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Grécia: A Ilha de Zakynthos e seu litoral impressionante

Sem filtros, uma ilha que possui história desde a Ilíada de Homero

O antigo poeta grego Homero já mencionava a ilha na Ilíada e Odisséia, afirmando que os primeiros habitantes foram o filho do rei de Tróia, chamado Dardanos Zakynthos, e seus homens. Zakynthos pertence ao grupo de ilhas chamada "Jônicas" que são conhecidas por uma variedade de nomes. Durante os séculos de domínio de Veneza, adquiriram nomes venezianos, por isso, Zakynthos também é conhecida como Zante.  É uma das ilhas de litoral mais bonito do país.


CRUZANDO AS ESTRADAS PARA CHEGAR NA ILHA

Depois de seguir de Atenas para explorar as ruínas de Delfos, cruzei de carro no mesmo dia para chegar a Zakynthos. São cerca de 201 Km (2 horas e 40 min)  pelas estradas do interior da Grécia para chegar em Kyllini, a cidade portuária de onde saem os ferries para a ilha. Foi necessário descer as montanhas até Patras onde existe uma ponte que cruza para o Poloponeso que é é uma extensa península no sul da Grécia, separada do continente pelo istmo de Corinto.

A noite quase caindo e eu na estrada


A ponte é bem moderna, mas me fez uma surpresa nada agradável: a cobrança de pedágio custando 13,20 euros (!).  Achei um absurdo o valor da cobrança, mas não tinha para onde fugir.

A ponte de Patras sobre o istmo de Corinto


Por volta das 21h30 cheguei em Kyllini, uma pequena cidade sem atrativos, que vive de passagem para as Ilhas Jônicas. Ventava muito e a sensação térmica era de muito frio. Fui ver se eu conseguiria cruzar para a ilha naquela noite, mas isso era impossível, só haveria ferry no próximo dia de manhã.

Porto de saída de ferries para Zakynthos e Kefalonia


FERRY PARA ZAKYNTHOS (ZANTE)


Jantei um espaguetti com frango em um dos restaurantes simples de massa e pizza que existem espalhados pelo porto. Depois disso, de barriga cheia, me recolhi aos meus aposentos para uma noite tranquila de sono, resumindo, dormi dentro do carro para economizar hospedagem. Acordei às 6h para comprar a passagem para Zakynthos na empresa Levante Ferries.

Levante, a principal empresa de ferries para a ilha


Para quem pretende viajar, uma dica é pesquisar antes pela internet pois a disponibilidade ou os horários mudam dependendo da época do ano (inverno, verão, etc.). Segue abaixo os horários e valores da empresa Levante para 2015 (a que mais tem saída de Kyllini). Outras opções de traslado são: Kefalonia Lines (18h30) e Ionian Group. Paguei os valores antigos (7,50 euros), antes da alta da inflação grega. O valor do carro é o mesmo. 



A viagem de ferry até Zakynthos dura 1 hora. Após a chegada do ferry, a porta do porão se abre para a entrada dos carros. Só é permitido entrar o motorista para estacionar, os demais passageiros sobem direto para os assentos que são bem confortáveis. 

Chegada do ferry boat


Partindo para a primeira ilha grega desta aventura


Espaço sobrando no imenso ferry às 7h da manhã


CHEGADA EM ZAKYNTHOS

Depois de uma noite fria no porto de Kyllini, achei que poderia chover, mas as ilhas gregas são mágicas e o sol estava aberto! De longe já é possível ver a torre da Catedral de São Dionysios no centro cercada pelas belas montanhas. São Dionysios de Zakynthos foi um arcebispo cristão ortodoxo do século 16. Ele nasceu na ilha em 1546 e é o santo padroeiro de Zakynthos. Tem comemoração em 24 de agosto e 17 de dezembro. 

Chegada do ferry boat no porto de Zakynnthos



Catedral de São Dionysios


A ilha sofreu uma série de quatro terremotos severos em agosto de 1953, que resultou na destruição total de sua infra-estrutura, incluindo a maioria dos arquivos do Estado. O terceiro e mais destrutivo de tais terremotos, registrando 7,3 na escala de Richter, ocorreu em 12 de agosto de 1953. Apenas três edifícios em Zakynthos ficaram de pé após o desastre: a Catedral São Dionysios, o edifício do Banco Nacional e a igreja de São Nicolau "tou Molou".

Depois dos terremotos de 1953, a cidade foi reconstruída


Outro igreja que se estaca na paisagem é a da Virgem Faneromeni que foi construída no século 15 e destruída pelos terremotos de 1953. A única parte da igreja que restou é o velho campanário. Durante os anos de dominação veneziana, a Praça Faneromenis, a contrário da Praça São Marcos, em Veneza, foi o ponto de encontro das pessoas mais pobres.

Igreja da Virgem Faneromeni


Somente esta torre sobreviveu ao terremoto de 1953, o restante da igreja foi destruída


PRAIA DE NAVAGIO

Considerada uma das praias mais bonitas do mundo, a Praia de Navagio fica a quase 35 Km do porto de Zakynthos, num local um pouco escondido, mas este era meu principal objetivo na ilha. Assim que desembarquei, usei o GPS do carro e alguns mapas para chegar la. O relato detalhado está no post Praia de Navagio, uma das mais bonitas do mundo.

Um cemitério na beira da estrada que parece peças de Lego espalhadas


As estradas da ilha são altas e beiram penhascos 


A surreal Praia de Navagio


PORTO DE VROMI

Do lado da Praia de Navagio está o Porto de Vromi, um local de águas cristalinas que permite se banhar e pegar barcos para visitar as areias de Navagio, onde está o navio naufragado, ou "Shipwreck" como é chamado turisticamente. Em baixa temporada, como era o caso, fica tudo deserto. O lado ruim é a ausência dos passeios de barco, o lado bom é a paz naquele paraíso.

