Travessia Lapinha x Tabuleiro: Como planejar?

Informações úteis para a execução de uma das travessias mais interessantes do Brasil


Uma travessia clássica na região da Serra do Cipó que é feita do vilarejo de Lapinha da Serra até o vilarejo de Tabuleiro, em Minas Gerais, distante um pouco mais de 100 Km de Belo Horizonte. No total, são 42 Km de caminhada percorridos em 3 dias, atravessando paisagens incríveis e isoladas da civilização por antigas trilhas de gado. Foi considerado um dos 8 trekkings imperdíveis do Brasil pela revista Go Outside.


COMO CHEGAR?

De carro:
Para chegar no ponto inicial (Lapinha da Serra) o acesso é pela MG–10, até o distrito da Serra do Cipó. De lá, segue 30 Km para a pequena cidade de Santana do Riacho-MG. Ao chegar em Santana do Riacho, basta seguir até a Praça central e pegar a rua que passa pela lateral direita da igreja, seguindo por mais 12 km de estrada de terra até chegar no vilarejo de Lapinha. 

A estrada que liga a Serra do Cipó a Santana do Riacho é asfaltada


De ônibus:
É necessário seguir para a rodoviária de Belo Horizonte. A empresa Saritur faz o trajeto até a cidade de Santana do Riacho. No período que eu fiz a travessia, esta empresa não estava vendendo passagens pelo site, sendo necessário comprar pessoalmente no guichê. Tel: (31) 3272-8525 

Guichê da empresa Saritur na rodoviária de BH


A partir de Santana do Riacho, um transporte regular para Lapinha é a carona no ônibus escolar que sai do lado da igreja às 12h00 (somente dias úteis!). Existe também a opção de contratar alguém para levar de carro, kombi ou moto perguntando nos botecos em torno da praça. Como eu cheguei num sábado e não havia aula, fui para a estrada de Lapinha e consegui uma carona. 

Horários (não confirmados) de ônibus para a região


De avião:
Para quem vem de longe, é possível pegar um vôo até Belo Horizonte, no Aeroporto Tancredo Neves, e seguir até a rodoviária de ônibus, sem gastar dinheiro com táxi. Basta pegar o ônibus da Empresa UNIR que liga o aeroporto e a rodoviária com saídas com intervalos de 15 ou 30 minutos. O valor é R$ 11,20. Para voltar para o aeroporto, procure o guichê da empresa em frente a descida da plataforma E na rodoviária.


APÓS A TRAVESSIA

De carro:
Lembre-se que isto é uma travessia, se for de carro terá que retornar para o ponto inicial para buscá-lo. Não é não simples retornar de Tabuleiro para Lapinha da Serra pois não existe estradas que ligam diretamente e muito menos transporte público regular. Tenha paciência pedindo carona, pague um táxi (bem caro) ou combine com um amigo de buscá-lo em Tabuleiro. Um bom ponto de informações é o Bar da Ceci.

De ônibus:
A partir de Tabuleiro, siga para a cidade de Conceição do Mato Dentro-MG. Não é fácil ter transporte de Tabuleiro a Conceição, sendo necessário contratar um carro (ouvi falar em torno de R$ 80) ou pedir carona. Também tem o ônibus escolar que sai as 11h00 da igrejinha de Tabuleiro nos dias úteis. A Viação Serro faz o transporte entre Conceição do Mato Dentro e Belo Horizonte (07h30, 14h, 18h15 e nos domingos às 16h30). São 3h40min de viagem pelo valor de R$ 42,40. Tel: (31) 3201-9662.

O pequeno vilarejo de Tabuleiro visto a partir do Parque


SANTANA DO RIACHO

Santana do Riacho é um pequeno município da Serra do Cipó que é ponto de partida para chegar em Lapinha da Serra. É caminho da Estrada Real e foi muito usado  por viajantes que iam da antiga Vila Rica a Diamantina. Hoje em dia é o destino para quem chega de ônibus para fazer a travessia de Lapinha da Serra até Tabuleiro.

A praça central de Santana do Riacho 


Monumento que retrata os indígenas e exploradores da região na praça central 


Casas antigas ainda fazem parte da arquitetura deste pequeno município que engloba Lapinha


LAPINHA DA SERRA

A Lapinha foi fundada por apenas três famílias que trabalhavam em fazendas da região, no início do século passado. A estrada que dá acesso a Lapinha foi construída há pouco mais de dez anos, sendo que os moradores ainda estão se acostumando com o turismo. A vila possui algumas dezenas de casas e não há ainda infra-estrutura totalmente adequada para o turismo. Possui poucas pousadas, campings e casas para alugar que são as opções de hospedagem.

A praça central de Lapinha mostra que o ambiente de roça ainda é comum por lá


Além do Pico da Lapinha de onde se atravessa até Tabuleiro, o vilarejo possui inúmeras belezas naturais como as cachoeiras do Bicame, Lajeado, Rapel, Paraíso e o Poço do Boqueirão. A principal atração é a Lagoa da Lapinha que é a sua "praia".

O esverdeado Poço do Boqueirão e seus peixes


 A paisagem pitoresca da Lagoa da Lapinha


CACHOEIRA DO TABULEIRO

Localizada à 19 Km de Conceição do Mato Dentro, a Cachoeira do Tabuleiro é a mais alta de Minas Gerais e a terceira do Brasil. São 273 m de queda livre (equivale a um prédio de 91 andares). Na sua parte baixa possui um poço de cerca de 20 m de profundidade acessível através de uma trilha de 2 Km entre pedras que não é nada fácil. Na parte alta, a vista é impressionante, mas também é difícil chegar na boca da cachoeira.

