Grécia: Museu Arqueológico de Heraklion, em Creta

Um museu pouco conhecido mas um dos mais interessantes e importantes da Grécia


Depois de visitar o Palácio de Knossos, desci do ônibus perto deste museu. Recebi uma boa notícia ao saber que aquele era o dia internacional dos monumentos e que o Museu de Heraklion tinha a entrada franca e, assim como em Knossos, consegui economizar!


INFORMAÇÕES ÚTEIS


O ticket de entrada custa 6 euros, tendo a opção de pagar 10 euros pelo "pacote especial" que inclui a entrada no sítio arqueológico de Knossos. Os dias de entrada gratuita são: 28 de outubro, 6 de março (em memória de Melina Mercouri), 05 de junho (Dia Internacional do Meio Ambiente), 18 de abril (Dia Internacional de Monumentos), 18 de maio (Dia Internacional dos Museus), a última semana de setembro (Jornadas Europeias do Patrimônio) e todo primeiro domingo entre 1 novembro e 31 março.

O prédio de dois andares, tem grandes espaços para exposições


O funcionamento do museu segue o seguinte planejamento:

Inverno (1 de novembro a 31 de março)
Segunda-feira: 11h00-17h00
Terça-feira a domingo e feriados: 08h00-15h00

Verão (1 de abril até 31 de outubro)
Segunda-feira: 8h00-20h00
Terça-feira a domingo e feriados: 8h00-20h00


AS SALAS DO TÉRREO DO MUSEU

As coleções do museu incluem obras de arte únicas, encontradas em escavações em toda a parte central e oriental da ilha de Creta e que abrange um período cronológico de cerca de 7.000 anos, desde o neolítico (7.000 a.C.) até o período romano (3º século d.C.). Incluem: cerâmica, objetos de pedra esculpida, selos, pequena escultura, objetos de metal e pinturas de parede, que foram descobertos em palácios, mansões, assentamentos, monumentos funerários, santuários e cavernas. 

Cara a cara com os objetos minóicos


O touro é um exemplo característico da arte minóica e seu principal símbolo religioso. Abaixo está um vaso de libação, que era preenchido com líquido através de um buraco no pescoço e era esvaziado através de um outro buraco no focinho.

Vaso de libação do touro, o símbolo religioso dos minóicos


Outra representação do touro em cerâmica 


Um ornamento comum dos palácios minóicos e que representava o chifre do touro sagrado


Os machados minóicos têm um estilo marcante, que lembram os ornamentos de chifre


Esta tigela de barro com flores brotando em alto relevo é um dos melhores e mais originais exemplos da policromia do estilo Kamares que se desenvolveu em Creta. As flores, narcisos e lírios, chamam a atenção e dão exclusividade ao vaso. Este objeto requintado pode ter sido usado em banquetes no Palácio de Festos. Outros vasos expostos no museu também se destacam.

Um vaso com flores em estilo único


Outro vaso do museu com interessantes detalhes esculpidos


Este vaso "siamês" é interligado tanto na alça quanto no conteúdo


A figura  feminina e os casais também são retratados em objetos bem diferentes. Abaixo pode se ver o "cabelo" de uma estátua de mulher e o desenho de um casal vivendo uma cena carinhosa da antiguidade.

Como uma peruca de pedra, este objeto representou a cabeleira de uma dama de Creta


Cena que mostra o carinho entre um casal através de toques


Mas nem só de coisas bonitas e românticas se forma este museu. Urnas fúnebres de pessoas e animais também estão expostas. Outro objeto que chama a atenção é um capacete de combatente destroçado em alguma guerra do passado.

Urna funeral com a ossada de um homem


Os cavalos também recebiam um enterro digno


Este guerreiro provavelmente terminou o combate com uma espada cravada na cabeça


Outros objetos curiosos e jamais vistos também estão expostos entre as diversas peças do imenso museu. Se possuiam algum significado ou simbolismo, estes se perderam com o tempo e nos cabe apenas admirar.

A maquete de uma casa de Creta e suas colunas no estilo de Knossos


Três colunas com três pássaros. Seria um símbolo ou apenas uma peça de artesanato antigo?


Escultura que pode representar um monstro marinho


Disco de ouro com a figura de um homem contorcionista 


A MAQUETE DE KNOSSOS

O museu ainda possui uma maquete em madeira que tenta reconstituir o Palácio de Knossos por completo. É impressionante imaginar a imensidão dessa construção que supostamente foi o local da lenda mitológica do labirinto do Minotauro.

A maquete do Palácio de Knossos foi toda esculpida em madeira


Um verdadeiro labirinto do rei Minos de Creta


O DISCO DE FESTOS

A mais importante peça do museu é o lendário Disco de Festos (Phaestos). É um raro exemplo de escrita pictográfica minóica, única no seu gênero. Foi descoberto dentro de uma pequena sala do Palácio de Festos. Ambos os lados do disco possui sinais impressos numa única linha em espiral que começam na extremidade e terminam no centro. A inscrição usa 45 sinais diferentes, que são repetidas e agrupadas para formar palavras separadas por incisões verticais. 

