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Chapada dos Veadeiros: O trekking selvagem no Sertão Zen

Uma longa trilha pelas terras isoladas da Chapada dos Veadeiros


Quando eu descobri o trekking do Sertão Zen através de descrições na internet, logo me identifiquei, é o meu estilo de trilha: longe da civilização, trilha que some em certos pontos e totalmente grátis. O tipo de aventura que é certeza de isolamento e desafio para conseguir chegar no objetivo. São cerca de 18 km de ida e volta e normalmente as pessoas costumam fazer com guia. Cheguei a ler relatos de pessoas que tentaram fazer sozinhas e passaram perrengue para encontrar a trilha na volta. Planejei para cumprir essa missão no dia 1 de janeiro de 2016, ou seja, começando o ano bem!


COMO CHEGAR NA TRILHA?

O primeiro desafio é chegar no início da trilha. A partir do centro da cidade de Alto Paraíso são 5 km que podem ser percorridos de carro. Siga a rua principal até a Praça do Bambu, depois vire a Rua do Segredo (direita) até chegar numa bifurcação que tem uma placa indicando a direção da Cachoeira Loquinhas, siga pelo outro caminho, ou seja, pela esquerda. Vai começar uma rua de terra que vai cruzar o Rio São bartolomeu por uma ponte. Depois da ponte tem uma subida e depois aparece outra bifurcação, é só seguir pela esquerda até passar pela "Mãe D´água", um grupo esotérico, e estacionar antes da porteira aonde termina essa rua de terra. A trilha começa pela margem da cerca, perto do espaço de estacionamento. Se você tiver um GPS, é possível obter o tracklog através do site Wikiloc.

A rua de terra é estreita, só passa um carro por vez


A trilha começa beirando a cerca (direita) e sobe em direção ao Morrão


A SUBIDA DO MORRÃO

A percurso do início da trilha até o topo do Morrão possui cerca de 1 km. É uma subida íngreme numa trilha bem marcada, mas o melhor é ir parando para descansar e admirando a paisagem que, quanto mais alto, mais detalhes de Alto Paraíso podem ser vistos. Depois de uma escadaria de pedras se chega no alto, onde tem um marco indicando o número "8". Dali são mais 8 km até o final da trilha.

Subida num desnível de 300 metros


Lá de cima, pode-se observar Alto Paraíso, Moinhos, Morro da Baleia e Pouso Alto (1.676 m)


Na etapa final da subida está uma escadaria formada de pedras


No alto do Morrão, que faz parte da Serra da Baliza, a caminhada continua por uma trilha que se bifurca mas se encontra de novo a frente. Segui pela direita, contemplando os vales, uma vista sensacional do relevo da região. A vegetação nessa área também é bastante interessante e diferente do que estamos acostumados em ver, classificada como cerrado de altitude.

Platô da Serra Geral do Paranã


AS GERAIS DO CERRADO

A trilha leva para uma planície que inicialmente é repleta de pedras, onde alguns chamam de Portal do Sertão Zen. Cada vez a paisagem fica mais aberta e a trilha continua bem nítida, sem perigo de se perder por enquanto. É comum observar a vegetação baixa com frutas selvagens. E por falar em selvagem, além dos pequenos insetos, o isolamento do local pode trazer alguma surpresa, como tatus ou cobras. A partir de um ponto, apareceu na trilha uma série de pegadas que parecia de um grande felino que passou por ali. Apesar de estarem em quase-extinção, a região abriga animais como a Suçuarana e a Onça Pintada. Neste momento, a tensão aumentou e eu segui a trilha em atenção total.

A trilha corta as gerais em meio às terras selvagens


Frutinhas da vegetação


Uma estranha aranha do cerrado na trilha


Pelo tamanho da pegada, não era nenhum gatinho que passou por lá


A trilha passa também por enormes formigueiros. Em certo ponto aparece outra bifurcação, dessa vez o caminho correto é seguir pela direita, onde a trilha vai em direção ao curral. Desde o marco do alto do Morrão até esse ponto já foram 4,5 km de trilha percorridas.

