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VOLTERRA


O mistério dos vampiros da Saga Crepúsculo


COMO EU FUI PARAR LÁ?

Eu viajava de carro a partir de Siena para pernoitar em Pisa. Depois de 54 Km percorridos resolvi fazer uma passagem pela cidade de Volterra no caminho. Essa pequena cidade ficou conhecida através da Saga Crepúsculo em que residia uma dinastia de vampiros maléficos.

Eu não havia lido nada sobre seus pontos turísticos, pois na verdade, ela não constava no meu roteiro planejado. Tudo que eu sabia é que era um lugar associado aos vampiros através de um livro e que isso não era bem recebido lá. 

Cheguei por volta das 21h na cidade pretendendo desvendar o mistério que rondava o lugar. Detalhe: apesar do céu encoberto, era noite de lua cheia.


Placas anunciam que a cidade se aproxima e no alto já se pode avistar um castelo


VOLTERRA E A LENDA DOS VAMPIROS

A princípio, a cidade nada tem haver com os seres sugadores de sangue, pelo menos é o que seus habitantes lutam para provar. Após a explosão hollywoodiana do filme Crepúsculo e suas sequências, a cidade passou a ser procurada pelo público teen, e esta mudança na rotina da isolada população de Volterra não teria sido recebida com bons olhos.

Fala-se que a autora Stephenie Meyer não conhecia a cidade de Volterra e que ao escrever o segundo livro da Saga Crepúsculo (Twilight-Tentation que mais tarde dava origem ao filme Twilight, ou Lua Nova no Brasil) descreveu a cidade natal dos Volturi, uma família de vampiros. Mais tarde, enquanto escrevia, descobriu na internet que existia a cidade de origem etrusca Volterra e usou isto para nomear a cidade dos vampiros Volturi, por causa da semelhança. Será que foi isso mesmo?

Veja abaixo as cenas da Saga Crepúsculo: Lua Nova filmadas em Volterra:




FORTALEZA MEDICI

De longe na estrada já se podia ver um gigantesco castelo iluminado no alto da colina. Era a Fortezza Medicea, que na verdade é muito mais antiga que a ascendência da Família Médici (família burguesa poderosa que chegou a governar Florença). A parte original do castelo teria sido construído em 1342 pelo Duque de Atenas. Só em 1270 as tropas de Lorenzo di Medici, O magnífico, teria invadido Volterra para se apropriar de minas de alumínio recém descobertas, tomando posse do castelo e construindo outro do lado para então, unir os dois em uma só contrução através da junção dos muros.


Marcos e monumentos antigos na estrada que sobe até a cidadela

Um obelisco entre os antigos monumentos




 De qualquer ponto da pequena cidade, a Fortaleza iluminada é a referência


Ao subir a colina e chegar nas muralhas da cidade histórica, segui direto para o majestoso castelo. Ao chegar na entrada a surpresa: aquilo não era um ponto turístico e sim uma penitenciária! Mas como assim? Em plena zona histórica?

Cheguei até a raciocinar que, se houvesse algo lá dentro que alguém quisesse manter as pessoas afastadas, um presídio seria uma boa desculpa. Qual será o destino dos presos, será que todos conseguem voltar ou viram comida de alguma criatura de sangue frio?

Deixando as ideias loucas de lado, mais tarde pesquisei sobre o local e descobri que existe visitação turística de forma restrita, somente em algumas partes da fortaleza e em poucos dias disponíveis. Curiosidade: no seu interior existe um restaurante turístico cujos funcionários são presos devidamente controlados.


Entrada da cidadela

Para minha surpresa, aquele castelo era uma penitenciária em funcionamento


MUSEU ETRUSCO

Bem perto da Fortaleza Medici, seguindo pela rua principal no endereço Palazzo Desideri Tangassi, Via Don Minzoni n° 15 , está o Museu Etrusco Guarnacci.
Funcionamento:
- De 10h às 16h30 (de 5 de novembro ao segundo domingo de março)
- De 9h às 19h – (da segunda-feira depois do segundo domingo de março até o dia 4 de novembro)
- Valor: 8 euros
Mais Informações sobre o Museu Etrusco aqui.


Fachada do Museu Etrusco

MUSEU DA TORTURA

Minha primeira surpresa sobre a cidade seria a existência de um instituto penitenciário em plena zona histórica. Mesmo antes das 22h todos os estabelecimentos como bares e restaurantes já estavam fechados, quase não se via ninguém naquelas ruas escuras e antigas.

