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Volta completa em Ilha Grande (dia 2): De Japariz a Maguariquessaba

Um dia de paraísos e perrengues, coisas que só uma aventura assim pode proporcionar


Acho que eu montei o planejamento deste dia fadado ao insucesso, porém as coisas sempre dão certo para os nobres de espírito (rs). Este seria o dia com uma das mais longas caminhadas, passando por várias praias, com subidas e descidas intermináveis, com sol e chuva, e ainda uma parada para mergulho na Lagoa Azul. Só de falar já cansa. E o final na praia de Araçatiba, que possui uma vila bem estruturada... mas o tempo não foi suficiente, é claro, e a solução teve que contar com a sorte.


ALVORADA EM JAPARIZ

Na noite anterior, o acampamento foi montado no Bar Restaurante Barulho do Mar, como eu expliquei no post anterior. Já prevendo que o tempo seria apertado neste dia, procurei equipar para partir cedo, sem direito a café da manhã (o bar só abre às 7h00). A trilha segue no final da praia e possui o principal item de referência para guiar ao caminho certo: o cabo de energia.

Amanhece o dia na tranquila praia de Japariz


O Bar Restaurante Barulho do Mar serviu de local de camping por R$ 15


São quase 2,4 km de trilha que sobe (e desce) beirando o mar


Os cabos trazem energia elétrica do continente e são distribuídos até as praias


FREGUESIA DE SANTANA

Aos poucos começam a surgir casas na trilha, é sinal de que se está chegando em Freguesia de Santana, lugar histórico que iniciou o povoamento da Ilha Grande, no século 17.  Neste local haviam lavouras de café, legumes, cereais, engenhos de açúcar e de aguardente. A principal atração histórica é a Igreja de Santana que foi cercada de casarões, mas que hoje é tudo o que restou daquela época. Ao redor da igreja é possível observar algumas ruínas tomadas pela mata, mas como a maior parte do terreno é particular, não dá para ver muita coisa.

Freguesia de Santana foi bastante habitada no passado, mas hoje restam cerca de 50 moradores


A histórica Igreja de Santana, construída em 1843


Estátua de uma antiga tumba no cemitério ao redor da igreja


Não há comércio ou casas de pescadores na praia


Boias marcam o limite de aproximação dos barcos


Eu diria que a praia deserta e tranquila é outra atração da Freguesia de Santana


LAGOA AZUL

A Freguesia de Santana é o ponto de partida para chegar na Lagoa Azul, uma das mais bonitas atrações da ilha e imperdível para quem gosta de mergulho. No final da praia começa uma trilha com um pouco mais de 500 m que passa pela Praia da Baleia antes de chegar na lagoa. Deixamos as mochilas cargueiras escondidas na mata, pegando apenas máquina fotográfica, máscara e snorkel.

O tom azulado das águas já dá uma amostra do que vem pela frente


A trilha tem cerca de 500 metros e é boa de caminhar


Descida na areia da Praia da Baleia


A Lagoa Azul não é uma lagoa. Na verdade, são águas calmas localizadas entre a Ilha dos Macacos e duas menores (Ilha Redonda e Ilha Comprida). O local foi apelidado assim inspirado no filme dos anos 80, estrelado por Brooke Shieldes, principalmente pelo efeito azulado das águas nos dias de sol. São frequentes as embarcações que atracam entre as ilhas com turistas que praticam snorkeling e flutuam com seus “macarrões” (flutuadores de espuma). Mergulhei numa parte de no máximo 5 metros de profundidade e foi possível ver toda a beleza submarina, com cardumes de peixes abdufdef, conhecidos como sargentinhos.

Piscina natural de águas transparentes entre pequenas ilhas


Os peixes estão acostumados com as pessoas por causa dos miolos de pão jogados pelos turistas


Estrela do mar encontrada a 5 m de profundidade


Obras de arte da natureza no fundo da Lagoa Azul


Retorno pela Praia da Baleia

PRAIA DO BANANAL

Se o tempo já estava curto para o imenso roteiro do dia, ficou ainda mais depois de horas de diversão na Lagoa Azul. Voltando por Freguesia de Santana, a trilha continua por mais 2 km até a Praia do Bananal Pequena (que tem apenas uma casa) e, logo depois, a Praia do Bananal. Esta última mais estruturada, com pousadas, bares e restaurantes. Era hora de parar para almoçar, e a refeição mais barata era uma pizza média de frango com catupiry (R$ 18) num restaurante de uma família japonesa, bem em frente ao pier.

A trilha de Freguesia de Santana a Bananal passa por um túnel de bambu


Uma placa de peixe indica a direção com uma camisinha pendurada (!)


A chuva chegou forte e quase constante


Praia do Bananal Pequena com os cachorros que resolveram nos seguir


Chegada na Praia do Bananal


Barcos de todos os tipos nas águas do Bananal


A praia não é apenas uma vila de pescadores, possui estrutura de pousadas


Um imenso pier sugere que a praia é bastante visitada por barcos de fora


PRAIA DE MATARIZ

A trilha que segue para Matariz fica no final da Praia do Bananal, numa subida bem íngreme pelas pedras à esquerda. Como tinha acabado de cair uma chuva intensa, havia uma cachoeira que escorria ao lado da trilha. Foi até difícil de acreditar que aquela era a trilha (um morador confirmou).