Encontro com as águas de um azul sem igual


Cavernas que são visitáveis de barco


Diz aí, é ou não é um paraíso?


Pequeno porto vazio na baixa temporada


Cartaz que anuncia os passeios de barco que custam 10 euros


Caverna chamada "A Face de Poseidon"


MONASTÉRIO ANAFONITRIAS

Na parte noroeste da ilha, a 2 km da costa, 3 km ao sul de Volimes e 23 km a noroeste de Zakynthos está o Monastério de Anafonitrias, construído em 1429. O santo padroeiro de Zakynthos, São Dionysios passou seus últimos anos lá. É passagem pelo caminho da Praia de Navagio.

Pequeno Monastério Anafonitrias


AGIOS NIKOLAOS


O porto de Agios Nikolaos (São Nicolau) fica no norte da cidade de Zakynthos, cerca de 31,5 Km (45 min) pela estrada que beira as montanhas. Em alta temporada, costumam sair ferries desse porto com ligação direta à ilha de Kefalonia (Porto de Pessada). Fui até lá conferir mas encontrei um porto abandonada, provavelmente por ainda estar saindo do inverno. Mas a viagem não foi perdida, o porto é um calmo paraíso com restaurantes a beira-mar. 

Enseada do porto de Agios Nikolaos


Ruínas de um antigo monastério


Fora do verão, o porto de Agios Nikolaos parecia abandonado


Almoço nas areias da praia de Agios Nikolaos


Sempre um vinho da casa para uma refeição econômica na Europa


PASSEIO NO LITORAL NORTE DA ILHA

Quando eu estava almoçando, descobri que a partir das 13h haviam passeios de barco pelo litoral norte da ilha. Eram duas opções: Passeio pelas cavernas (10 euros) e Passeio para o navio naufragado da Praia de Navagio (15 euros). Era a minha chance de visitar o local pela areia. Acabei demorando a sair do restaurante e o barco saiu. Ao me informar se sairia outro, descobri que só restava o passeio para as cavernas. Não fui nesse e quando eu já estava indo embora frustrado, me chamaram avisando que surgiu uma família que também pretendia ir para Navagio, então embarquei sem pensar.

Logo na saída já dá para ver a pedra furada


Escultura da natureza feita pela erosão e pelas ondas


É possível passar com o barco pelo furo


Depois de passar pelas primeiras cavernas, o mar foi ficando revolto e batendo muito. Foi então que o piloto recebeu a ligação daquele barco que tinha saído na frente e este avisou que o mar oferecia perigo no norte. O passeio então foi abortado! Nem precisa dizer que fiquei irritado com isso, mas tudo foi amenizado com a passagem pelas cavernas na volta, tudo muito belo. Ao chegar de volta no porto, fui restituído pela metade do valor (7,50 euros) e acabou valendo a pena.

São diversas cavernas como esta ao longo do litoral


O efeito da luz nas cavernas parece algo artificial


As paredes rochosas são todas esburacadas pelas ondas


Saindo da caverna aquática


Mais um "buracão" na pedra


A cor das águas é algo que não pára de surpreender


DICA DE HOSPEDAGEM

A dica para se hospedar bem e barato em Zakynthos é ficar no Pallas Plaza. O hotel fica em Tsilivi, a 4 Km da cidade de Zakynthos, e tem a aparência de um pequeno resort. O preço da hospedagem do quarto para até duas pessoas foi 26 euros!!! A hospedagem mais barata que eu fiquei na Grécia. É claro que isso é em baixa temporada. No verão os preços sobem até 160 euros.

Parece mentira, mas fiquei um quarto (com café da manhã) por 26 euros


CURIOSIDADES DA HISTÓRIA


Durante a ocupação nazista da Grécia, o prefeito Loukas Karrer e o bispo Chrysostomos recusaram ordens nazistas para divulgar uma lista dos membros da comunidade judaica da cidade para serem deportados para os campos de concentração. Em vez disso, eles se esconderam 275 judeus em aldeias rurais. Todos os judeus de Zakynthos sobreviveram à guerra. Estátuas do bispo e do prefeito comemoram o heroísmo no sítio da sinagoga histórica da cidade, destruída no terramoto de 1953.

O bispo e o prefeito da cidade ajudou 275 judeus a sobreviverem aos nazistas


Em 1978, Yad Vashem, autoridade da Holocaust Martyr's and Heroe's Remembrance, em Israel, honrou o bispo e o prefeito com o título de "Justo entre as Nações", uma honra dada aos não-judeus que, em situação de risco pessoal, salvaram judeus durante o Holocausto. 

Histórias da Segunda Guerra Mundial até nesta ilha


DESPEDIDA DA ILHA

No centro de Zakynthos, seguindo pela avenida que beira o porto estão concentradas as agências de turismo e escritórios das empresas de ferry. Próximo ao horário de embarque também estão abertas as cabines de venda no próprio porto. Comprei o ticket de retorno para Kyllini com antecedência e aproveitei para, mais uma vez, apreciar e fotografar o visual da ilha. Desta vez, uma despedida.

Quebra-mar no porto


O pequeno farol, visto a partir do extremo do porto dos ferry boats


Arcos que lembram aquedutos romanos


MAPA DE ZAKYNTHOS

Mapa (clique para ampliar)


MEU ROTEIRO


Roteiro completo: MISSÃO GRÉCIA

Próximo: PRAIA DE NAVAGIO


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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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