Cupinzeiro com duas "torres" encontrado nas gerais


CURRAL

A trilha passa em frente a uma pequena casa de madeira e um curral. Tudo vazio e abandonado. A partir dali a trilha segue descendo em direção ao rio, passando por terrenos de terra preta, sujeita a lama. Começam a aparecer as pedras pelo caminho, mescladas com a vegetação, e creio que seja essa paisagem que tenha originado o nome "Sertão Zen", pois lembra o tipo de jardim japonês enfeitado com pedras.

Pequeno curral abandonado


Pedras e vegetação de cerrado forma a paisagem típica


Foto tirada no jardim japonês de Buenos Aires (2013), cujo estilo lembra a paisagem do Sertão Zen


NASCENTE DO RIO MACACO

Ao chegar no Córrego Ferreirinha, que é a nascente do Rio Macaco, a coisa começa a complicar. O terreno fica bastante pedregoso e a trilha já não é tão nítida, tem que se ter atenção para não se perder. A trilha segue beirando o córrego com pequenas quedas de água escura através dos lajeados de pedra.

A água escura através do Córrego Ferreirinha


As pedras estão em toda parte, das mais simples às mais exóticas


O córrego segue até formar a Cachoeira do Sertão Zen


MIRANTE DA CACHOEIRA DO SERTÃO ZEN

A trilha agora passa pelas pedras e fica bem difícil seguir, é preciso ter atenção onde se anda. Pisando de pedra em pedra, a trilha termina em lajes que formam um mirante para o espetacular Vale do Rio Macaco, uma das paisagens mais bonitas que eu vi na Chapada dos Veadeiros. 

Fica mais complicado em identificar a trilha no meio das pedras


Vista de um dos pontos do mirante


A partir do mirante, se vê a Cachoeira do Sertão Zen, que mede 150 metros de altura e desce pelo paredão de pedras para formar o Rio Macaco. Este é o lugar onde se deve parar e descansar dos 9 km caminhados até então. Paisagem inesquecível!

As pedras, a mata e a cachoeira são verdadeiras obras de arte


A bela queda da Cachoeira do Vale Zen


Lugar para descansar e meditar


BANHO INCA

Mesmo depois de um descanso nas pedras do mirante, a aventura não pára por aí. A volta é a parte mais difícil de identificar na trilha, mesmo com o GPS em mãos era fácil de tomar a direção errada, pois a vegetação é fechada e, pela quantidade de pedras, fica complicado achar o caminho. Depois de me enfiar no meio do mato e me ralar um pouco nas pedras, desci em direção da parte alta da Cachoeira do Sertão Zen. Antes da queda das águas no abismo, existe uma pequena cachoeira e um poço, local cercado de pedras e com uma vista igualmente linda do vale do Rio Macaco. 

Depois de me embrenhar na mata, cheguei nas lajes do Banho Inca


As águas são escuras e cercadas de pedras que parecem encaixadas


Um lugar da Chapada que poucos tem a oportunidade de conhecer


Início da queda da cachoeira


Esse local é apelidado do Banho Inca. Acredito que esse nome veio da semelhança da pedras do local com aqueles existentes na Bolívia e Peru em que existem pedras talhadas pelos Incas em forma de assentos na beira de locais banhos. Este é o ponto final do Sertão Zen, o trekking que satisfez minha expectativa pelo isolamento: só encontrei no caminho dois casais, um estava com guia e o outro com GPS. Com certeza, o meu lugar preferido da Chapada dos Veadeiros.

Pedras em formato de banco sugerem o motivo do nome de "Banho Inca"


Um verdadeiro lugar paradisíaco para finalizar a aventura


Um poço tranquilo que se transforma numa queda de 150 metros


MAPA DO SERTÃO ZEN

O mapa abaixo identifica os principais pontos do Sertão Zen e mostra, ainda, o caminho de uma travessia desde o povoado de Moinhos até o Vale do Rio Macaco.



MEU ROTEIRO


Roteiro completo: CHAPADA DOS VEADEIROS

Próximo: CAVALCANTE


3 comentários :

  1. Muito bom o relato. Contém as principais informações do atrativo. O acampamento foi montado próximo ao banho inca?

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  2. olá. essas fotos foram tiradas em qual mês? foi na época da seca?

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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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