Minha segunda surpresa foi chegar na Piazza XX de Settembre e me deparar com o Museu da Tortura, que possui aparelhos medievais de tortura para a confissão de crimes. Muitos aparelhos eram criados com aparências macabras exatamente para que o prisioneiro falasse antes mesmo de usá-los.

Neste site (italiano e inglês) do museu é possível ver os aparelhos de tortura da exposição.


Um museu cujo tema é a tortura numa cidade com presídio e lendas de vampiros: sinistro!

Pela posição alta e estratégica, Volterra foi um foco de resistência nazista na 2ª Guerra Mundial. Esta estátua macabra lembra disso

"Volterra: Ao suor dos filhos caídos em todas as guerras"


NAS RUAS OBSCURAS DA IDADE MÉDIA

Já eram 22h e continuei andando pelas ruas desertas da cidadela medieval. Com a noite cada vez mais fria, mas foi possível conhecer a Piazza dei Priori e seu monumental Palacio dei Priori, cartão postal da cidade que aparece no filme Lua Nova. Próximo também está a Diocesi de Volterra e o Museu Diocesano D'Arte Sacra.

Outras atrações do centro histórico são: a Catedral de Santa Maria Assunta, o Batistério de São João, o Teatro Romano, o Ecomuseo dell'Alabastro, a Pinacoteca e Museu Cívico, o Teatro Persio Flacco e o Palazzo Viti. Para mais informações, consulte os “Links Úteis” no final da matéria.


Piazza dei Priori

Palazzo dei Priori com a lua cheia ao fundo

Já completamente deserta, a cidade ficava cada vez mais estranha. Pessoas passavam apressadas por mim, me encarando, como se a cidade tivesse um toque de recolher e eu não soubesse. Observei um senhor estranho, parado numa esquina como se esperasse alguém. Não havia ninguém por perto e estava bastante frio. Quando peguei a máquina para fotografá-lo de longe, ele saiu, como se não quisesse aparecer na foto.


Não havia bares nem restaurantes abertos perto das 22h00. Poucas pessoas deixavam as ruas

À direita está o vulto do indivíduo misterioso

Chegava a hora e deixar esse lugar sinistro para trás. Ao sair do portão da cidadela, percebi várias placas se referindo aos mortos na Segunda Guerra Mundial. A placa se referia aos “caídos no combate contra a resistência nazifascista”. 

Volterra fica próxima à chamada estratégicamente de Linha Gótica na Segunda Guerra. Se estendia da região costeira do Mar Tirreno, indo do oeste italiano, nas regiões de Carrara e La Spezia, passava pela cadeia de montanhas formada pelos Apeninos, terminando à leste, nas áreas de Pesaro e Rimini, já na faixa litorânea do Mar Adriático. Provavelmente os nazistas usaram a Fortaleza Médici como ponto de comandamento e resistência na região.

Com a cidadela já completamente deserta resolvi partir dali

Memoriais lembram o combate em Volterra na Segunda Guerra Mundial

Placa na muralha com os mortos no combate contra as forças nazifascistas


 PARTIDA PARA PISA

Para continuar minha viagem à Pisa, coloquei o GPS para funcionar e o mesmo me guiou até a saída para Pisa, corretamente de acordo com as placas, porém ao sair do perímetro urbano, uma barreira avisava que a estrada estava interditada. Tentei uma rota alternativa no GPS e terminou na mesma estrada interditada. E agora? Parecia filme de terror, era como se algo estivesse acontecendo para eu pernoitar em Volterra.

Ignorei o GPS e lembrei que na ida eu havia percebido uma placa para Pisa na aldeia de Saline. Dirigi até lá e programei o GPS novamente. Apesar de parecer que algo não deixaria eu partir de Volterra, consegui seguir minha viagem para mais 67 Km até o novo objetivo.

Leia a continuação em: Pisa


LINKS ÚTEIS

Comune di Volterra - http://www.comune.volterra.pi.it

Diocesi di Volterra - http://www.diocesivolterra.org/

Ecomuseo dell'Alabastro -

Pinacoteca e Museu Civico -

Teatro Persio Flacco - http://www.teatropersioflacco.it/


Sítio Arqueológico -
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Sobre o autor

Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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