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Chapada Diamantina: Cachoeiras do Cardoso e do Funil

Duas maravilhas da natureza escondidas na região de Mucugê  

Depois de explorar a cidade de Mucugê pela manhã, meu planejamento era seguir caminhando depois do almoço para chegar na Cachoeira do Cardoso, aproximadamente 4,5 Km de trilha. Tentei almoçar em torno das 11h30 num quiosque da Praça dos Garimpeiros mas a cozinheira falou que só teria comida uma hora depois, isso me atrasaria a pegar a trilha. Para resolver o impasse, fui numa feira que acontecia ali em frente e comprei um saco de bananas por R$ 2, aquilo seria o suficiente para me manter alimentado até voltar.

Eu havia feito o download do trajeto da Cachoeira do Cardoso no meu GPS antes de viajar para a Chapada, me livrando assim da necessidade de guias. O primeiro passo seria atravessar o Rio Mucugê. Ao sair da cidade e atravessar a estrada em direção ao rio, deve-se virar à esquerda antes para passar pelo ponto em que foi construída uma espécie de laje que serve como ponte para carros. Ali observei algo curioso, funcionava uma espécie de "lava a jato" com a água do rio.

O "lava a jato" improvisado no Rio Mucugê


Depois de atravessar o rio por aquele ponto, é só seguir direto pela estrada de terra até um portão. Ali tem uma placa: "Propriedade Particular: Proibido Pescar, Caçar e Acampar". Parece que não tem passagem, mas é só contornar o terreno pela esquerda e continuar na mesma estrada em direção ao morro. 

Um propriedade particular no meio do caminho, é só contornar pela esquerda do terreno


NA TRILHA PARA O PARAÍSO

Para chegar na Cachoeira do Cardoso sem guia não é fácil pois existe várias bifurcações, por isso usei o GPS sempre que chegava numa delas. Depois de passar a área do portão que falei acima, a primeira e segunda bifurcação a direção é a esquerda, as demais, sempre à direita, é mais ou menos assim que se resume o trajeto.

Trilha em direção à Cachoeira do Cardoso: Subida do morro no início 


Fiz a trilha de tênis e foi bem tranquila, afinal, a bota já tinha destruído meu pé na travessia do Parque. O caminho é repleto de formações rochosas interessantes. Outro efeito da travessia foi a "marca de camiseta" que fiquei com o sol forte (mesmo passado protetor solar). Aproveitei a trilha para a cachoeira para "equalizar o bronzeado" fazendo sem camisa, e não é que funcionou rápido?

As formações das rochas são um show à parte, e valem umas fotos


Camadas de rochas formadas há muito tempo atrás e que foram esculpidas pela erosão


Seguindo a trilha encontrei mais uma bifurcação mas continuei seguindo à direita. Percebi que provavelmente para a esquerda chegaria em outra cachoeira, mas isso eu vou explicar depois. Quando a trilha passa por duas grandes pedras encostadas, onde existe um abrigo improvisado (fotos abaixo), é sinal de que se está chegando.

Pedras e mais pedras pelo caminho


Abrigo de pedras cinco estrelas!


A CACHOEIRA DO CARDOSO

Quando a trilha se aproxima é possível ver a Cachoeira do Cardoso ao longe. Não encontrei nenhuma pessoa nessa trilha, nem mesmo na cachoeira quando cheguei, será que é porque eu fui no dia 25 de dezembro? Não sei, mas a Cachoeira do Cardoso é uma das mais belas e distantes dos arredores de Mucugê. Acho que passei umas duas horas no local, aproveitando o cenário natural sem interferência do ser humano.

A cachoeira surge no meio do verde da Chapada


Logo na chegada, se observam pedras interessantes esculpidas pela erosão de centenas de anos


Aproveitei o isolamento para lavar a minha roupa que se encontrava cheia de lama seca devido a travessia que eu havia feito desde o Vale do Capão. Com o sol colaborando, coloquei a roupa para secar nas pedras e segui para o banho nas águas escuras do Rio Cumbuca.

Água escura, vegetação virgem e padras, muitas pedras


Um visual sem igual e sem vestígios de pessoas


A temperatura da água era perfeita para relaxar. Perto da margem, a água é bem rasa devido às lajes de pedras. O centro do rio é um pouco mais fundo, podendo nadar sem fortes correntezas. Depois de um banho nas águas escuras, fiquei deitado na laje de pedras ouvindo e observando aquela paz. Mas uma hora a paz acaba e a aventura tem que continuar...

