Grécia: Knossos e a lenda do labirinto do Minotauro

Um local lendário desde a antiguidade da ilha de Creta


Knossos é o local do palácio mais importante e mais conhecido da civilização minóica. Segundo a lenda, foi a morada do lendário rei Minos. O Palácio também está conectado com lendas mitológicas, como o mito do labirinto com o Minotauro e a história de Dédalos e Ícaro. Na minha passagem pela ilha de Creta, Knossos era um dos principais objetivos de exploração.


COMO CHEGAR?

As ruínas do Palácio de Knossos ficam a cerca de 6 Km da cidade cretense de Heraklion e pode ser acessada facilmente através de ônibus urbano. No terminal de ônibus próximo ao porto sai o ônibus número 2 que deixa em frente ao sítio arqueológico. Uma saída a cada 20 min e a viagem dura cerca de 25 min. Uma dica importante é já comprar a passagem de ida e volta no guichê da empresa que custa 1,50 euros cada. Pagando direto no ônibus o valor sobe para 2 euros.

O ônibus para Knossos neste ponto do terminal. O placar eletrônico informa os horários de saída


Ao chegar na bilheteria de Knossos tive uma boa surpresa, era Dia Internacional dos Monumentos e, neste dia, todos os sítios arqueológicos costumam ter entrada franca no país. Economizei 6 euros do valor do ticket. Os dias de entrada gratuita são: 06 de março, 5 de junho, 18 de abril, 18 de maio, a última semana de setembro, 27 de setembro, domingos no período entre 1 de novembro e 31 de março e demais feriados nacionais. O funcionamento é de 08h00 às 19h00 diariamente. 

Entrei de graça em Knossos no Dia dos Monumentos


A LENDA DO MINOTAURO

Conta a lenda que o Rei Minos pediu a Poseidon para que se tornasse rei. O deus aceitou lhe dar a realeza em troca do sacrifício de um certo touro branco em sua homenagem. Quando recebeu o touro dos mares, o novo rei ficou tão impressionado com a beleza do animal que resolveu sacrificar outro touro, tentando enganar o deus dos mares. 

O palácio do rei Minos é citado da mitologia grega


Poseidon descobriu e entrou em ira. Como castigo fez com que Pasífae, a esposa de Minos, se apaixonasse pelo touro. Ela engravidou do animal (não me pergunte como!) e da união nasceu o Minotauro. Desesperado, Minos pediu a Dédalos e a seu filho Ícaro que construíssem um labirinto gigante para prender o monstro. O labirinto então foi construído no subsolo do Palácio de Knossos.

Apesar da lenda afirmar que o labirinto ficava em Knossos, até hoje ele não foi achado


Após vencer em combate e obter o domínio de Atenas, o rei de Creta ordenou que fossem enviados, todo ano, sete rapazes e sete moças de Atenas para serem devorados pelo Minotauro. Após o terceiro ano de sacrifícios, o grego Teseu resolveu ir à Creta matar o Minotauro.

O palácio foi uma das construções mais sofisticadas da engenharia minóica de Creta


Ao chegar na ilha, Ariadne, filha do rei Minos, se apaixonou pelo herói grego e resolveu ajudá-lo, entregando-lhe um novelo de lã para que Teseu pudesse se guiar pelo labirinto e não se perder no retorno. Foi então que Teseu conseguiu matar a criatura e salvou outros atenienses que ainda estavam vivos dentro do labirinto.

As primeiras construções datam de 2.000 a.C.


AS CORES DE KNOSSOS

As paredes e pavimentos eram revestidos com um vermelho pálido derivado de ocre vermelho. Nas paredes eram exibidos afrescos. Nas pinturas eram registradas cenas do cotidiano das pessoas, seres mitológicos, animais, vegetação e coisas relacionadas ao mar. 

As salas restauradas do palácio tentam recriar as cores do passado


A Sala dos Afrescos está totalmente restaurada, desde o teto...


... até o subsolo (onde supostamente estava o labirinto do Minotauro)


Parecida com a arte dos egípcios, certas convenções podem ser percebidas como, por exemplo, as figuras masculinas sendo mostradas com pele mais escura ou mais vermelha do que figuras femininas. Os afrescos originais se encontram atualmente no Museu Arqueológico de Heraklion.