Depois de uma subida íngreme para alcançar a trilha, o caminho segue por mais 1,5 km até Matariz


A chegada em Matariz acontece por uma ponte rústica de madeira


Matariz é uma praia de 300 metros de comprimento entre dois riachos. No passado, havia naquele local uma das maiores fábricas de pescados, chamada Kamome, que foi a última a fechar em Ilha Grande.  Ainda restam as ruínas e sucatas do maquinário por ali. Matariz ficou famosa (negativamente) algumas semanas antes de eu estar ali pelo assassinato até então não desvendado de uma turista que acampava com o namorado nos arredores. Veja a notícia no Globo.com: Turistas são atacados a facadas em trilha de Ilha Grande

A paisagem é marcada pelo Pico do Matariz


Vila com cerca de 270 moradores, que vivem da pesca, do cultivo de subsistência e do turismo


Perguntamos para um morador dicas sobre a trilha e veio uma resposta duvidosa. Ele disse para sempre seguir os cabos de energia e, na dúvida, manter sempre a direita, o problema é que ele disse "direita" apontando para a "esquerda". Seguimos até a extremidade da praia que termina em grande rochedo e onde está o segundo riacho. Para atravessar o riacho, elaboramos uma ponte com toras de madeira para só depois descobrir que já havia uma ponte de alvenaria mais atrás do rio. Presságio de quem em breve estaria perdido

O morador disse para manter a trilha sempre à "direita", mas disse isso apontando para a "esquerda" (!?)


Esforço em vão para improvisar uma ponte que levava a local nenhum


DESTINO: PASSATERRA, STATUS: PERDIDO

A trilha até a Praia de Passaterra tem mais 2 km. No meio do caminho existe uma figueira centenária que cresceu em cima de uma grande pedra. Não sei se foi o fascínio com a árvore ou eu não queria acreditar que a trilha certa subia, mas foi nesse ponto que nos perdemos de novo. Havia uma bifurcação, mas continuamos pela trilha que descia, com uma placa de "propriedade particular". De repente, a trilha passa por meio de quintais de casas desabitadas e continua quase imperceptível por casas de veraneio vazias. Até que surge um barranco íngreme o qual subi na esperança de ser o caminho certo, mas não era! Depois de perder um tempo valioso e desgaste físico, voltamos tudo de novo, até a figueira. Detalhe: era só ter atentado para os cabos de energia!

Uma imensa figueira branca cresceu no alto de uma pedra


Raízes estão espalhadas pelo chão


A trilha errada acabava nas ruínas de uma casa abandonada no litoral de Ilha Grande


Chegada tarde na Praia de Passaterra


GOLPE DE SORTE EM MAGUARIQUESSABA

A Praia de Maguariquessaba fica logo do lado da Praia de Passaterra, sem dificuldades, porém o planejamento era terminar aquele dia na Praia de Araçatiba. Depois de uma dia cheio de emoção, ainda faltavam 8 km até Araçatiba e já estava escurecendo. Mais um dia de atraso e a volta completa na ilha poderia ser prejudicada no tempo que havia disponível. Mas depois de todo o atraso e das horas gastas perdido, a sorte apareceu de uma maneira inesperada. Um dos meus amigos com fome resolveu pedir água quente na Pousada Recanto dos Pássaros, uma pousada bem organizada mas aparentemente não havia hóspedes naquela quarta feira chuvosa. A pousada era de uma família de origem japonesa e a senhora que estava lá colaborou com água e ainda doou alguns pães. Sentamos para comer em frente à pousada, já escuro, quando chegou um barco trazendo mantimentos com o filho dos donos. Imagina a cena, ele chegando e três mochileiros esfomeados fazendo miojo em frenta a sua porta (eu já estava no ponto de colocar miojo dentro do pão e comer!). Para piorar, aparece do nada um francês meio hippie que também estava a caminho de Araçatiba e havia andado desde Abraão naquele mesmo dia, calçando apenas um par de sandálias. Depois de conversar com a gente, foi perguntar sobre a disponibilidade da pousada ao filho do dono, chamado Henrique. Ele respondeu que "não estavam atendendo". O francês não entendeu e sentou no saguão esperando atendimento. Depois disso tudo, o Henrique se sensibilizou com esse grupo de "desabrigados" e nos ofereceu um quarto da pousada, cobrando apenas R$ 20 por pessoa. Ainda nos deu bolo de fubá! Enfim, depois de tudo, foi uma boa noite de descanso, e no dia seguinte a sorte continuaria. No próximo post eu conto como...

Caminho de Passaterra até Maguariquessaba passa por meio a pousadas


Barco chegando com mantimentos para a pousada


O pernoite mais confortável na ilha por um precinho solidário


Medi, o francês doido que contribuiu para nos salvar


MAPA

Mapa das praias do segundo dia de trilhas (clique para ampliar)


MEU ROTEIRO


Roteiro completo: ILHA GRANDE



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Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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