A trilha para a Cachoeira do Tabuleiro (ao fundo)


9 DICAS PARA FAZER A TRAVESSIA

1) GPS - Costumo fazer as trilhas por conta própria, sem guias, assim fica mais emocionante! Mas para isso, um conselho que dou e pratico é usar um aparelho GPS para não se perder. O tracklog (trajeto) da travessia pode ser baixado no link do site Wikiloc.

Com Lapinha ao fundo e com GPS em mãos para a travessia


2) GUIAS - Para quem deseja fazer a travessia com um guia, existe o Centro de Condutores Nhangatú Expedições cuja sede fica perto da praça central de Lapinha. Para fazer contato basta ligar para o telefone público da praça e solicitar a quem atender que chame o condutor disponível na sede. Funciona, teoricamente, às sextas, sábados e feriados de 08h00 às 22h00 e nos domingos de 08h00 às 14h00. Tel: (31) 3718-6171. Outros contatos: (31) 9135-0101 e (31) 8431-9136 

3) NÃO TEM - Nem em Lapinha e nem em Tabuleiro você encontra posto de gasolina, banco, caixa eletrônico, internet, farmácia, hospital e oficina mecânica. Alguns estabelecimentos e pousadas aceitam cartão, mas é melhor se prevenir e levar dinheiro em espécie.

4) ACAMPAMENTO - Durante a travessia existe 2 pontos de apoio para acampar. O primeiro pernoite pode ser feito na casa da Dona Ana Benta que é sinalizada por placas. Lá se cobra os seguintes valores: camping R$15, quarto R$50 e comida R$15. Já para o segundo pernoite existe a casa da Dona Maria que oferece seu terreno para acampar sem cobrar nada por isso. Ali não existe qualquer estrutura de apoio, apenas o terreno e uma nascente ao fundo.

Acampamento no terreno da Dona Maria


5) COMIDA - Meu alimento para os 3 dias foi um saco de sanduíche de queijo com ovo, barra de proteína e bananada. Em Lapinha, na rua que dá acesso ao início da trilha, existem restaurantes regionais. Antes de iniciar a caminhada, comi minha última refeição no restaurante Caminho da Serra. O valor do prato de comida é R$ 15 e você pode se servir a vontade (só uma vez).

Bar e restaurante Caminho da Serra se destaca pela estátua do Chaves


6) ÁGUA - Nem todas as fontes de água encontradas no caminho são potáveis. As fontes confiáveis são as seguintes: o trecho inicial na subida da serra quando a trilha cruza com pequenos riachos, o Rio Parauninha, a casa da D. Ana Benta, a porteira da Água Preta e a nascente da casa da D. Maria. Se possível, tenha pastilhas para purificar água e use-as.

Sempre levo pastilhas purificadoras de água para garantir


7) CARRAPATOS - Por ser um imenso local de pasto, na região em que acontece a travessia existem pequenos carrapatos no mato baixo. Não é preciso pânico quanto a isso, apenas se prepare para a possibilidade de encontrar esses pequenos parasitas grudados em sua canela. Se quiser evitar, use calça comprida e repelente.

8) RESPEITO - Nos vilarejos ainda são preservadas tradições de interior, de roça, portanto não ande com roupa de banho pelas ruas pois é considerado desrespeito com os moradores. Também é proibido andar de moto ou carro na beira da lagoa de Lapinha, além do manancial de água que desce do Pico do Breu e abastece a cidade e que não se deve nadar lá.

9) LIXO - Carregue consigo uma sacola para colocar todo o lixo não orgânico que acumular na travessia. Evite também deixar esse lixo nos vilarejos, a coleta de lixo não é comum como nas cidades.


MAPA DA TRAVESSIA


CUSTOS (agosto de 2015)

Ônibus comum para a rodoviária - R$ 3,40
Ônibus RJ/BH (Empresa UTIL) - R$ 93,95
Ônibus para Santana do Riacho (Empresa Saritur) - R$ 36,05
Almoço em Lapinha - R$ 15
Entrada para Cachoeira do Tabuleiro - R$ 10
Conceição do Mato Dentro/BH - R$ 42,40
Ônibus BH/RJ (Empresa COMETA) - R$ 90,50


MEU ROTEIRO 

Para acompanhar o "passo a passo" dessa aventura, acesse os links abaixo:




2 comentários :

  1. Gratidão por divulgar as cachoeiras gigantes do Brasil, Minas Gerais e a cachoeira do coração Tabuleiro, única cachoeira de cristal do mundo.
    Sou Samuel guia no Tabuleiro e proprietário da Pousada da Gameleira.
    Será um grande prazer receber e guiar voces pela cachoeira do Tabuleiro na parte de cima e outras 70 cachoeiras na região, maravilhas do nosso quintal, compartilhando energias e vivencias espirituais, reforçando o encontro da vida na natureza e nossa arvore gameleira com 458 anos.
    Paz luz felicidades.
    Inté namaste!
    Samuel ace
    reserva@pousadadagameleira.com.br
    31-99263-2968 whatsapp

    ResponderExcluir
  2. Boa tarde! Gostaria de fazer uma sugestão. No roteiro de avião para Lapinha, sugiro que, ao invés de tomar um ônibus para Belo Horizonte, se tome uma lotação para Lagoa Santa no terminal urbano do aeroporto (linha 3011 - Lagoa Santa x Aeroporto), que vai até a rodoviária de Lagoa Santa. Lá, basta esperar o ônibus de BH para Santana do Riacho, que passa por Lagoa Santa aproximadamente 1 hora depois de sair de Belo Horizonte.

    ResponderExcluir

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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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