A Cachoeira do Cardoso


Um verdadeiro paraíso escondido na Chapada Diamantina


AS CACHOEIRAS DE MUCUGÊ E O PROJETO SEMPRE VIVA

Nos arredores de Mucugê existe muito mais cachoeiras. Ao longo da estrada que vai para Andaraí é possível se acessar as cachoeiras PiabinhaCristais e Três Barras. Outras consideradas mais bonitas têm acesso pelo Parque Municipal de Mucugê, administrado pelo Projeto Sempre Viva, são as cachoeiras TiburtinoAndorinha Funil (para as duas últimas é obrigatório contratar guia na sede, apesar da trilha ser bem sinalizada). A sede do Projeto se encontra a 4 Km de Mucugê, e para conhecer o Parque (8h às 18h) é preciso ainda pagar uma taxa de manutenção de R$ 10 por pessoa. 



A CACHOEIRA DO FUNIL

O dia estava tranquilo e relaxante demais para minha pessoa. Como a tarde já estava acabando, resolvi voltar logo pela trilha pois uma coisa estava incomodando meus pensamentos: O que teria do no outro lado da bifurcação que eu passei na ida? Seria a Cachoeira do Funil? Como não existem placas e eu também não tinha nada marcado no GPS, teria que ter cautela em explorar aquela trilha. 

O Rio Cumbuca segue até o Parque Municipal


Como eu expliquei acima, a partir da sede do Projeto Sempre Viva se deve pagar um guia para chegar na Cachoeira do Funil, uma das mais belas e distantes, porém, existe outra forma de chegar lá: partindo da mesma trilha que vai para a Cachoeira do Cardoso. Maneira mais econômica e com mais aventura. Sabendo disso, deduzi que aquela bifurcação terminaria lá, então percorri a trilha com bastante atenção, sempre marcando pontos no GPS para achar o caminho caso eu me perdesse (é, gato escaldado...).

Mais uma missão cumprida: achei a trilha da Cachoeira do Funil


Já se aproximando o pôr-do-sol, enfim cheguei na Cachoeira do Funil. Entre as margens do Rio Cumbuca está uma corda fixa para a travessia, sendo que do outro lado está a trilha que segue ao longo do rio e que chega no Parque Municipal.

Corda para auxiliar a travessia do rio


Passando por baixo das pedras se chega na queda da cachoeira


Mais pedras enfeitando o cenário do Rio Cumbuca


Ao contrário da trilha da Cachoeira do Cardoso, esta chega por cima da Cachoeira do Funil, permitindo observar de bem perto a força das águas. Sem guias e sem tumulto de grupos guiados.

O melhor lugar para se ver e ouvir a cachoeira


A Cachoeira do Funil mostra sua força


O PERRENGUE NÃO PODE FALTAR

Antes que escurecesse eu iniciei o retorno pela trilha e as coisas começaram a complicar. De longe eu vi as nuvens fechando e se formando um temporal. Em nenhum dia havia chovido naquele horário e eu não sabia em que intensidade isso viria. Como estava de tênis, a chance de escorregar na descida, ou pior, uma tromba d´água que formaria com um temporal só não seria mais trágico do que se eu fosse atingido por raios.

Tempestade à vista e eu no alto do morro


Acelerei ainda mais o passo quando senti os primeiros pingos, mas não deu, a chuva chegou e eu saquei o poncho, ainda descendo rápido para chegar na trilha de terra antes que a mesma alagasse. Foi então que eu escorreguei nas pedras da descida e caí de joelho! Como vaso ruim não quebra, nada aconteceu, mas me fez lembrar mais uma vez do filme 127 Horas...

Descida de pedras escorregadias até chegar na trilha de terra (ao fundo)


Finalmente, depois de mais um dia de belas paisagens e adrenalina, eu chegava na cidade de Mucugê já com a chuva acabando. Depois e ter comido banana o dia todo, sentei num quiosque da Praça dos Garimpeiros e pedi um PF de frango com suco de morango. Achei que seria um copo, mas veio uma jarra de 500 ml, um dos melhores que já tomei na vida (nada como a fome e a sede para tornar esses momentos tão especiais...). O melhor de tudo é que paguei apenas R$ 15 pela refeição + jarra de suco. Depois, mais um pernoite na mesma hospedagem da noite anterior já me preparando para o próximo dia que viria pela frente.


MEU ROTEIRO


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Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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