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Egito: Perrengues de Luxor até o Sinai pelo Canal de Suez

Cruzando o Egito pelo canal de alto controle militar


Minha aventura pelo sul do Egito terminara em Luxor, a próxima parada seria a Península do Sinai. É difícil chegar lá de uma maneira econômica, sem ter que apelar para o avião. Viajei de ônibus e foi praticamente um dia inteiro perdido em deslocamento... perdido não! um dia ganho para conhecer de perto a vida do povo egípcio de um jeito que nenhum "turista CVC" conhece. 


DE LUXOR PARA O SINAI

Dois dias antes da minha partida tentei comprar passagem Luxor x Sharm El-Sheikh  e descobri que não existe ônibus direto. Eu teria que seguir para a capital Cairo e, de lá, comprar a passagem para o destino que eu queria. No dia do embarque, segui a pé do hotel até a rodoviária com minha mochila. Parecia um ataque zumbi! Vários taxistas e motoristas de charrete me assediando na tentativa de convencer a usar os seus serviços!

Tem que ter muita paciência para aturar os taxistas de Luxor que fazem "vigília" em frente ao hotel


A rodoviária de Luxor, na verdade, não existe. O que existe é uma loja de venda de passagens seguindo por alguns metros à direita da estação de trem, atravessando uma rua. Os ônibus param na rua mesmo para embarque dos passageiros. A empresa que embarquei foi a Go Bus que tinha disponíveis os seguintes horários para o cairo: 10h00, 21h30, 23h00 e 23h45. A passagem custou 90 EGP em agosto de 2014 (o último horário custa 100 EGP).

Trânsito de saída de Luxor pela ótica do motorista do ônibus


Às 21h30 eu já estava no local para embarcar. Parou um ônibus novo e moderno no ponto. Me surpreendi com a qualidade e comecei a embarcar, mas a alegria durou pouco. O motorista informou que não era aquele ônibus, foi então que o meu verdadeiro ônibus chegou: velho, sem banheiro, motorista estressado, etc. O funcionário que embarcava as bagagens me cobrou 5 EGP de taxa de bagagem, até agora não sei se foi uma cobrança prevista.

Trajeto para chegar no Sinai a partir de Luxor


O trânsito na saída estava uma loucura. O ônibus atravessa a linha do trem e um mercado de rua em meio aos carros, pedestres e charretes! Pegando a estrada as coisas não melhoram. O motorista dirigia em alta velocidade e buzinando sem parar a madrugada toda. Para melhorar a situação, alguns passageiros fumavam tranquilamente dentro do ônibus. Depois de desviar até de uma barricada com fogo na estrada, o ônibus fez uma parada numa espécie de "Graal" egípcio. Foram cerca de 8 horas de viagem.


RODOVIÁRIA DO CAIRO

Ao chegar no Cairo, o ônibus não parou na rodoviária, parou próximo à estação de trem. O motorista (que só falava árabe) desembarcou a bagagem com toda "delicadeza", jogando tudo na calçada da rua. No caos de vendedores do lado de fora da estação de trem tentei pegar um táxi para a rodoviária que tivesse taxímetro (meters em inglês). A rodoviária do Cairo se chama Turgoman. O taxista me levou até lá e quando chegou me cobrou 10 EGP, sendo que o taxímetro marcava só 3,70. Discuti e paguei só 5 EGP (gorjeta inclusa).

Chegada em Turgoman, a rodoviária do Cairo


Para entrar na rodoviária é preciso passar a bagagem no raio-x. O meu canivete acusou na tela e o segurança pediu para eu abrir a bolsa. Fui abrir a bolsa enquanto uma moça atrás estava passando a sua também, acabei derrubando a sacola dela com garrafas d´água. Fui pegar e acabei piorando, o saco rasgou e a garrafa caiu estourando no chão. A mulher ficou furiosa e tentando falar inglês: - What is it??!

Canal do Alcorão transmitido em 3 idiomas sem parar


Depois de toda a confusão, comprei a passagem para Sharm el-Sheikh por 75 EGP (agosto 2014). O ônibus partiria às 10h30 (e ainda eram 8h00!!!). Sentei numa pequena praça de alimentação da rodoviária para passar o templo assistindo TV, o problema é que estava sintonizada num canal que transmite a leitura do Alcorão em três idiomas (árabe, inglês e francês). Passei quase 2h30 ouvindo o Alcorão!

