Grécia: Museu Arqueológico Nacional de Atenas

O principal museu de antiguidades da Grécia


Como fiquei hospedado próximo à estação de trem Larissa, segui andando até o museu no sábado anterior ao domingo de Páscoa pois imaginei que estaria fechado no dia seguinte. Com grande surpresa vi um aviso na porta do museu sobre o funcionamento durante o domingo de Páscoa, apenas com o horário resumido de 09h00 às 16h00. Deixei então para entrar no museu no domingo mesmo e segui para o centro para visitar a Acrópole e a Ágora. No dia seguinte eu já me encontrava cedo no museu para explorar, dentre tantas coisas, o aparelho de Antikythera e a Máscara de Agamenon.


INFORMAÇÕES ÚTEIS

O funcionamento do museu é diário de 08h00 às 20h00 (pelo menos na primavera de 2015, esse horário costuma variar) e o valor do ticket de entrada é 7 euros. Existe ainda a opção de compra de um ticket especial de 12 euros que dá direito a entrar também no Museu Bizantino, Museu Epigráfico e Museu Numismático que se localizam em outros pontos de Atenas. Para mais informações, o museu possui um site.

Este é considerado o maior museu da Grécia


O museu é dividido em: Coleção Neolítica, Coleção Micênica, Coleção das ilhas Clíades, Coleção de Esculturas, Coleção de vasos e objetos menores, Antiguidades Egípcias e Exposição de Thera (Santorini).

Mapa do térreo e do primeiro andar do museu (clique para ampliar)


É permitido fotografar as peças expostas (sem flash), apenas não se autoriza fotografar-se ao lado dela (??). Não me pergunte o motivo, mas isso é prática na Grécia e vale alguns esporros por parte dos vigias.


MÁSCARA DE AGAMENON

Logo na entrada do museu, na coleção Micênica, está uma de suas peças mais famosas e cobiçadas: A Máscara de Agamenon. Ela foi encontrada em 1876 pelo arqueólogo Heinrich Schliemann,  o mesmo que descobriu a cidade de Tróia na Turquia. Ao descobrir a máscara numa tumba da Acrópole de Micenas, achou-se que era o corpo do lendário rei grego Agamenon. No entanto, estudos arqueológicos modernos sugerem que a máscara data de entre 1550 e 1500 a.C., cerca de 300 anos antes de Agamenon. 

A máscara encontrada no suposto túmulo do Rei Agamenon


Além da famosa máscara funeral de ouro, outras também estão expostas no museu mostrando que essa prática era comum naquele tempo.

Outro exemplo de máscara dourada encontrada

Máscara funeral com um leve sorriso


COLEÇÃO DE METAIS

O primeiro salão após a entrada é a Coleção de Metais, uma das mais impressionantes pela riqueza apresentada, principalmente em ouro. Aqui não tem muito o que falar, mas sim admirar até mesmo as pequenas peças feitas pela metalurgia antiga.

Para quem gosta de ouro, vai ficar impressionado com a exposição de metais do museu


Adaga micênica de ouro, prata e bronze encontrados num naufrágio. Veja como só o ouro resistiu!


Espelhos de bronze encontrados no fundo do mar


Urso de ouro encontrado em uma tumba do século 16 d.C. em Micena


Além das peças de ouro que já são um show a parte, percebi algo surpreendente num cantinho do museu. Uma menina aparentando uns 9 anos fazia um retrato do Touro Micênico de ouro que estava em exibição. O desenho era tão bem perfeito que aquilo tirou até o brilho de tanto ouro. Seria a reincarnação de um grande artista ou só uma criança educada num país que valoriza a arte e sua história?

Menina anônima fazendo um retrato perfeito do touro


Um touro sagrado com detalhes de ouro


ARTES E ESCULTURAS ANTIGAS

Inicialmente, o museu se destinava a abrigar os achados nas escavações empreendidas no século 19 na própria cidade de Atenas e arredores, mas gradualmente passou a ser enriquecido com peças provenientes de outros locais.

O Jockey de Artemision é algo que realmente chama a atenção


O Jockey de Artemision é uma estátua de bronze datada de 150-146 a.C. É um exemplo raro de escultura grega de um cavalo de corrida. A maioria das estátuas de bronze antigas foram derretidas para se aproveitar suas matérias-primas, mas esta se salvou da destruição quando foi perdida em um naufrágio, antes de ser descoberto no século 20. Ela pode ter sido dedicado aos deuses por uma pessoa rica para honrar vitórias em corridas de cavalos.

O" jóquei", um menino de apenas 84 cm de altura e talvez 10 anos de idade


Outra obra de arte de bronze que é considerada a cara do museu (representada até no ticket!) é o chamado Bronze de Artemision por ter sido encontrado no Cabo Artemision. Não se sabe ao certo se representa Zeus ou Poseidon. A controvérsia só seria solucionada se fosse encontrado o objeto que ela segurava. Se fosse um raio, seria Zeus, se fosse um tridente, seria Poseidon. Foi encontrada no mesmo naufrágio do Jockey de Artemision.