Cópia do afresco que se encontra no Museu Arqueológico de Heraklion


Cenas do cotidiano em afrescos externos


Uma das imagens mais curiosas e cotidianas que ficou registrada nos afrescos é a Taurocatapsia, ou Salto do Touro. Este era um ritual realizado em adoração ao touro. Consistia em um salto acrobático sobre um touro ao segurar seus chifres e usar o impulso do seu pescoço para cima ao tentar golpear o saltador, dando assim saltos mortais sobre o animal. 

O Salto do Touro era praticado por atletas de ambos os sexos


O afresco denominado Taurocatapsia


ENTRADA NORTE

O principal símbolo do sítio arqueológico de Knossos é a chamada Entrada Norte. O destaque para esse lugar é o impressionante afresco em alto relevo do Touro de Minos. Parte da construção se encontra restaurada.

Em meio às ruínas, certas construções foram restauradas


Uma delas é a Entrada Norte com o afresco do Touros de Minos


O que diferencia este dos demais afrescos é sua arte em alto relevo


VASOS GIGANTES

No palácio também foram encontrados serviços de Olaria. Alguns vasos maiores que pessoas foram encontrados na área do palácio. Eram usados para armazenamento de gêneros alimentícios, principalmente no inverno rigoroso.

Os vasos são maiores que eu!!!


Traços de arte típica do mediterrâneo


SISTEMA DE DRENAGEM E ESGOTO

O palácio tinha pelo menos três sistemas de gestão da água separados: um para abastecimento, um para escoamento e um para esgoto. Aquedutos traziam água fresca de 10 km de distância, ligados através do sistema de abastecimento. 

Sistemas de gestão de água já existiam no palácio


O sistema de escoamento foi feito pois o morro era periodicamente encharcado por chuvas torrenciais. Já a drenagem de saneamento foi feita através de um sistema fechado que conduz o esgoto para além da colina.

Canos de barro ainda podem ser vistos


SALA DO TRONO

Outro local com bastante arte e detalhes como afrescos e esculturas é a chamada sala do trono. Além da afirmação de que esta seria a sala do trono real, outras teorias sugerem que essa sala seria um tribunal ou apenas um local de culto. Seja o que for, é um dos destaques de Knossos.

Até a arte usada no piso chama a atenção pela beleza


No centro da sala existe uma bacia. Sugere-se que possa ter tido um usada em ritual de lavar roupa, mas a falta de drenagem fez com que alguns estudiosos a descartassem esta teoria. Agora, é dito que o tanque foi utilizado como um aquário, ou, possivelmente, um reservatório de água.

A bacia no centro da sala é um mistério


Alguns especulam que o trono seria apenas simbólico, para uma suposta deusa ou sacerdotisa. A especulação de ser mulher se explica pelo recuo moldado para as nádegas femininas. Além disso, o uso extensivo de bordas, curvas e a lua crescente entalhada na sua base simbolizam a feminilidade.

Trono supostamente feminino


Assento do trono real


Ao lado do trono está um afresco com grifos deitados, de frente para o trono, um de cada lado. Grifos foram importantes seres mitológicos. Segundo a lenda, eram criaturas com cabeça e asas de águia e corpo de leão, e punha ovos de ouro sobre ninhos também de ouro.

O mitológico grifo num afresco


OUTROS DETALHES DO PALÁCIO

Além dos pontos principais, explorei com calma as ruínas do antigo palácio. Hoje em dia, turistas e arqueólogos dividem espaço neste que é um dos principais pontos turísticos de Creta. As diversas escadas e salas mostram a complexidade da construção. Talvez isso tenha ligado Knossos à lenda do labirinto.

Mesmo em ruínas, se pode perceber a planta cheia de cômodos, como um labirinto


O símbolo minoico representando o chifre do touro sagrado, reverenciado como em outras culturas


Trecho protegido, provavelmente para estudos


Observe o efeito da rocha calcária em meios as ruínas do palácio


Um senhor analisando a rocha no entorno do palácio


RETORNO PARA HERAKLION

Depois de toda a exploração feita, era hora de voltar para Heraklion. Ao sair do sítio arqueológico existe um ponto de ônibus à direita. As opções de ônibus para retorno são os números 2, 20 e 22. Na mesma região estão as diversas lojas de lembranças e souvenires de Knossos.

Lojas com diversas lembranças estão localizadas bem em frente do sítio


Encontrei até o próprio Minotauro de Knossos (ou seria um gorila?)


MEU ROTEIRO

Anterior: CRETA

Roteiro completo: MISSÃO GRÉCIA

Próximo: MUSEU ARQUEOLÓGICO DE HERAKLION


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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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