Foi difícil descobrir qual é a plataforma de embarque do ônibus


A plataforma de embarque mudou de 3 para 5, o problema é que a mudança foi anunciada em árabe no auto falante do terminal. Um senhor meio suspeito me chamou para embarcar na plataforma 5 só que eu fiquei desconfiado e neguei. Fui perguntar para outros passageiros que confirmaram que ele só queria ajudar, na verdade era o meu motorista...  

Pedestres e carros dividem espaço no trânsito doido do Cairo


São cerca de 3 horas de deslocamento até a passagem do Canal de Suez


O CANAL DE SUEZ

O famoso canal que liga o Mar Mediterrâneo ao oriente, economizando um deslocamento de cerca de 7 mil km, já foi palco de muita confusão. Segundo os historiadores gregos Estrabão e Plínio, a ideia do canal teria sido do faraó Sesostris III. Os engenheiros franceses da Companhia Suez serviram-se desse antigo traçado para construir o atual canal entre 1859 e 1869.

Chegada do ônibus na barreira do Canal de Suez


Mesmo sendo a Península do Sinai um lugar desértico, tem um posicionamento estratégico entre a África, Europa e Oriente Médio (sem falar no petróleo). Isso tudo já é motivo suficiente para ter sido lugar de guerras há muito tempo. Só no século 20, o Sinal viu acontecer conflitos sangrentos como a Guerra de Suez (1956), a Guerra dos 6 dias (1967) e a Guerra do Yom Kippur (1973). O Canal de Suez sempre foi um limite, uma barreira contra o avanço de tropas em direção ao Cairo, por isso o lugar é fortemente militarizado até hoje.

Área militar onde os ônibus são revistados antes de atravessar o canal


Existem três pontos de passagem do canal, um ao norte em Port Said, outro no centro em Ismaília e o terceiro ao sul, na cidade de Suez. A fiscalização é forte nesses pontos, principalmente para evitar a passagem de terroristas vindos do Oriente Médio. 

A passagem é subterrânea, por baixo do Canal de Suez


Assim que o ônibus chegou na barreira de controle, foi direcionado para uma área militar e todos os passageiros foram intimados a descer, pegar sua bagagem e abrir para ser revistada. Eu era o único estrangeiro naquele ônibus, chamando a atenção com meu mochilão, então o soldado veio direto em mim, com uma postura carrancuda. Pediu meu passaporte enquanto já revistava o interior da mochila. Foi então que aconteceu algo que eu não esperava, ao ver que eu era brasileiro, o soldado egípcio abriu um sorriso e gritou para os demais: - brazilian! Mudou totalmente a postura para um tom amistoso e começou a brincar (em árabe, eu não entendia nada). Nessas horas eu vejo (e agradeço) o quanto o Brasil é amado no exterior.

O canal não possui eclusas, pois todo o trajeto está ao nível do mar


A travessia pelo canal não foi feita com pontes, mas por um túnel subterrâneo bem estruturado. Ao chegar no lado do Sinai parece que a civilização ficou para trás. Várias áreas fortificadas e guaritas militares protegem o canal, parecem cicatrizes das guerras. Por um longo trecho a estrada corta por regiões desérticas, quentes, sem casas e com altas colinas. São mais de 6 horas de deslocamento até chegar em Sharm el-Sheikh.

Paisagem típica do interior da Península do Sinai


CHEGADA EM SHARM EL-SHEIKH

Depois de passar por mais um posto de controle do exército egípcio (checar de novo meu passaporte) e parar num restaurante de beira de estrada no meio do deserto, enfim o ônibus chegou em Sharm el-Sheikh no final da tarde. A paisagem muda completamente. A rodoviária fica num local meio distante da praia e dos hotéis, a solução seria pegar um táxi, mas antes eu já compraria minha passagem de Alexandria, meu próximo destino daqui a 3 dias.

A paisagem muda completamente e parece ser de outro país


Na entrada de Sharm el-Sheikh tem um logotipo de A Mochila e o Mundo, só falta o M


Perguntei ao funcionário da empresa onde eu comprei a passagem qual era o valor médio de uma corrida de táxi até o local do hotel. Assim, eu consegui negociar com o taxista que joga o preço inicial nas alturas. Fiz a corrida por 30 EGP (menos de R$10). O nome do taxista que fechei era Hossam e seu contato 01006015362.

Lista de horários e destinos na rodoviária de Sharm el-Sheikh (clique para ampliar)


MEU ROTEIRO

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Sobre o autor

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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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