A cabeça da estátua se tornou um símbolo da cultura helênica, representada em selos e cédulas


As esfinges também eram representadas na arte grega. Diz a lenda que havia uma única esfinge na mitologia grega, um demônio, uma filha da Quimera e de Ortros. Hera ou Ares mandaram a esfinge de sua casa na Etiópia para Tebas onde se passa o enigma mais famoso da história, conhecido como o enigma da esfinge, decifra-me ou devoro-te: "Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?" Ela estrangulava qualquer inábil a responder, daí a origem do nome esfinge, que deriva do grego sphingo (estrangular). Édipo resolveu o quebra-cabeça: O homem engatinha como bebê, anda sobre dois pés na idade adulta, e usa um arrimo (bengala) quando é ancião. Furiosa com tal resposta, a esfinge teria cometido suicídio, atirando-se de um precipício.

Esfinge de mármore encontrada na região da Attica


Uma curiosidade é que durante a II Guerra Mundial, todas as peças foram encaixotadas e levadas para locais seguros, evitando-se a destruição em bombardeios e saques. O processo de reocupação do museu foi até 1964, época em houve ampliações. Em 1999, o museu foi danificado por um terremoto e ficou fechado para obras até 2004, reabrindo para os Jogos Olímpicos em Atenas.

A estátua de Eros dormindo com um pequeno leão


Até os pombos recebiam suas homenagens através da arte grega


Outra pequena estátua com detalhes fascinantes


O MECANISMO DE ANTIKYTHERA

A minha principal motivação em conhecer o Museu Arqueológico Nacional de Atenas era um pequeno aparelho encontrado num naufrágio e que até hoje é um mistério. O Mecanismo de Antikythera (nome de uma ilha grega perto da qual foi encontrado) é um aparelho medidor complexo capaz de indicar eventos astronômicos passados ou futuros. É considerado o primeiro computador do mundo!

O Mecanismo de Antikythera em uma redoma de vidro


O artefato foi encontrado em 1901 por mergulhadores à profundidade de aproximadamente 43 metros na costa da ilha grega de Antikythera, entre a ilha de Kythera e a de Creta. Acredita-se que o aparelho não poderia ser o único mecanismo desse tipo porque não há nenhuma evidência de quaisquer erros, porém, por ser feito de bronze, é provável que os demais exemplares tenhas sido reciclados.

Parte principal do mecanismo de bronze


Quando o usuário girava o botão, as engrenagens de pelo menos 30 rodas denteadas ativavam três mostradores nos dois lados do aparelho. Isso permitia que o usuário previsse ciclos astronômicos, eclipses, ciclo de quatro anos dos Jogos Olímpicos e jogos pan-helênicos.

Outro fragmento do mecanismo


Réplica do aparelho de Atikythera, no que seria seu tamanho real, como um notebook


Para saber mais detalhes sobre o Mecanismo de Antikythera, assista ao documentário do History Channel que está bem completo:




ANTIGUIDADES DE THERA

Grande parte das antiguidades se encontra no andar térreo do museu. Bem no final existe uma escada que sobe para o primeiro andar, local que está guardada a exibição das peças encontradas no Sítio Arqueológico de Akrotiri, na ilha de Santorini. Akrotiri foi um dos maiores centros do Mar Egeu pré-histórico, sob a influência minóica.

Salão com objetos escavados em Akrotiri


Apesar de pouco conhecida, a cidade de Akrotiri teve o mesmo destino de Pompéia, na Itália, sendo soterrada por cinzas de uma erupção vulcânica que preservaram a arquitetura do passado até as atuais escavações.

Cama de madeira encontrada em uma das casas cobertas pelas cinzas do vulcão


Abaixo, afrescos trazidos de Akrotiri. A pintura mais interessante retrata dois meninos com as cabeças raspadas, com cada um usando um cinto e tem uma luva de boxe na sua mão direita. Seus grandes olhos exagerados são comuns nos afrescos do Mar Egeu. O menino à esquerda usa jóias e o outro garoto é sem adornos, provavelmente, a fim de indicar o seu status social inferior. Esta cena pode descrever os meninos que participam num rito de iniciação.

Um dos afrescos mais interessantes vindos da atual ilha de Santorini


Esta exposição destaca as relações de Akrotiri com minóica em Creta, em seu auge. Além das pinturas e mobílias, também vemos embarcações, ferramentas e armas da época. A exposição talvez não atraia tanto pelas suas peças, mas ao visitar Akrotiri é divertido saber que foi daquele lugar coberto por cinzas que veio aquilo tudo.

Grande quadro na escadaria que leva à exposição de Akrotiri


JARDIM INTERNO

Ao sair do interior do museu, passando por uma escada abaixo da bilheteria, se chega na área do WC e, ao lado, um jardim de inverno contento estátuas bem estranhas. São peças encontradas no naufrágio de Antykythera

Suposta estátua de mármore de Hércules, grande e bem destruída


Este alto relevo em uma tumba mostra uma dupla de garotos em pose "duvidosa"


A posição dessa estátua a traduz como um arqueiro ou um boxeador (o mais provável na minha opinião)


LOCALIZAÇÃO DO MUSEU

Ao contrário das demais atrações de Atenas que ficam ao redor da Acrópole e permitem se conhecer caminhando, o Museu Nacional Arqueológico fica um pouco mais distante, na rua Patission 44 (não que eu não tenha feito esse percurso a pé) mas existem transportes públicos que levam perto do local . Metrô: Estação Omonia ou Estação Victoria. Ônibus: Β5, Α7, Α8, Β8, Β12, Γ12, 022, 035, 046, 060, 224, 605, 608, 622 e Tram: 2, 3, 4, 5, 6, 11, 13, 15, 18 e 19.





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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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