Até hoje ninguém pôde decifrar a misteriosa escrita do disco 


Os sinais foram prensados com o barro não cozido usando selos e por esta razão o disco é considerado como o mais antigo exemplo conhecido de tipografia. Uma curiosidade que poucos sabe é que vários sinais dessa inscrição aparecem em um machado de Arkalochori.

Machado de Arkalochori (imagem da internet)


SALA DE ESCULTURAS GRECO-ROMANAS

Ainda no térreo, mas numa sala separada das demais peças, está a sala das esculturas greco-romanas clássicas. Neste setor existe a restrição de fotografar algumas esculturas. Um dos funcionários do museu explicou que as esculturas proibidas de fotografar no museu são aquelas recém chegadas, ainda não catalogadas e publicados seus estudos.

A beleza dos detalhes anatômicos marca a exposição greco-romana


Afrodite é uma das peças mais famosas e belas da coleção


Várias cabeças decepadas de mármore mostram a variedade artística


Os detalhes do cabelo e do rosto são bem realistas...


...e surpreendem pela diversidade de feições 


Várias versões do deus grego Pan


Uma das estatuas impedidas de ser fotografada: uma estranha pessoa envolvida numa serpente


E por falar em serpente, a face da Medusa enfeita o corpo desta estátua


SALA DOS AFRESCOS 

Ao subir a escada para o segundo piso se chega na sala dos afrescos originais encontrados, em sua maioria, no Palácio de Knossos. Ali, como nas pinacotecas européias, existem bancos para sentar e apreciar as pinturas.

Lugar para parar e apreciar as pinturas minóicas


Um dos afrescos mais famosos é o que representa a taurocatapsia, um evento esportivo famoso e perigoso da Creta minóica. A competição de pular sobre o touro consistia em agarrar os chifres do e pular sobre o dorso do animal e, finalmente, o cair por trás dele. O afresco é parcialmente preservado e mas foi totalmente restaurado.

Afresco que retrata a Taurocatapsia


Afresco "As Três Rainhas" de Knossos


SALAS DO SEGUNDO ANDAR

O segundo andar é tão interessante quanto o primeiro. A prova de que este museu arqueológico se destaca entre vários que eu já visitei pelo mundo é a variedade de itens curiosos e raros. Veja abaixo alguns exemplos disso:

O museu possui 2 andares de belezas e curiosidades arqueológicas


Estes talvez sejam os primeiros soldadinhos de chumbo da humanidade


Esta peça possui uma face humana e parece uma escova de dentes


Observe este capacete exótico da estátua de combatente


Seres mitológicos bastante feios


Escudos de diversos tamanhos e detalhes


Estatuetas de seres alados de uma época anterior aos anjos católicos


PEÇAS MISTERIOSAS DO MUSEU

Agora vamos falar dos itens do museu que mais me chamaram a atenção, seja pela excentricidade ou pelos mistérios que os envolvem. Veja com seus olhos e chegue a sua própria conclusão sobre as peças exóticas abaixo:

Caixão de cerâmica com uma cavidade para encaixar a cabeça do morto. Será que foi adaptado?


Pan é um deus muito comum e venerado na mitologia grega. Esta peça em ouro lembra outro deus asteca...


...Tonatiuh, o deus do sol asteca, está representado no centro da Pedra do Sol, no museu arqueológico da Cidade do México


Um símbolo milenar da evolução humana e que foi utilizado pelos nazistas insanos também aparece neste museu: a cruz suástica. No segundo andar, meio despercebidos entre vários objetos funerais encontrados em tumbas minóicas, estão estes itens marcados com a suástica, provando que este é um símbolo muito mais antigo na história do mundo e com um significado bem diferente do que o Nacional Socialismo alemão o usou. Até mesmo na distante ilha de Creta vemos este símbolo ancestral.

Miniatura de pássaro com símbolos da suástica encontrado em uma tumba. Qual seria seu significado?


Peça de ouro também enfeitada pela suástica


Agora um pouco de mistério para os entusiastas da teoria dos antigos astronautas: cabeças do que sobrou de estatuetas antigas de um ser humanoide com feições bem parecidas com as descrições de seres extraterrestres (!). Outras estatuas representam humanos com as mãos voltadas aos céus em posição de culto. Uma dessas estátuetas, com a cabeça usando uma diadema decorada com três papoilas, símbolos de saúde e de euforia. Este grupo de estatuetas foram descobertas em um santuário em Gazi.

Essas cabeças de estatuetas representariam seres extraterrestres?


Pessoas em posição de veneração de algum deus antigo vindo dos céus


Um item que passa despercebido por se tratar de um mero vaso, lembra um antigo símbolo egípcio: a coluna de Djed. Este milenar símbolo que aparece em hieróglifos e pinturas nos templos do Egito é bastante polêmico. Oficialmente a coluna de Djed é um símbolo associado ao deus Osíris e supõe-se ser uma representação de sua coluna vertebral. Essas explicações não convencem a todos, e com razão, e isso faz a imaginação arquitetar outras coisas como a possibilidade de representação de uma máquina capacitora de energia.

Recipiente em formato que lembra a egípcia e mitológica Djed


Foto das colunas de Djed do Templo de Abydos, no Egito


MAPA DO MUSEU


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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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