko possuem muitos sinais de semelhança na técnica empregada. Pode até ser coincidência de aparência ou ter finalidade totalmente diversa no uso dos furos, mas que deixa uma dúvida, deixa...

Corte trapezoide na pedra, muito comum em sítios arqueológicos sul americanos
  

Este único bloco na parede com um furo diagonal na pedra passa despercebido pelos turistas


Qual seria a finalidade dele na parede?


Foto tirada em Tiahuanaco, na Bolívia. A técnica de furos na diagonal é idêntica àquela de Karnak



RETORNO

A volta no meio do sol escaldante da tarde de Luxor não havia muita opção. Resolvi voltar andando, mas o calor era intenso e até o pouco de água que eu tinha já fervia na mochila. Foi então que surgiu essa charrete velha, o "piloto" tinha problema de dicção e o cavalo parecia desnutrido, mas foi a salvação naquele fim de tarde no deserto para retornar os 3 km até o hotel.

Na hora que o sol estava bem forte em Karnak, já não havia turistas ou táxis na saída


A volta foi numa charrete velha por 10 EGP


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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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